''A frase do ministro Graziano não é apenas polêmica, mas preconceituosa e desrespeitosa. Se ele pensa que a ida do nordestino para São Paulo vai obrigar o paulista a ter de continuar andando de carro blindado, não resolve nada tentar amenizar a infelicidade do pronunciamento com uma nota esclarecedora. O papel pode aceitar tudo, mas a palavra brota das nossas reais convicções e certezas. Se é essa a visão sociológica do ministro, o programa Fome Zero vai fazer água.''
Elisabeto Ribeiro Gonçalves, Belo Horizonte, por fax.
''Quase ninguém parece ter entendido as declarações do ministro Graziano. Ele não estava querendo dizer que os nordestinos são responsáveis pela violência. Responsabilizou, sim, o crescimento desordenado das cidades. Se todas as regiões do país fossem desenvolvidas, não existiria esse grande número de favelas em cidades como Rio e São Paulo, resultantes da intensa migração e da explosão demográfica. A violência não irá diminuir enquanto não houver desenvolvimento, educação e planejamento familiar, além da reforma dos sistemas penal e policial.''
Gustavo Ribas, Rio de Janeiro, por e-mail.
''A gafe do ministro da Segurança Alimentar, que atribuiu à migração nordestina a responsabilidade pela violência nos grandes centros urbanos, e a iminente deflagração de uma guerra no Iraque, poderiam servir para a abertura de um grande debate, nas escolas do país, sobre o tema: respeito às diferenças e valorização das mesmas.''
Mariúza Peralva, Niterói, por e-mail.
José Lewgoy
''Para nós que amamos o cinema e o veneramos como arte maior e instrumento fundamental de expressão cultural de nosso povo, a morte de José Lewgoy nos deixa consternados. A sua trajetória é a própria história do cinema nacional, das gloriosas chanchadas da Atlântida aos geniais filmes de Glauber, passando pelas deliciosas comédias cariocas dos anos 60, 70 e 80, erroneamente denominadas pornochanchadas, pelos filmes históricos e de época, até as obras experimentais de Júlio Bressane. Ele fez de tudo no cinema. Foi nosso ator maior. Estamos mais pobres e sós, mas o firmamento ganha mais um astro fulgurante.''
Daniel Taubkin, Rio de Janeiro, por e-mail.
CPI
''Esclarecimento a propósito da carta CPI, do deputado Carlos Minc, publicada no dia 8/2: o deputado Carlos Minc e o senhor Lúcio Picanço receberam doações de campanha da mesma empresa, a Rio de Janeiro Refrescos (Coca-Cola ), que as fez também a outros candidatos de vários partidos, inclusive do PT. No caso do deputado Carlos Minc ainda há a doação feita por parente próximo do representante do Discount Bank do Brasil, responsável pela abertura das contas, na Suíça, dos fiscais fraudadores. Como se não bastasse, o deputado Carlos Minc, na própria carta publicada no JB, fez eloqüente defesa não apenas da Coca-Cola, mas também das empresas de grande porte. Diz o deputado Carlos Minc: ''A CPI não é sobre a Coca-Cola, que ainda não foi convocada a depor nem incriminada e alega ter sido pressionada pela indústria de multas ilegais por não pagar propina. A CPI é sobre a máfia da corrupção que pressionou mais de 300 empresas...''. O deputado Carlos Minc precisa ser esclarecido, pois a CPI é também da Coca-Cola, que no governo do PT (Benedita da Silva) é suspeita de receber um benefício que lesou os cofres públicos em US$ 468 milhões.''
Paulo Ramos, deputado estadual, Rio de Janeiro, por e-mail.
Gastos
''Ao contrário do que publicou a coluna Informe JB em 2 de setembro de 2002, a área de pessoal do TRE do Rio não deixou de cumprir os ditames da Lei de Responsabilidade Fiscal. Por equívoco, considerou-se que o custeio de pessoal do tribunal teria ultrapassado o limite quadrimestral. Imediatamente, impetramos dois recursos junto ao TCU em que pudemos comprovar que os limites legais foram respeitados. Além disso, mostramos significativa redução de R$ 1.748.436,31 no custeio da folha de pagamento dos servidores ativos, resultado de medidas administrativas de austeridade. No relatório que apontava problemas no custeio da folha, não havia sido computado o aumento linear de 3,5% concedido aos servidores públicos federais em janeiro de 2002. Esse lapso induziu os auditores a entenderem que o TRE do Rio havia ultrapassado o limite em 0,000077 ponto percentual. Mesmo se o aumento linear fosse levado em consideração na interpretação dos auditores, julgar que o TRE do Rio desrespeitou a norma legal configuraria excesso de rigor. Apenas em relação ao TRE do Rio não se teriam levado em conta os respectivos aumento e diminuição dos valores consignados nas fontes 56 e 00, nos diferentes exercícios de 2001 e 2002, que alteram completamente os limites em referência, conforme entendimento do próprio TCU em decisão publicada no Diário Oficial da União em 08/01/03.''
Álvaro Mayrink da Costa, presidente do TRE, Rio de Janeiro, por e-mail.
N. da R: A nota foi fundamentada em relatório oficial do Tribunal de Contas da União. Segundo o TCU, o recurso do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro ainda não foi julgado.
Cheque Cidadão
''Em relação à carta do leitor Gemerson Dias (7/2), cabe esclarecer que o Cheque Cidadão é um programa de governo do Estado que visa a atender às necessidades mais urgentes das pessoas que hoje passam fome. Além de resgatar a dignidade e a cidadania de 60 mil famílias, o programa estimula o mercado varejista, gerando renda e emprego a milhares de trabalhadores. Os recursos do Cheque Cidadão são oriundos de fonte específica, para projetos de nutrição alimentar e saúde, que não inclui as despesas com pagamento de pessoal.''
Aurélio Gimenez, assessor de Comunicação da secretaria estadual de Ação Social, Rio de Janeiro, por e-mail.