''Repetindo o que vem periodicamente fazendo, no oportuno editorial
Mão Firme (5/4) o
JB aborda o crucial problema dos camelôs. Com absoluta precisão, assinala: ''Falta vontade efetiva de extirpar essa anomalia em caráter permanente, e não mediante sortidas policiais''. O mal deve ser cortado pela raiz, evitando-se o contrabando, a maior parte, sem dúvida, originária dos grandes contêineres desembarcados nos ''entrepostos francos'' concedidos ao Paraguai nos portos de Santos e Paranaguá. Se tais contêineres, em fluxo contínuo, contivessem, de fato, ''equipamento para o desenvolvimento da produção industrial paraguaia'', conforme a benevolente autorização, teríamos uma espécie de Suíça na América do Sul. Para reduzir ao mínimo o contrabando - e, conseqüentemente, a camelotagem - a ''vontade efetiva'' do governo federal poderia concretizar-se com duas providências. A primeira, determinando a abertura e a fiscalização de todos os contêineres destinados a Ciudad del Este, entrados em portos nacionais. A outra, convocando o exército para patrulhar a fronteira paraguaia, em particular a região da Ponte da Amizade, por onde ingressa - como todos sabem - todo tipo de contrabando, inclusive armas e tóxicos, que alimentam a violência nas cidades brasileiras. Há tempos, pesquisa oficial avaliou em US$ 10 bilhões o total da evasão de divisas ali registrada.''
Carlos Tavares de Oliveira, Rio de Janeiro, por fax.
''Demasiadamente autoritário o editorial Mão Firme (7/4). Trata da questão dos camelôs da cidade do Rio como se estes fossem marginais. ''A verdade é que os ambulantes sobrevivem e prosperam à sombra da omissão legal'', afirmam os editores do jornal carioca. E sentenciam: ''O camelô é o último elo da sonegação e do roubo organizado''. Se por um lado defendem os comerciantes que pagam seus impostos e vendem seus produtos dentro da legalidade - o que é de fato louvável -, se esquecem de que um sistema particularmente exclusivista obriga centenas de pessoas a trabalhar diariamente na ilegalidade, inclusive aos sábados e domingos, e sem nenhum tipo de proteção do Estado, para sustentar as famílias. São seres humanos.''
Gustavo Barreto, Rio de Janeiro, por fax.
Guerra
''Se Saddam não fosse um ditador, ele já teria renunciado, como todos os presidentes fizeram e fariam naquelas condições. Bush não quer o Iraque, Bush quer Saddam, que procurou e achou! Mas, como um ditador sanguinário, ele prefere ver o Iraque destruído, milhões morrerem, a deixar o poder. O poder, é seu Deus Alá. Como são os ditadores! Eles parecem donos do seu povo e do seu país, como os reis. Todos se acham acima da lei. É por essas e outras que o homem civilizado precisa amar a democracia, votar sempre e aperfeiçoá-la. Nada mais próximo do cidadão integral e civilizado do que ela! Nada!
Jethro Mourão da Cunha, Belo Horizonte, pelo Correio.
''Uma das características de um grande jornalista é a capacidade que ele tem de abordar um assunto não inédito, já pensado e escrito por vários, e dar a ele uma feição própria, para além da forma e do estilo, que faz com que atinja as pessoas no pâncreas. É o caso do artigo Somos todos iguais?, de Fritz Utzeri (Caderno B, 6/4).''
Roberto Musacchio, Rio de Janeiro, por e-mail.
''Na edição de 8/4, o JB mostra a lamentável morte de três jornalistas estrangeiros. Até quando vidas inocentes serão ceifadas? Como os aliados podem chamar esse fato de ''efeito colateral da guerra'', desprezando a vida humana como simples objeto? A vida de uma pessoa é o que ela tem de maior valor. E o pior é que em seus discursos Bush ainda pede a ''bênção de Deus'' para essa guerra. Essa não é a posição dos evangélicos brasileiros, lutamos, sim, pela paz e preservação da vida humana.''
Cristian Teotonio da Costa, Rio de Janeiro, por e-mail.
