''O episódio do corte de energia na UFRJ, pela Light, e o recente corte de linhas telefônicas da polícia, pela Telemar, confirmam os temores dos adversários da privatização. De um lado, a universidade pública massacrada por falta de interesse das autoridades; de outro, empresa privatizada que apenas se interessa pelo lucro e pelas benesses que recebe do governo. Os ''fracassomaníacos'' advertiam quanto a esses (e outros) perigos. Quem viveu, viu.''
Marcelo Araújo G. de Miranda, Rio de Janeiro.
''O governo FH privatizou centenas de empresas e mesmo assim não conseguiu diminuir a dívida pública. Além disso, deixou que os preços dos serviços públicos privatizados subissem livremente. Agora, o ministro da Educação reclama de que a Light cortou a energia da UFRJ e de dois hospitais por falta de pagamento. Eles foram criar as cobras e agora estão sendo mordidos, ou seja, as criaturas estão se insurgindo contra os criadores.''
Emerson Rios, Niterói.
Processo político
''Muito tem que ser melhorado no processo político brasileiro para que o país possa merecer a denominação de democracia. Um ponto fundamental é a sistemática de aprovação das leis. Há a distorção das MPs - verdadeiros decretos-leis -, que dão ao presidente o poder de legislar. O Congresso se torna poder ''homologatório'', em vez de legislativo. Quanto aos projetos de lei, a maioria é aprovada por votações simbólicas, sem quorum, tanto no plenário, como na comissão em que tramitou: basta o voto favorável do relator. Se isso é democracia, para que 513 deputados e 81 senadores?''
Roldão Simas Filho, Brasília.
Adultério eleitoral
''As traições eleitorais são provenientes do sistema de votação brasileiro. O político é obrigado à autopromoção, deixando em segundo plano o partido político. Agindo assim, temos um sistema cuja ordem, para sobreviver, é trair. A única forma de acabar com isso e fortalecer a democracia é introduzir voto nas listas partidárias, em que o partido é o único referencial para o eleitor. Essa é uma das principais medidas para acabar com o adultério eleitoral.''
Marcos da Silva Neves, Rio de Janeiro.
Omissão
''Um fato chama a atenção nos galhardetes, faixas e outdoors espalhados pela cidade. A maioria dos presidenciáveis não menciona o vice, e os candidatos a deputados estadual e federal, senador e governador não dizem a que partido pertencem - quando o fazem é num cantinho e em letras pequenas. Algumas alianças ou apoios ferem tanto as tradições partidárias que chegam a ser imorais, a ponto de os candidatos acharem prudente esconder dos eleitores menos esclarecidos seus vices e suas legendas.''
Abel Pires Rodrigues, Rio de Janeiro.
Comércio exterior
''As dificuldades do Brasil no comércio externo decorrem da união dos custos internos e das barreiras tarifárias e não tarifárias impostas aos nossos principais produtos de exportação. A Alca deveria ter como condição prévia reduções nas barreiras erguidas contra nossas exportações, ao mesmo tempo em que se exigiria do governo brasileiro a redução efetiva do custo Brasil, através da redução dos juros, dos custos de transporte e dos custos portuários. Não obstante, país com as dimensões do Brasil pode e deve ampliar o mercado interno - nações sem essa possibilidade e com mercados menores fazem do comércio externo necessidade vital.''
Everton Jobim, Rio de Janeiro.
Empregos
''O grande desafio do futuro presidente da República, seja ele quem for, deve ser a geração de empregos. E isso só será possível com a redução de nossa dívida externa. Não é possível que um país tão rico como o nosso seja tão explorado pela agiotagem internacional. Como é possível um poupador americano receber menos de 2% de juros anuais e um empréstimo contraído aos americanos nos custar 10 vezes mais? Deveríamos formar um bloco com países do mesmo nível que o nosso e tentar nos libertar do domínio do FMI-EUA.''
Procopio P. Papanis, Rio de Janeiro.
Cinema
''Assisti ao filme Cidade de Deus. O merchandising de armas, a publicidade da violência e a propaganda do horror me inquietaram. Fiquei impressionado com a quantidade de buracos cheios de sangue nos corpos dos atores. Não é fazendo um produto audiovisual desse tipo que contribuiremos para a cultura da paz. Cidade de Deus, filme bem produzido, e com ótimos atores, trabalha na contramão de suas bem-vindas intenções, podendo despertar em muitos jovens a simpatia pela vida ligada ao banditismo.''
Noilton Nunes, Rio de Janeiro.
Urbanismo
''O urbanismo racional exige que o centro comercial de uma metrópole seja exclusivo de trabalho e negócios. Transformar prédios comerciais e edifícios industriais em cortiços, permitindo utilização desses espaços em moradias mal adaptadas, seria efetivar a favelização vertical. Só se o prefeito do Rio quer homenagear Aluísio Azevedo, autor de O Cortiço, que diz: ''Muitos pretendentes surgiam disputando os cômodos desalugados. O número de hóspedes crescia, os casulos subdividiam-se em cubículos do tamanho de sepulturas, e as mulheres iam despejando crianças com regularidade de gado procriador''.''
Carlos Alberto Dias Ferreira, Rio de Janeiro.
Bucci
''Leio a coluna O pai abandonado (8/8) e pergunto: que tal dar a Eugênio Bucci lugar entre os jornalistas mais lúcidos e inteligentes do país? Que tal dar nele um grande abraço, de mãe para filho? Não se imagina como o pai daqui de casa ficou comovido com o que ele escreveu. Obrigada por escrever no JB, jornal que nos acompanha nos 40 anos de casamento. Que tal os filhos ouvirem você, Bucci, e se sentirem como nós?''
Alba Milward, Rio de Janeiro.
''O estilo de Eugênio Bucci é simples e profundo, ao mesmo tempo. Quanto às famílias idealizadas que aparecem nos anúncios, acho terrível a expectativa que elas criam nas crianças, geralmente privadas de toda essa falsa afeição. Às vezes penso que estou só na luta contra o consumismo, pois vejo gente inteligente completamente cooptada pela volúpia do consumo. Parabéns, Bucci, por nos dar momentos de reflexão.''
Denise Leyraud Guinle, Rio de Janeiro.
Legendas
''A atual montagem da Butterfly, no Municipal, é belíssima. É, entretanto, inadmissível que em instituição cultural a língua portuguesa seja tão maltratada nas legendas projetadas durante a ópera. Instituição voltada para a cultura, como o Municipal, deve escolher melhor o redator de suas legendas.''
Sonia Sant'Anna, Rio de Janeiro.