''O ministro da Previdência ainda não respondeu a duas questões importantes sobre sua controvertida proposta de reforma previdenciária: o governo Lula reduziria a alíquota de 11% descontada atualmente dos salários dos servidores para equipará-la à dos segurados do INSS na iniciativa privada? Os servidores voltariam a ter direito ao FGTS, como os demais trabalhadores?''
José Marques de Melo, Nova Friburgo (RJ), por e-mail.
''Se o presidente Lula mantiver os privilégios do funcionalismo público no regime da Previdência Social, seu governo perderá a credibilidade; cairá na mesmice de governos passados, quando tudo era adiado. Assim, de nada adiantarão os programas sociais, como o Fome Zero. Se o presidente não recuar dessa decisão absurda, perderá o apoio do povo, que amargará a tristeza de um sonho acabado.''
Jader Bezerra de Rezende, Rio de Janeiro, por e-mail.
''Existe absurdo maior do que mulheres trabalharem menos que homens para se aposentarem, se ''homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações'' (inciso I, do art. 5º da Constituição)? Essa inconstitucionalidade - que causa sérias perdas à Previdência oficial - não pode persistir na reforma ora em discussão. Que todas sejam equiparadas às mulheres militares, que são sujeitas às mesmas regras de seus pares homens para se aposentar, e contribuem para sua previdência desde a incorporação até o fim da vida.''
Adail Coaracy de Aquino, Rio de Janeiro, por e-mail.
''Os militares têm atuação diversa dos outros funcionários. O horário de trabalho é mais amplo e rigoroso; há obrigação de dar ''serviço'', em geral de quatro em quatro dias, dormindo, ou mesmo em vigia durante a noite, no trabalho; há ausência, às vezes longa, de casa e da família; o serviço é muitas vezes arriscado, como nas fronteiras, nos navios e nos aviões. Isso faz com que não possa haver comparação nem igualdade com as categorias de funcionários públicos ou privados. Os militares devem manter os seus privilégios ou um dia o Brasil não terá quem proteja suas fronteiras, sua costa ou seu espaço aéreo.''
Angela Arieira, Rio de Janeiro, por e-mail.
Responsabilidade
''A Lei de Responsabilidade Fiscal é dura, mas é lei. No governo FH, José Serra tentou flexibilizá-la. Agora, o ministro Graziano defende que o orçamento social fique fora dos limites da lei. Grande parte da dívida brasileira, nosso grande problema, tem origem no Brasil gastador. O dinheiro público jogado no ralo da irresponsabilidade. Gastou-se mais do que se arrecadou; investiu-se em obras faraônicas, normalmente em véspera de eleição, e a conta é sempre da sociedade. O presidente Lula e o ministro Palocci não podem vacilar: ou muda a lei para todos ou não muda para ninguém!''
Emanuel Cancella, Rio de Janeiro, por e-mail.
BNDES
''Parece que o BNDES vai assumir de fato suas atribuições nesta nova gestão. Nos últimos anos o banco se preocupou em promover, a qualquer custo, o desenvolvimento industrial do país, via financiamentos e privatização, ambos muito discutíveis, pois não resultaram em benefícios sociais de acordo com as expectativas do povo brasileiro, que esperava a geração de empregos. O país alcançou níveis de desemprego elevados e o BNDES chegou a ser acusado de emprestar até dinheiro do fundo dos trabalhadores para robotizar empresas, sob alegação de que elas precisavam concorrer no mercado global. Ao mesmo tempo, porém, o Brasil se destacava, no mundo, pelo desenvolvimento social alcançado, o que parece contraditório. É indiscutível e indispensável, porém, que um banco estatal de fomento viva em função da maioria do povo de uma nação em que esteja inserido e que lhe fornece, via Orçamento da União, os recursos necessários para operar.''
Osvaldo Souza Gomes Job, Porto Alegre, por e-mail.
Investigação
''O povo carioca clama por justiça! Esperamos que o Ministério Público continue cumprindo o seu papel junto à sociedade, agindo contra os larápios de colarinho branco que usam o dinheiro público para engordar suas contas bancárias no exterior. Que o ex-governador e seus amigos se expliquem diante da população, e que todos os dólares que foram embora voltem aos nossos cofres o mais rápido possível.''
Leila Villela, Rio de Janeiro, por e-mail.
Volta às aulas
''Trata-se de um absurdo a coação feita pelas escolas para que os alunos adquiram livros da ''lista'' da escola, renovada e alterada anualmente, tornando inutilizáveis os livros adquiridos no ano anterior. Cada escola edita uma lista diferente, denotando um mercado ilícito e imoral montado pelas editoras e pelas escolas, com a bênção de paz do MEC e das secretarias de Educação. Professores são pagos para ensinar, podendo e devendo indicar textos alternativos para aprofundamento e complementação da matéria, mas nunca exigir determinado texto. Outro assunto abusivo é a obrigatoriedade de uniforme pelas escolas, transformando alunos em modelos de propaganda, que ainda pagam para desfilar com o nome e logotipo do estabelecimento comercial.''
Carlos Alberto de Lyra Vaz, Rio de Janeiro, por e-mail.
Ensino profissional
''Os doutos em ensino profissional costumam dizer que deveria haver no Brasil escola profissional, e não profissionalizante. Na escola profissional, o aluno ficaria uns quatro ou cinco anos aprendendo a ser, de fato, um bom torneiro mecânico, um marceneiro, um eletricista etc. Hoje em dia, é difícil encontrar alguém que saiba consertar uma simples válvula de banheiro ou fazer um reparo numa pia de cozinha. Quando criaram um decreto extinguindo o ensino profissional, cometeram um crime inadmissível.''
Zuleika Hallais Walsh, Niterói, pelo Correio.