''Alegam que Lula não tem diploma universitário. Isso é bobagem. O Brasil já teve um presidente sem diploma: Café Filho. Carlos Lacerda também não se diplomou e ninguém o depreciava por isso. Há notáveis administradores, como Amador Aguiar e o falecido ministro Gama Filho, sem diploma. Algumas das nossas maiores glórias nacionais não tinham diploma, como Machado de Assis, Jorge Amado, Nelson Rodrigues, Graciliano Ramos, Manuel Bandeira. Diploma não garante competência nem tino político. Num líder, a personalidade e os ideais é que são importantes.''
Lecticia J. B. De Vincenzi, Rio de Janeiro.
Reta final
''Na reta final da campanha eleitoral, os três candidatos que disputam a provável ida para o segundo turno com Lula têm utilizado forte e virulenta atividade para ''desconstruir'' o ''Lula paz e amor''. Os estudiosos das campanhas políticas consideram que esse esquema pode transformar o rival em vítima, e o feitiço virar contra o feiticeiro. Sem entrar no mérito da discussão acadêmica, o que interessa a nós eleitores é se efetivamente o novo Lula que o PT e seu staff de marketing político apresentam é o verdadeiro Lula ou mero produto artificial. O fato é que o eleitor anda com pé atrás em matéria política.''
Luiz Edmundo C. Saraiva, Rio de Janeiro.
Ideologia
''Em eleições não escolhemos simplesmente pessoas para governar e, sim, ideologias partidárias representadas pelo candidato. Se tivermos senso para enxergar candidato e ideologia teremos uma idéia mais correta do nosso cenário político e com certeza nosso voto será mais qualificado.''
Vitor Siqueira Ferreira, Juiz de Fora (MG).
Alcântara
''Tem sido pouco debatida a proposta de concessão da Base de Alcântara, no Maranhão, aos Estados Unidos. Pelo caráter reservado e estratégico que os EUA atribuem a suas atividades aeroespaciais, não haveria transferências de tecnologia e, inexplicavelmente, os recursos advindos da concessão não poderiam ser empregados em pesquisa aeroespacial pelo governo brasileiro. Os acessos à base ficariam sob controle norte-americano e as cargas a ela destinadas estariam isentas de inspeção e controle das autoridades brasileiras. Seria um constrangedor Estado dentro de outro Estado. O nosso presidente, que tem posicionado o país, nos fóruns internacionais, com independência, ante as grandes questões globais, teria ótima oportunidade para reforçar essa determinação, vetando a intenção do acordo. O povo brasileiro já se manifestou nesse sentido em recente plebiscito e certamente o aplaudirá. Afinal, soberania não tem preço.''
Antonio Carlos M. Campos, Rio de Janeiro.
Alemanha
''Parabéns ao povo alemão pela manutenção da socialdemocracia e dos verdes no poder. O chanceler Schroeder se sobressaiu ao condenar a ofensiva militar descabida de Bush. O Muro de Berlim caiu já faz 13 anos e muitos ainda não se deram conta de que imperialismo, nacionalismo exacerbado e conservadorismo protecionista já eram. A Alemanha dá exemplo ao mundo. Justiça social com pluralismo político, não alinhamento geopolítico e desenvolvimento auto-sustentável (energias alternativas limpas e renováveis com matérias-primas preservadas) são o verdadeiro norte do novo capitalismo, com oportunidade para todos, inclusive os imigrantes.''
João Diogenes Caldas Salviano, Recife.
Ferrovias
''A indústria ferroviária nos países do Primeiro Mundo continua a ser um dos principais fatores que geram desenvolvimento. Infelizmente, no Brasil, a ferrovia, desde o fim dos anos 60, é desleixada pelos governos. Na década de 60, havia, no Brasil, mais de 30.000 quilômetros de ferrovias. Lembro-me, saudoso, de como era bonita a viagem do Rio para Belo Horizonte no confortável Vera Cruz, ou para São Paulo, nos leitos do Santa Cruz. Hoje, quase tudo se faz pela estradas, que poluem muito. Os futuros governantes deveriam voltar seus olhos para nossas ferrovias e quando viessem à Europa deveriam viajar de trem para conhecer e, quem sabe, tentar seguir o exemplo europeu, investindo maciçamente no necessário crescimento ferroviário do Brasil.''
Gunther Müller, Frankfurt (Alemanha).
Mercado
''Nunca pensei que fosse concordar com o ministro Pedro Malan, cuja ótica tecnocrática o leva a reduzir a economia a mero jogo de finanças e ''oportunidades''. Mas ele está certo: o mercado, como funciona hoje, é mesmo movido pela cobiça e a ignorância. Por isso, necessita de um Estado forte, dirigista e movido pelo princípio do bem comum, para que possa cumprir seu papel de alocador de recursos, em benefício da sociedade como um todo, e não apenas de alguns jogadores privilegiados.''
Geraldo Luís Lino, Rio de Janeiro.
Dólar
''A especulação dos bancos com o dólar causou prejuízo de centenas de milhões de reais aos cofres públicos. Dinheiro que deveria ser usado em saúde, educação e segurança enriqueceu banqueiros. É o pior dos mundos, onde os bancos manipulam cotações, retirando de um povo pobre quantias altas que irão parar no exterior. A ''ação entre amigos'' do atual governo com os bancos parece ter data para terminar - Serra não deve se eleger -, mas fica na população o gosto amargo do crime impune e rasteiro, que, além de inviabilizar políticas públicas eficientes, dá o péssimo exemplo de que a esperteza nunca compensou tanto.''
Ricardo M. Haddad, Rio de Janeiro.
Collor
''Há exatos 10 anos, em 29/9/92, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impeachment contra Collor. Poucos meses depois, ele renunciou. O processo foi uma lição de democracia. A eleição de Collor só serviu para provar que um mero produto de marketing pode chegar à Presidência da República. Collor se elegeu porque foi apresentado ao eleitorado numa embalagem publicitária atraente. Mas sempre foi a personificação de autoritarismo destrutivo (vide o confisco imperdoável e inútil da poupança), para não falar das companhias em que andava, do seu personalismo megalomaníaco e exibicionismo grotesco. Nunca passou de um aventureiro, herdeiro da retrógrada oligarquia político-econômica de Alagoas. Um outsider.''
Luis Vergniaud, Rio de Janeiro.
Justiça
"Aos 72 anos de idade, nunca vi a Justiça brasileira ser tão vilipendiada,
como nesta era cardosiana. Ganhei uma ação indenizatória de uma grande
empresa que, cumprindo ordem judicial, depositou no Banco do Brasil S/A a
importância de R$ 200, que ficaram à disposição do Juizado Especial
Cível, da Comarca de Maricá/RJ. No dia 19 de setembro o Juiz expediu
mandado, favorável a Wilson Gavinho Vianna, ao Banco do Brasil para que
"pague à pessoa indicada a importância supra, depositado à disposição deste
Juizo." Mas o Banco não acatou a ordem do Juiz, alegando uma burocracia
interna da estatal. Deveria apresentar uma fotocópia, entrar na fila do
"atendimento", carimbar a bendita, aguardar 3 ou 4 dias, voltar ao banco e
entrar outra vez na fila do guichê, pedir a benção ao caixa e depois, quem
sabe, receber aquela fortuna. Ora, se o mandado tem que sofrer trâmites
particulares, o pagamento deve ser efetuado a priori, em nome da ordem
judicial, em nome da Justiça, em nome do respeito a uma autoridade
juridicamente constituída pelo Poder Judiciário. Um regulamento interno não
pode passar por cima da Justiça. Espero que daqui em diante, os Juízes não
aceitem tal vitupério à dignidade da Toga."
Wilson Gavinho Vianna, Maricá (RJ).
Violência
"Já há alguns anos que os políticos incluíram em sua lista de promessas o item segurança. Tornar o Rio uma cidade segura, onde as pessoas possam caminhar com tranqüilidade... É isto que se ouve muito neste horrível horário eleitoral. Moreira Franco prometeu acabar com a violência em seis meses; Brizola achava um absurdo a escalada da bandidagem, mas tolheu a PM no enfrentamento com os marginais. Enfim, passam os governantes e os bandidos se organizam mais e mais. Está me parecendo que a exemplo do que fizeram com a seca no Nordeste, os políticos estão explorando este estado de caos gerado pela proliferação de quadrilhas que mandam e desmandam, principalmente no Rio e em São Paulo, para tentar ganhar votos do eleitor."
João Luiz Filgueiras Filho, Rio de Janeiro