JB Online - Copa do Mundo 2002

















Os números da Seleção

As atenções a partir de hoje estarão voltadas para um único e indivisível fato. O Brasil inteiro permanece de antenas ligadas para saber se Luiz Felipe Scolari vai chamar Romário para a Copa de 2002. Ausente da lista, o jogador do Vasco estará também fora do Mundial, em que pese o gigantesco e desagradável lobby que se fez para levá-lo ao torneio.

Especular sobre os convocados, a esta altura, é bobagem. O que parece mais interessante é mostrar quais os jogadores que tiveram a preferência do treinador, desde que ele assumiu o cargo, em junho do ano passado.

Scolari fez 11 convocações. Disputou 16 partidas. Ganhou 10, empatou uma e perdeu cinco. Marcou 34 gols e levou 12. Chamou 54 nomes diferentes. Não há um único jogador que tenha estado em todas as 11 listas elaboradas pelo técnico. O lateral Beletti é o recordista, com 10 convocações. Seguem-no: Marcos, Cris, Juan e Juninho Paulista (9 vezes cada) e Dida, Lúcio e Edílson (8). Antônio Carlos, Emerson Carvalho, Luizão (o zagueiro do Cruzeiro), Fernando Menegazzo, Esquerdinha, Guilherme e... Romário só foram contemplados em uma única ocasião. Mas Luizão e Guilherme tiveram mais oportunidades do que seus companheiros de infortúnio, dado que estiveram na Copa América, na qual a Seleção jogou pelo menos quatro vezes.

Outros nomes que você nem lembrava mais, a exemplo de alguns aí de cima, que desapareceram do mapa: Alessandro (Atlético-PR), Eduardo Costa, (Bordeaux), Ewerthon (Borussia Dortmund), Geovanni (Barcelona), Mauro Silva (Deportivo La Coruña), Leonardo - ele mesmo, o do tetra - e Tinga (Grêmio). Por alguns, Scolari apaixonou-se perdidamente, relegando-os em seguida à mais sórdida das sarjetas.

De todos os 54 que estiveram sob o comando de Scolari, apenas três não tiveram nenhuma oportunidade: o goleiro Júlio César, o zagueiro Emerson Carvalho e o apoiador Fernando Menegazzo. A turma que só atuou uma vez é maior. Integram-na Antônio Carlos, Daniel, Serginho (o do Milan), Mauro Silva, Esquerdinha, Zé Roberto, Luizão (o zagueiro do Cruzeiro), Roger e Romário.

Não há um único convocado que tenha atuado nas 16 partidas. Marcos é o recordista, com 14 jogos. Cris, Denílson e Juninho Paulista, 11 cada. Juan, Roque Júnior, Emerson e Edílson, 10 cada. Beletti, nove.

Pelo menos três jogadores botaram banca, posaram orgulhosos para a foto e chegaram a acreditar que já estavam na Copa: Eduardo Costa, Marcelinho Paraíba e Guilherme, que foram aproveitados respectivamente em seqüência de seis, cinco e quatro jogos. Estes, nem Scolari agüentou. Há alguns que ainda alimentam esperanças, mas que já estão meio no desespero: Paulo César (quatro convocações e três jogos), Vampeta (5 e 6), Euller (4 e 3) e o trombador Washington (3 e 3).

Outros quatro não atuaram sequer a metade dos 16 jogos, mas não esquentaram a cabeça, certos de que seus lugares estavam garantidos: Cafu, Lúcio, Roberto Carlos e Rivaldo. Anderson Polga (5 partidas), Gilberto Silva (6) e Ronaldinho Gaúcho (3) chegaram em cima da hora e ao que tudo indica se deram bem.

Dentre os muitos hábitos difíceis de aturar, Scolari criou o de não falar sobre jogadores que não convocou. Mas pelo menos quatro deles mereciam uma única chance: Hélton e Felipe (Vasco), Ricardinho (Corinthians) e Amoroso (Borussia Dortmund). Se você está curioso para saber, o artilheiro da Era Scolari é Edílson, que marcou quatro gols em 10 jogos. Para ninguém dizer que há injustiça, vale ressaltar que ele disputou apenas três partidas completas. Foi substituído ou substituiu alguém na metade do segundo tempo dos outros sete jogos. Mas o fato de entrar e sair do time também é suficiente para deixar evidente a sua mediocridade.

Os outros artilheiros de Scolari são Anderson Polga, Gilberto Silva, Luizão e Rivaldo, com três gols cada. Alex, Denílson e Kleberson têm dois cada. Beletti, Cris, Djalminha, Euller, Guilherme, Juninho Paulista, Kaká, Marcelinho Paraíba, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho e Washington fizeram um, cada. E o zagueiro argentino Ayala marcou um contra. Conferiu? São 34.

Se fosse pelo número de jogos disputados de cada um dos 54 convocados, a seleção deveria entrar em campo com Marcos (14 jogos), Cris (11), Juan (10) e Roque Júnior (10); Beletti (9), Emerson (10), Juninho Paulista (11), Denílson (11) e Roberto Carlos (8); Edílson (10) e Rivaldo (7). Mas ao que tudo indica não será este o time que vai estrear no Mundial. Ou será?

Convite

Segunda-feira, dia 6, estarei lançando Banho de Bola - Os técnicos, as táticas e as estratégias que fizeram história no futebol. Será na Livraria Timbre, no Shopping da Gávea, à Rua Marquês de São Vicente, a partir das 20h. Ajudem o colunista a comprar o seu Jaguar.



[03/MAI/2002]

JB ONLINE
> Destaques > Copa 2002 > Notícias