"No seqüestro de um publicitário famoso em São Paulo, chama a atenção, de forma preocupante, o fracasso de duas medidas preventivas: a blindagem, pela qual havia passado o carro da vítima, e a blitz policial, clonada com êxito pelos criminosos. Que meios de defesa restam à sociedade?"
Carlos Silva Lopes, Rio de Janeiro.
Marinha
"A propósito do editorial Mar sem Lei, publicado dia 8/12, esclareço o seguinte. O lamentável incidente ocorrido com o senhor Peter Blake foi um caso de roubo por um grupo armado, e não ação de "piratas". De acordo com a Constituição, cabe à Polícia Federal exercer as funções de polícia marítima. No tocante às atribuições das autoridades marítimas, cabe às Capitanias dos Portos tão somente promover atividades de cunho administrativo, de execução das disposições legais, com o propósito de assegurar a segurança da navegação, no mar aberto e em hidrovias interiores, e a prevenção da poluição ambiental por parte de embarcações, plataformas ou suas instalações e apoio, sem qualquer caráter de atividade de polícia. É leviana a afirmação de irresponsabilidade e omissão da Marinha por não se utilizar de um poder de polícia que não possui."
Antonio Carlos Fonteles Juaçaba, capitão-de-mar-e-guerra, diretor do Serviço de Relações Públicas da Marinha, Brasília.
Resultados
"É justo fechar 12 cursos superiores em função do verificado no Provão. É justo abrir sindicância para saber por que um analfabeto passa em nono lugar no vestibular, o modelo alfabetizador não sabe alfabetizar, escolas preparam alunos cujos resultados no Enem vão de mal a pior, o ensino público aponta na direção do fracasso e da evasão. É justo abrir sindicância para saber por que um modelo tão bom produz resultados tão ruins."
Ergógiro Dantas, Rio de Janeiro.
Concursos
"Os concursos se tornaram negócios rentáveis. O do Corpo de Bombeiros, realizado dia 4/12, no Maracanã (cheio, por sinal), foi uma vergonha em termos de organização. Já fora anulado, na primeira vez, e no dia 4 começou com uma hora de atraso. Era plena terça-feira, embora o edital tivesse deixado claro que o concurso só poderia realizar-se sábado, domingo ou feriado. Cada candidato pagou R$ 80. Como se não bastasse, somos obrigados agora a pagar mais R$ 25 para correção de erros grosseiros - ou intencionais? -, a exemplo do constatado na questão 57 da prova de Fisioterapia."
Roberto Simões Castilho, Rio de Janeiro.
Guerra
"Mais tarde, ouvir falar da guerra contra o Afeganistão soará estranho. O noticiário diário se parece com o de um desfile de modas sobre armas cada vez mais sofisticadas. A população do país atacado, pobre e faminta, é algo virtual para nós do outro lado do mundo. O interesse das grandes potências é esse mesmo; conhecer a situação real pode gerar compaixão e isso é inadmissível. Depois desta, outras guerras virão, pois novos inimigos serão eleitos para justificá-las."
José Antonio Marques Carrer, Rio de Janeiro.
CLT
"Em vez de flexibilizar a CLT, o governo deveria reduzir as alíquotas da carga tributária, principalmente a da Previdência Social. A CLT, pouca gente sabe, foi idealizada por dois empresários, Roberto Cochrane Simonsen e Lindolfo Collor, durante a Era Vargas. O objetivo era garantir os direitos dos trabalhadores."
Fernando L. B. Basto, Petrópolis (RJ).
Vestibular
"Estou prestando vestibular para história, na Uerj, e publicidade, na ESPM. As duas faculdades marcaram as provas para o mesmo dia e, praticamente, no mesmo horário. Queria cursar as duas, mas obviamente terei de escolher qual delas abandonar, abandonando meus planos."
Fabiana Cunha, Rio de Janeiro.
Vaia
"A torcida do Flamengo, após lotar quarta-feira o Maracanã para o jogo contra o San Lorenzo argentino, deu uma demonstração de maturidade e amor ao clube ao vaiar intensamente o jogador Edilson, que, ao cometer uma agressão absurda a um adversário, causou sua própria expulsão. Edilson prejudicou os companheiros, que, revoltados, condenaram sua atitude. Titular do Flamengo e da Seleção Brasileira, o jogador talvez tenha dado um soco no destino e jogado sua carreira fora."
Pedro do Coutto, Rio de Janeiro.
Ecossistema
"Em atenção à carta da Sra. Maria Celeste Araujo Ulrich, publicada em 8/12, esclarecemos: as jaqueiras, com seu crescimento vigoroso e germinação intensa, vêm eliminando por competição as espécies nativas, prejudicando não só a própria mata atlântica aqui existente como muitas espécies de animais que não se alimentam de jaca. É importante lembrar que a razão de ser de um parque nacional, como o da Tijuca, é a de preservar o ecossistema original. Um dos objetivos do trabalho de eliminação das jaqueiras é evitar, através de técnicas de manejo, a superpopulação da citada espécie, o que causaria imenso desequilíbrio do ecossistema do parque."
Luiz Fernando da Silva e Henrique Guerreiro,, engenheiros florestais do Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro.