''O PFL, como diria Danuza Leão, ''não falha'' - e fez o que se esperava que fizesse: ajudou o governo a aprovar no Congresso o novo presente às distribuidoras de energia elétrica, a chamada taxa do apagão, uma bolada de quase R$ 8 bilhões. Os arreganhos de independência não podem prosperar num partido cuja vocação é a copa governista, dos militares (quando se chamava Arena) a Collor e Fernando Henrique. E assim será na próxima presidência, mesmo - podem crer! - que esta venha a cair nas mãos de Lula.''
Cláudio Costa, Rio de Janeiro
''A transformação de intimação em convite, sem data marcada, para a ex-governadora Roseana Sarney prestar depoimento, conseguida com interferência do governo, fez com que o PFL mudasse sua postura e o tom do discurso. Já votou, juntamente com os demais partidos da base, a favor da MP que aumenta as tarifas de energia elétrica, mas já deixou a ameaça no ar: se mexerem com a candidata de novo, volta a obstruir a pauta. E com isso, o que temos? Um país refém de um partido político. Como já viu que, sem o apoio dele, o governo não aprova mais nada, está com a faca e o queijo na mão. A interferência do governo na questão da ex-governadora não é arbitrária? Está tudo caminhando para acabar em pizza.''
Panayotis Poulis, Rio de Janeiro.
''Dora Kramer, no artigo Dois graves erros de pessoa, em 10/4, disseca com clareza a condenável interferência do presidente da República em assunto de exclusiva competência do Poder Judiciário. A utilização de barganha para obtenção do apoio do desacreditado PFL enodoa a biografia do atual chefe do Poder Executivo.''
Romualdo Cola, Rio de Janeiro.
Energia
''O Brasil é o único país do mundo em que a sociedade é obrigada a pagar o prejuízo da empresa privada. A medida provisória para cobrir o déficit das distribuidoras do setor elétrico durante o racionamento é inconstitucional. Se todos são iguais perante a lei, por que só as companhias do setor elétrico podem se beneficiar? Na Revolução dos Bichos, G. Orwell coloca, na boca do porco, a máxima: ''Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros''. Será verdade?''
Hariberto de Miranda Jordão Filho, Rio de Janeiro.
''Apresentei à Cerj justificativa para elevação do consumo de energia em minha residência em virtude do nascimento de meu filho, e nunca recebi qualquer resposta, apesar de haver norma determinando o seu encaminhamento em 21 dias. Com reiteradas cobranças de sobretaxa, tive de me deslocar até uma das lojas da Cerj, que verificou a existência de valor a ser devolvido em virtude da cobrança indevida de sobretaxa em um dos meses - o que não teria ocorrido caso tivessem analisado a minha justificativa. Contudo, com relação à cobrança da ''taxa do apagão'' há súbita ''competência'' e agilidade, que faz com que rapidamente os bolsos dos contribuintes sejam atingidos. Tudo isso para evitar que as ''pobres'' distribuidoras de energia fiquem no prejuízo, o que seria inadmissível.''
Letícia de Oliveira, Niterói.
Hegemonia
''Há outra ''globalização'' em curso, de lamentável jurisdição interna: São Paulo faz com o Rio o que o Brasil padece internacionalmente. Agora mesmo, SP compra a tradicionalíssima (mais de 150 anos de história) Bolsa de Valores da Praça 15 e, antes, da Rua do Sabão. Noutro plano, as emissoras de TV e rádio de um poderoso grupo carioca de informação e entretenimento já transmitem a maior parte de sua programação diretamente da Paulicéia, com o inconfundível sabor cultural de São Paulo da Mooca e da Barra Funda.''
José Carlos Mendes, Rio de Janeiro.
Israel
''As crônicas de Alberto Dines, aos sábados, no JB, sobre o conflito no Oriente Medio, estão cada vez mais esclarecedoras das múltiplas questões éticas e políticas que a guerra entre palestinos e israelenses envolve. A mais recente, A voz da diáspora, de 6/4, alerta para a necessidade de que se distingam as condições de ser judeu, ou israelita, e israelense. Judeu é quem segue a religião judaica ou pertence a família que professa a chamada Lei de Moisés. Israelense é o cidadão nacional do Estado de Israel, conceito que independe de religião, ainda que a maioria da população de Israel seja de religião judaica. O complicador da questão é que os judeus de todo o mundo - oriundos da diáspora - têm uma natural identificação histórica com o Estado de Israel, para cuja criação tiveram papel decisivo. O que não significa necessariamente que apóiem a política ensandecida e fratricida posta em prática contra os palestinos por Ariel Sharon.''
Jom Tob Azulay, Rio de Janeiro.
Pedro II
''Li a reportagem Pedro II afogado em dívidas, de 5/4, sobre a dívida do Colégio Pedro II para com a Light e a Telemar. Cortar luz e telefone de um colégio público? Deixar sem luz milhares de professores e alunos? Fiquei muito assustada com essa possibilidade. Tenho uma sugestão: o presidente da República poderia autorizar o pagamento urgente dessa dívida, via Ministério da Educação, à semelhança da ajuda prestada aos bancos nacionais e a algumas empresas nestes oito anos de mandato.''
Glória Maria R. de Sá, Rio de Janeiro.
São Januário
''A incidência de desastres no Estádio de São Januário quando joga o Vasco, dono da casa, é alarmante. Desaba o alambrado (com vítimas), cartolas descontrolados invadem o campo e os juízes sucumbem à fatalidade de atuações calamitosas, coincidentemente sempre a favor do time local. Quarta-feira à noite, a TV escancarou uma seqüência inacreditável de erros da arbitragem, vinda de Brasília (será maldição?), muito bem sintetizada no título da primeira página do JB: ''Vasco vence com ajuda de juiz trapalhão''.
Adauto Magalhães, Niterói.
Orquestras
''Fiquei feliz ao ver a reportagem Orquestras dão o tom do fim de semana carioca, de Ana Cecília Martins, no Caderno B de 6/4, sobre o início da temporada da OPPM e da OSB. E, ainda, com a crítica dos concertos, de Carlos Magno Almeida, publicada no dia 8/4. Primeiramente, porque vemos que nossas orquestras vão bem. Segundo, porque um jornal como o JB não pode ignorar a vida cultural carioca.''
Carolina Dias Oliveira, Rio de Janeiro.
Previ
''Na matéria Corrupção na Previ resulta em dossiê, de 5/4, há uma falha de informação, ao se dizer que ''o governo quer intervir na entidade, na qual só metade dos diretores é indicada. Os demais são eleitos por sindicatos ligados ao PT.''
Esses diretores podem até ser todos ligados aos sindicatos dos bancários, mas são eleitos pelo corpo de funcionários do Banco do Brasil e aposentados. Como no próprio corpo da matéria é dito, o Sr. Tarquinio estaria sendo afastado da presidência do fundo por não conseguir cumprir algo de interesse do Ministério da Fazenda. Provavelmente não será o último, assim como não é o primeiro. Em oportunidades anteriores outros ocupantes do cargo certamente foram afastados por também se recusarem a concretizar ações boas para o governo, mas danosas para a entidade. Não é de hoje a sede governamental nas posses da Previ.''
Oswaldo José Sá Corrêa Alves, Rio de Janeiro.
Pedágio
''O Consórcio Ponte S/A aumentou o preço do pedágio para fazer acostamentos na Ponte Rio-Niterói. Nós, usuários da via, não vimos nada até agora.''
Fabio Ribeiro de Aguiar, Niterói.
Comporta
''A comporta do Piraquê voltou a ficar fechada. Essa situação anos atrás era motivo de grandes inundações no Jardim Botânico. Sempre havia uma desculpa para que ela não tivesse sido aberta. Agora estão bloqueando a outra saída dos rios, com a comporta do canal da Avenida Visconde de Albuquerque.''
Flávio Coutinho, Rio de Janeiro.
Barcas
''Gostaríamos de esclarecer que, diferente do publicado na reportagem Sujeira emperra travessia da Baía, de 11/4, as embarcações da Barcas S/A nunca ficaram à deriva nestes quatro anos de privatização, mesmo com o acúmulo de lixo flutuante da Baía de Guanabara. O valor das tarifas divulgado na mesma matéria também não correspondem à realidade. Atualmente, o bilhete de barcas da linha Rio-Niterói custa R$ 1,30 e o de catamarã, R$ 3. Informamos ainda que o catamarã que está no estaleiro, e retornará ao tráfego no dia 15/4, é o Express Brasil.''
Leonardo Leal, assessor de Comunicação da Barcas S/A, Rio de Janeiro.