''Não, não somos todos iguais. Alguns são como Fritz Utzeri, privilegiados pela natureza. Felizmente, para nós cá da planície, Fritz, através de sua pena, reparte conosco um pouco desse privilégio. Parabéns a ele pelo artigo de 6/4. Linhas e entrelinhas magistrais, sobretudo estas últimas.''
João Guimarães de Barros, Goiânia, por e-mail.
''Parabenizo o desembargador Cármine A. Savino Filho pelo excelente artigo Guerra e paz . A clareza com que expôs o jogo de interesses em relação a essa guerra encomendada foi perfeita.''
Luz Clovis Bergallo, Rio de Janeiro, por e-mail.
''Excelente o artigo de Leandro Konder, de 5/4, resgatando a tragédia de Electra e comparando-a com a de Bush. É trágico, sim, se pensarmos que uma nação superpoderosa se arroga o direito de vingança, não reconhecendo os direitos internacionais e a vida dos povos. Em artigo no New York Times, Paul Krugmann defende um senador democrata que falou na substituição de Saddam, mas também na de Bush nas próximas eleições. Foi escorraçado por um senador republicano que o acusou (ao democrata) de não ser patriota. Esse movimento de censura e ''adesão patriótica'' à política de Bush é muito mais perigosa para o mundo do que a própria guerra do Iraque, cujas conseqüências não sabemos como serão.''
Paulo Roberto de Camargo, São Paulo, por e-mail.
Holocausto
''Nas últimas semanas em que Nilo Dante nos deu sua coluna no JB não houve vez que deixasse de falar da perseguição nazista aos judeus e do Holocausto. Muito justo que o tenha feito, pois as grandes tragédias devem mesmo ser lembradas. Por isso, sempre cabe rememorar outros holocaustos que continuam a ocorrer, de diversas maneiras, desde a Segunda Grande Guerra até os dias de hoje. Tal foi o caso do Holocausto da população civil russa, imolada a ferro e fogo pelos nazistas, com o dobro da terrível conta de mortos que coube aos judeus e ciganos. Poderíamos chamar de holocaustos as perseguições violentas de Stalin na antiga URSS? Saddam Hussein, com gás venenoso, cometeu o seu contra os curdos. A natureza dos holocaustos que constituem as ''limpezas étnicas'' parece a mesma, na África e na ex-Iugoslávia, na última década e, ainda agora, sob os nossos olhos, na Palestina, onde os buldozzers arrasam as casas dos parentes dos suspeitos de terrorismo, num território ocupado de modo colonial. Os bombardeios ''cirúrgicos'' de hoje em dia promovem holocausto, que vitimam populações civis, esmagadas sob os escombros ou eliminadas por uma forma ou outra em conseqüência dos conflitos. Alguns holocaustos, como os da África, são varridos para debaixo do tapete e a mídia quase não trata deles, quando não os evita. Esses não são como o Holocausto dos judeus diante do terror nazista, que, felizmente, para a consciência da civilização, é sempre lembrado, e nem deve ser esquecido mesmo, e que permite, quase a cada ano, que alguém ganhe um Oscar em Hollywood.''
Abel Teixeira Ramos, Rio de Janeiro, prlo Correio.
Desastre ambiental
''Mais um desastre ambiental que vai dar em nada. As autoridades multam, os infratores não pagam e o povo finge que acredita.''
Panayotis Poulis, Rio de Janeiro, por e-mail.
Moeda
''Depois de uma luta feroz pela valorização da moeda nacional, vem um nobre senador do governo - apoiado por ministros - sugerir que o Banco Central atue para manter o real depreciado frente ao dólar. Inacreditável!''
Adail Coaracy de Aquino, Rio de Janeiro, por e-mail.
'O pianista'
''Como é bom ler um artigo tão verdadeiro, perfeito e educativo. Agradeço a Alberto Dines pelo prazer que me deu (5/4).''
Rosa Saposnic Chut, editora da revista O Hebreu, São Paulo, por e-mail.
Correções
O STF (Supremo Tribunal Federal), e não o STJ (Superior Tribunal de Justiça), como foi publicado erradamente em título da página A2 de ontem, julga um acusado de apologia do racismo.
Leila Oda, que assinou o artigo Transgênicos e consumo, publicado na página A11 da edição de 7/4, não é empresária, e sim pesquisadora, presidente da ONG Associação Nacional de Biossegurança.