E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Coisas da Política
Uma reforma abre-alas

Villas-Bôas Corrêa
O sumiço da pistola de Fidel

Informe JB
Dilema de Salomão

Cartas
Eleições

Horóscopo

Supersônicas
Dibob dá as caras

Gente
Música + badalação

Charge Online

Marcia Peltier
Reza solitária

Leonardo Boff
Competição ou cooperação?

Nas Páginas da História
9 de julho no JB

Informe Econômico
Herança maldita

Boechat
Retrato global 1

Gilberto Amaral
Xerife do mercado

Maria Lucia Dahl
Ainda vamos pedir 'um chopes e dois pastel'

Fernadão
Bernardinho monta o time

Hildegard Angel
Sábado casamenteiro

Anna Ramalho
Talento precoce

De bandeja
Comendo com os olhos

 


Competição ou cooperação?


Há um fato que faz pensar: a crescente violência em todos os âmbitos do mundo e da sociedade. Mas há um que é perturbador: a exaltação aberta da violência, não poupando sequer o universo do entretenimento infantil. Chegamos a um ponto culminante com a construção do princípio da autodestruição. Por que chegamos a isso? Seguramente são múltiplas as causalidades estruturais e não podemos ser simplistas nesse campo. Mas há uma estrutura, erigida em princípio, que explica em grande parte a atmosfera geral de violência: a competitividade ou a concorrência sem limites.

Ela vigora primariamente no campo da economia capitalista de mercado. Comparece como o motor secreto de todo o sistema de produção e consumo. Quem for mais apto (forte) na concorrência quanto aos preços, às facilidades de pagamento, à variedade e à qualidade, esse vence. A competitividade opera implacável darwinismo social: seleciona os mais fortes. Estes, diz-se, merecem sobreviver, pois dinamizam a economia. Os mais fracos são peso morto, por isso são incorporados ou eliminados. Essa é a lógica feroz.

A competitividade invadiu praticamente todos os espaços: as nações, as regiões, as escolas, os esportes, as igrejas e as famílias. Para ser eficaz, a competitividade deve ser agressiva. Quem consegue atrair mais e dar mais vantagens? Não é de admirar que tudo passe a ser oportunidade de ganho e se transforme em mercadoria, do eletrodoméstico à religião. Os espaços pessoais e sociais que têm valor mas que não têm preço, como a gratuidade, a cooperação, a amizade, o amor, a compaixão e a devoção, ficam cada vez mais acantonados. Mas esses são os lugares onde respiramos humanamente, longe do jogo dos interesses. Seu enfraquecimento nos faz anêmicos e nos desumaniza.

Na medida em que prevalece sobre outros valores, a competitividade provoca mais e mais tensões, conflitos e violências. Ninguém aceita perder nem ser engolido pelo outro. Luta defendendo-se e atacando. Ocorre que após a derrocada do socialismo real, com a homogeneização do espaço econômico de cunho capitalista, acompanhada pela cultura política neoliberal, privatista e individualista, os dinamismos da concorrência foram levados ao extremo. Em consequência, os conflitos recrudesceram e a vontade de fazer guerra não foi refreada. A potência hegemônica, os Estados Unidos, é campeã em competitividade, usando todos os meios, inclusive armas, para sempre triunfar sobre os outros.

Como romper essa lógica férrea? Resgatando e dando centralidade àquilo que outrora nos fez dar o salto da animalidade à humanidade. O que nos fez deixar para trás a animalidade foi o princípio de cooperação e de cuidado. Nossos ancestrais antropóides saíam em busca de alimento. Ao invés de cada qual comer sozinho como os animais, traziam ao grupo e repartiam solidariamente entre si. Daí nasceram a cooperação, a socialidade e a linguagem. Por esse gesto inauguramos a espécie humana. Face aos mais fracos, ao invés de entregá-los à seleção natural, inventamos o cuidado e a compaixão, para mantê-los vivos entre nós.

Hoje como outrora são os valores ligados à cooperação, ao cuidado e à compaixão que limitarão a voracidade da concorrência, desarmarão os mecanismos do ódio e darão rosto humano e civilizado à fase planetária da humanidade. Importa começar já agora, para que não seja tarde demais.


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[09/JUL/2004]


   Home > Colunas > Leonardo Boff

Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem | Carro & Moto
Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas