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Celular

''Em resposta à injusta carta de Italo Moriconi (3/10), informo que o Procurador-Geral de Justiça José Muiños Piñeiro Filho não permitiu nem permite que Marquinhos Niterói ou qualquer outro condenado utilize telefone celular em Bangu I ou em qualquer outro estabelecimento penitenciário, porque isso é ilegal e é de competência apenas do Desipe e dos órgãos de segurança estaduais impedir, diretamente, que isso ocorra. Tanto é assim que, verificada a permanência de tal uso, em 15 de setembro último, mesmo após o fim do episódio do dia 11, em Bangu I, o Ministério Público imediatamente remeteu ao secretário de Segurança Pública, sigilosamente, a fita com a gravação da conversa sobre preparativos para a paralisação que veio a ocorrer no dia 30, a fim de serem tomadas as providências preventivas e repressivas cabíveis, para apreensão do aparelho - que ocorreu dois dias após, juntamente com material entorpecente - e, também, para evitar a ocorrência do evento que veio a suceder no último dia 30. Aquele bandido não continuou dando ordens, incitando o caos no Estado, ao contrário do que diz o missivista, por vontade ou permissão do Procurador-Geral de Justiça, porque foi imediatamente transferido para o Batalhão de Choque da PM, com a descoberta do uso do celular e da conversação mantida, nas mesmas condições dos demais traficantes e isso novamente graças àquela iniciativa do Ministério Público, que revelou aos órgãos de segurança do governo estadual o que estava ocorrendo. O Procurador-Geral de Justiça não é e nunca foi tolerante ou leniente com bandidos, como diz o missivista, pois, ao contrário, foi através dele e dos promotores de Justiça que atuaram em todos os episódios recentes, relativos a Bangu I, e os episódios antigos, relativos a Fernando Beira-Mar e outros traficantes, que as medidas para as suas prisões e para a garantia do seu eficaz encarceramento puderam ser tomadas com sucesso, até hoje. Aliás, no editorial Cochilo Fatal, de 3/10, deste Jornal do Brasil, isto é corretamente reconhecido, cabendo transcrever seguinte trecho: ''Foi perfeito apenas o trabalho desenvolvido pelo Ministério Público estadual, que trabalha em silêncio e com eficiência. O Procurador-Geral de Justiça José Muiños Piñeiro Filho mais uma vez mostrou como se opera em matéria de segurança: não divulgou o teor das gravações para evitar pânico''.''

Elio G. Fischberg, 2º Subprocurador-Geral de Justiça, Rio de Janeiro.

Eleições

''Eneas Carneiro é o maior fenômeno eleitoral de toda a história do Brasil, com 1.600.000 votos! Ele teve um milhão de votos a mais do que José Dirceu, do PT, o segundo deputado mais votado de São Paulo. Ele teve mais votos do que os cinco deputados mais votados de todo o Brasil. Ele teve tantos votos que conseguiu, pelo quociente eleitoral, eleger mais sete candidatos do seu partido, o Prona - que só tinha mais seis inscritos! Enquanto candidatos de grandes partidos com 70 mil votos ficarão de fora, o último dos eleitos do Prona teve 42 (sim, amigos, só prosaicos quarenta e dois) votos. O próximo governo terá, forçosamente, de ter em Eneas um importante interlocutor para levar avante seus projetos. O Prona, partido nanico, quase inexistente, surge como força nacional.''

Carlos Tebecherani Haddad, Rio de Janeiro.

''Fiquei indignado ao ver Rosinha Garotinho, na televisão, dando entrevista já como governadora eleita, vestindo camiseta com os dizeres ''Jesus é o Senhor''. Convenhamos, isso não é bem visto nem em celebração de gol em futebol quanto mais em uma figura pública, governadora de Estado. Devemos nos opor a essa mistura sempre perigosa entre Estado e religião. Exemplos históricos, todos catastróficos, não faltam. Se 18% dos eleitores são evangélicos, é bom lembrar que nós, que constituímos os outros 82%, podemos nos sentir chocados e até mesmo violentados ao vermos nossos governantes, quer por ignorância, quer por intenção consciente, nos impor o seu credo religioso.''

