''A imprensa (televisão e rádio também, mas prefiro não usar o pretensioso termo mídia, metropolitano, de nenhuma tradição em nossos costumes) se esforça para apresentar a governadora como ensandecida diante da suntuosidade do Palácio Laranjeiras. Mais respeito. Benedita da Silva pode ainda não ter revelado real vocação de estadista, mas não é, em absoluto, a neófita deslumbrada que essa abordagem preconceituosa procura mostrar.''
Filomena Dias, Rio de Janeiro.
Economistas
''O leitor Dirceu de Alencar Velloso (Cartas ao Editor, 25/4) fez críticas pertinentes ao caráter cruel e desumano da atitude do FMI em relação à Argentina. Critica, contudo, os economistas que, segundo ele, criam problemas que depois não sabem resolver. Não se deve generalizar. Certamente, estivéssemos, Brasil e Argentina, por exemplo, sob as orientações das políticas econômicas propostas e defendidas por economistas como Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares, Carlos Lessa e Reinaldo Gonçalves, para citar apenas alguns, e não estaríamos sob o convívio da recessão que arrasa empresas e empregos, da informalidade que arrasta milhões de trabalhadores para fora dos direitos trabalhistas e do desmonte das economias nacionais. A situação econômica que hoje vivemos é fruto de opções políticas tomadas pelos governantes dessas nações, que foram e são executadas pelos economistas alinhados com esse tipo de opção.'' João Manoel Gonçalves Barbosa, vice-presidente do Conselho Regional de Economia, Rio de Janeiro.
Políticos
''Os políticos que estão reclamando das recentes decisões dos outros poderes sobre as eleições, alegando interferência em assuntos de competência do Legislativo, deveriam ficar calados, pois quando tiveram a oportunidade, há dois anos, de fazer a reforma política, nada fizeram. Se não fizeram seu dever de casa, não podem reclamar por outros o terem feito. Deveriam se envergonhar.''
Panayotis Poulis, Rio de Janeiro.
Democracia
''Alguma coisa a democracia tem de errado. O mundo tem visto que a democracia vai e volta, alternando-se com governos ditatoriais. Agora, com a extrema-direita correndo o risco de se eleger na França, as manifestações contrárias, paradoxalmente, vindas dos ditos democráticos, não aceitam o resultado das urnas que eles tanto aplaudem. O pior é que o resto da Europa também não gostou. O voto já não merece tanto respeito. A democracia não se sustenta e é frágil no mundo inteiro. Há que se pensar numa forma mais inteligente e mais séria de escolher os governantes, mantendo-se os direitos individuais e as liberdades.''
Luiz Breyner, Ouro Preto (MG).
Blitz
''José Rainha, um dos líderes do MST, é detido, armado, numa blitz em estrada. Se porta arma sem permissão legal, terá de responder pela infração. Mas uma blitz policial na região do Pontal do Paranapanema - onde a tensão é social, não de delinqüência comum - soa como provocação. Sente-se falta de blitz na área metropolitana de São Paulo, no chamado Grande ABC e em Campinas, onde a criminalidade de rua é alarmante. Aqui, de fato, há uma questão policial. No Pontal do Paranapanema a questão é política, de grande política.''
Adelmar Gitirana, São Paulo.
Latas
''O primeiro lugar do Brasil em relação à porcentagem de latas de alumínio recicladas (85%), longe de ser positivo, é preocupante. Não obstante o fato de ser a reciclagem imprescindível à saúde do planeta, a liderança não se deu por educação ecológica esmerada, mas pela miséria nos centros urbanos. A sanha arrecadatória do governo e a política recessiva do senhor Malan jogam na informalidade milhares de brasileiros; alguns podem se dar ao luxo de virar taxistas ou camelôs. A maioria acaba virando catador de latinhas pelas lixeiras da cidade ou nos lixões da periferia. A lata de alumínio descartável virou gênero de primeira necessidade apesar de seu preço ínfimo (um centavo).''
Ricardo M. Haddad, Rio de Janeiro.
Planejamento familiar
''A CNBB culpa o governo pela fome. Pode até ser verdade, mas a própria Igreja Católica tem parcela de culpa ao ser contra o planejamento familiar, a única forma de mudar o Brasil. Se o mercado de trabalho já é difícil para quem tem condição de cursar universidade, mais o será para o enorme contingente de jovens pobres e despreparados. Enquanto as famílias mais pobres continuarem a ter muitos filhos, muitas vezes nascidos de mães adolescentes e pais que não os assumem, a tendência é ao aumento da favelização, da miséria e, conseqüentemente, da violência. Os Estados Unidos são o único país que convive bem com a superpopulação, porque possuem muito dinheiro para ser aplicado em programas sociais.''
Gustavo Ribas, Rio de Janeiro.
Cota
''Filho de família com raízes em região onde houve grande miscigenação, no agreste pernambucano, gostaria de saber até que tonalidade de pele serão meus filhos considerados para serem aceitos na cota de 20 % de negros, ao prestarem concursos públicos ou vestibulares. A cor de seus olhos e o tipo de cabelo também serão levados em consideração ou a padronização será mediante teste de DNA? Não sei se o fato de ter casado com moça de pele clara e olhos azuis poderá vir a prejudicar meus filhos e netos, agora que as vagas nos concursos não serão mais preenchidas só pela competência.''
César Augusto Nicodemus de Souza, Curitiba.
Timor Leste
''Admirável o artigo de Alberto Dines, publicado em 20/4, saudando a eleição do primeiro presidente da nascente República do Timor Leste. Vê-se, ainda, que o jornalista, ao analisar desapaixonadamente o conturbado Oriente Médio, usa ''o resgate de Timor'' para desancar os que ainda não ''suplantaram o ódio'' naquela área em conflito. Mas o articulista ao dizer que ''Timor está aí, livre, independente, filho legítimo da vontade internacional e do repúdio à violência'', deveria excluir o Brasil como partícipe dessa ''vontade internacional'', pois o governo brasileiro em nenhum momento manifestou repúdio oficial ao genocídio praticado pela Indonésia, invasora daquela ilhota.''
Walter Gonçalves, Rio de Janeiro.
Farme
''A Rua Farme de Amoedo abriga muitos bares e restaurantes, além de um hotel de qualidade. Agora anunciam uma loja de moda de alto luxo. Diariamente circula por lá grande número de turistas e cariocas. Mas o estado da rua e de suas calçadas é lastimável. E o pior: ela fede. Os caminhões que de madrugada recolhem os restos de comida dos restaurantes derramam um líquido que deixa um cheiro horrível. E a rua nunca é lavada. Aliás, porque se lava tão pouco a rua no Rio? A prefeitura e a Comlurb deveriam cuidar melhor da Rua Farme de Amoedo (e de toda Ipanema). E os cidadãos precisam fazer a sua parte, sujando menos as ruas.''
Leonardo Laginestra, Rio de Janeiro.