Haroldo José Accioly Borges, Angra dos Reis (RJ).

''Seja qual for o resultado das eleições, o JB está de parabéns pela isenção na cobertura, diferentemente de muitos órgãos de comunicação, especialmente no Rio de Janeiro, que, nas entrelinhas, nas imagens e nas manchetes, tentam interferir no processo.''

Procópio Panajote Papanis, Rio de Janeiro.

''Na iminência da vitória de Lula, já começaram, como no artigo O país está impaciente (7/10), de Augusto Nunes, as ''previsões'' catastróficas, as análises ''inteligentes'', as ''certezas'' sobre a impaciência do povo.''

José Olimpio R. Araujo, Rio de Janeiro.

''O eleitor momentaneamente afastado do seu domicílio eleitoral (doença, trabalho e outros motivos relevantes) fica alijado de participação cívica tão importante. Por que não estender ao mesmo a regalia dada aos brasileiros residentes no exterior, ou seja, a de votar para presidente? Afinal, onde está a igualdade de direitos?''

Aldenor de Castro Madeira Filho, Niterói.

''A impunidade do voto fez com que fossem reeleitos candidatos que renunciaram aos respectivos mandatos, entre os quais ACM, Jader Barbalho e Arruda, o primeiro, senador, e os demais, deputados. De nada adiantou o pretérito logo apagado na memória do povo, que se faz responsável pela estrutura política menor do Brasil.''

Carlos Henrique Abrão, São Paulo.

''Espero que Rosinha Matheus compreenda que o crescimento de Benedita da Silva deveu-se, principalmente, à luta contra o tráfico de drogas, que a segurança é uma das grandes angústias da população e que leviandades como celular em presídio de segurança máxima, que seu marido defendeu nos debates, devem estar fora de cogitações.''

Maria Eugênia Corrêa Lima, Rio de Janeiro.

''Gostaria de parabenizá-los pelas informações sobre locais de votação nas eleições. Tinha de justificar meu voto, e procurei incessantemente no site do TSE e em outros jornais. Encontrei de maneira clara e direta no site do JB.''

Liliana Nieto Silveira, Rio de Janeiro.

Eleições II

"As eleições foram uma grande e linda festa da democracia. Como estrangeiro que mora no Brasil, para mim foi emocionante participar, mesmo que só como observador. No entanto, não posso deixar de manifestar minha tristeza pelas inúmeras manifestações de racismo e preconceito que pude presenciar e por outras que me foram relatadas por amigos e parentes. Não há outra forma de classificar as afirmações de quem declarava que não votaria na Benedita (PT) porque era "preta", ou que era um insulto ter uma "criola favelada" no Guanabara. O mais triste ainda é que boa parte dessas pessoas também era negra. É desanimador perceber que em um país multiracial como o Brasil as pessoas ainda são avaliadas, não pela eventual competência ou incompetência, mas pela raça. Desejo à Senhora Garotinho muito sucesso e espero que, além do cheque cidadão, implemete ações que saibam devolver a cidadania de verdade aos fluminenses e para que não aconteça mais que um menino negro de mais ou menos 10 anos chame com desprezo a Benedita de "preta" (cena que eu mesmo presenciei)".

Maurizio Ortu, por e-mail

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"Dizem que votar é direito do cidadão. Que direito é esse quando milhares de pessoas sofrem horas em uma fila e têm seus votos perdidos depois? Na eleição dos tempos "modernos" há urnas informatizadas que supostamente dimimuem os indíces de corrupção. Diminuem? Que nada! Estas foram as eleições do erro. Urnas que foram testadas (e aprovadas) na véspera simplesmente quebraram, disquetes sumiram, urnas de lona "evaporaram" E ainda dizem que o Brasil quer a mudança. Que Brasil quer a mudança? O Brasil Povo, esse sim, quer a mudança. O Brasil Elite, esse não tem interesse na renovação, pois seria o seu fim. Parece que a vontade do Brasil Povo não prevalecerá, mais uma vez. O Brasil Elite faz de tudo para continuar no poder. Até desviar votos descaradamente. O esforço de grande parte dos cidadãos foi jogado fora".

Marina Pereira, Magé (RJ).

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"Ainda que vá ocorrer um segundo turno nas eleições para presidente, a lógica consagra que o candidato Luiz Inácio da Silva será vitorioso. Mas o momento permite uma reflexão. O governo Fernando Henrique Cardoso, que cometeu equívocos por motivos relacionados à conjuntura globalizada e também por manter um determinado grau de auto-suficiência e primar pela falta de comunicação com o povo, conseguiu dois importantes feitos: frear a inflação e dar total liberdade de opinião. De resto, o presidente, face a sua cultura e viagens, conseguiu dialogar no exterior e fazer ouvir as necessidades e propostas do Brasil. Nesta proporção, tal fato nunca havia ocorrido e parece-me que no futuro não acontecerá. O presidente contribuiu de forma exemplar para que ocorressem eleições absolutamente livres. Não há como negar. Torçamos para que no novo governo, licitamente eleito, a inflação e, especialmente, a liberdade de opinião recebam a mesma atenção. Só com a total liberdade de opinião e de imprensa pode-se conseguir as transformações democráticas, como as que no momento a maioria do eleitorado sonha. Só se atinge os ideais democráticos, o passado ensinou, sem demagogia e com liberdade de opinião. Os que comemoram a vitória eleitoral devem estar cônscios que preservar a liberdade dos demais é um de seus deveres, principalmente os que na imprensa puderam dar livre curso às suas idéias e posições políticas".

Pedro Diniz de Araujo Franco, Rio de Janeiro.

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"Fiquei atento ontem e hoje às notícias sobre as eleições eletrônicas no Brasil e deu para notar que existiram dois países bastante diferentes (o que não é novidade) votando. As autoridades consideraram um sucesso para o crescimento da democracia, mesmo com 18% de abstenção com voto obrigatório, e demonstração da tecnologia desenvolvida pelo país, mesmo com 2% de falhas nas urnas. O povo, em compensação sofreu, ficou horas na fila, perdeu trabalho, horas de lazer e até refeições. Quem pôde ficou, muitos desistiram, o desrespeito foi grande e valeram todos os artifícios para escapar da demora (poses jornalísticas, seguranças para deputado, levar uma pessoa de idade ou criança, mesmo que emprestada). O atraso foi imenso, as 9 horas não foram suficientes para o Brasil votar, a média ao redor de 1,5 minutos nas áreas mais nobres das cidades chegou a 10 minutos no pobre interior, criaram um caos. Não tenho dúvidas que o fato de se publicar pesquisas de boca de urna e iniciar apurações com transmissão nacional, antes da eleição acabar (em alguns lugares teve voto na segunda-feira) afetou os resultados. Sugiro aos partidos que investiguem o ocorrido, tentem apurar os objetivos por traz desse projeto, apurem quem ganhou com o sistema. A quem interessou uma votação complexa com 6 candidatos diferentes com 26 digitações em um país miserável, semi-instruído onde existe uma exclusão dos usuários de informática. Somos capazes com seriedade de fazer algo melhor que essa desastrada votação eletrônica".

Jeives Aragão, Rio de Janeiro

Telecom

''Com referência à Nota da Redação publicada no dia 5/10 na coluna Cartas ao Editor, referente a nossa carta MMPR/095/2002, de 24 de setembro de 2002, registramos que em nenhum momento o sr. Luis Octavio da Motta Veiga comentou valores ou outras condições de aquisições, mencionando apenas o fato de a empresa estar avaliando operações da natureza, informação de pleno domínio público.''

Eliana S. Rodrigues, da coordenação geral da presidência da Brasil Telecom S/A, Brasília.

Militares

"Passam-se governos e governantes e os militares nunca são lembrados. Mudam a moeda e o câmbio e os militares são sempre massacrados com minguados soldos. Nunca reclamam, são sentinelas da pátria. Não há comida, não há equipamentos, não há salários, mas há quem os consideram caros, como se a liberdade tivesse preço. No entanto, para garantir as eleições, ponto máximo de uma democracia, foi preciso chamá-los. Por que não cuidamos melhor daqueles que nos defendem? Os militares somente são lembrados na necessidade".

Ricardo Antonio da Silva, Rio de Janeiro.

[08/OUT/2002]

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