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Dedo na ferida
[20/JUL/2004]
Hoje promete ser um dia concorrido no XVI Congresso Internacional de Estética e Filosofia da Arte. O encontro, que se realiza pela primeira vez na América Latina, está reunindo no Rio, até sexta-feira, um importante time internacional de pensadores, críticos, artistas, professores e estudantes de arte. Além das plenárias e simpósios que acontecem no auditório da Marinha, na Urca, e na UFRJ, na Praia Vermelha, o MAM também abre suas portas para o evento. Logo mais às 17h, o prestigiado crítico inglês Edward Lucie-Smith faz palestra sobre A estética na arte contemporânea. Quinta-feira, será a vez do badalado filósofo belga Thierry de Duve falar sobre O futuro da estética após Duchamp. Polêmica no ar.
Entra ano, sai ano e o Chafariz do Mestre Valetim, na Praça XV, continua impávido sem duas de suas quatro pinhas que originalmente ornamentavam a pirâmide. Além das notáveis ausências, o mato cresce nas frestas e mendigos e lixo deitam e rolam sob a obra construída, em 1789, em um só bloco de granito e com elementos barrocos e rococós.
Quem esteve na movimentada noite de inauguração da mostra Geração 80 , no CCBB, não pôde deixar de notar. Os artistas Carlos Vergara e Milton Machado compareceram à abertura apoiados em muletas - ambos convalescendo de cirurgias. A empresária Júlia Pelegrino, produtora da exposição de Eduardo Sued, se movimentava sobre de cadeira de rodas, depois de uma queda que não lhe tirou a pose. Em compensação para alegria dos amigos, o fotógrafo Marco Rodrigues estava novinho em folha, recém-saído do estaleiro depois de um atropelamento.
Falando de Sued o artista carioca abre, hoje para o público, sua nova mostra de pinturas no CCBB. E ganha livro-catálogo com 82 páginas e textos de Ronaldo Brito, Paulo Sergio Duarte e Roberto Conduru.
Uma escultura dos artistas Auguste Rodin e Camille Caudel, estimada em US$ 991 mil, levou a polícia francesa a dar vários mergulhos no Rio Sena. A obra, uma das únicas atribuídas à dupla de mestre e discípula - e também amantes - foi roubada, e posteriormente, jogada nas águas pelos ladrões. Após, a confissão dos criminosos, agentes da brigada fluvial tiveram de procurar pelos pedaços da pequena peça, que mede cerca de 15 centímetros. Depois de dias de busca, a obra foi completamente recuperada.
A pintura Apollo, o tocador de alaúde, arrematada em um leilão da Sotheby's, em 2001, por US$ 110 mil, pode estar valendo milhões. O marchand Clovis Whitfield, especialista em arte italiana do século 17, após examinar a tela com raio X, garante que a obra é realmente um trabalho do mestre barroco, Michelangelo Merisi, ou seja Caravaggio. O quadro, porém, foi catalogado na época de sua venda como sendo, possivelmente, de autoria do também italiano do século 17, Carlo Magnone. A casa leiloeira não reconhece a versão dissidente.
Ainda dentro do projeto para difundir e incentivar o colecionismo, o MAM inaugura, dia 27, a mostra Arte Contemporânea Brasileira nas Coleções do Rio. As 104 obras, de 64 artistas, foram cedidas por 13 importantes colecionadores da cidade.
Em agosto, no mesmo MAM, Wanda Pimentel apresenta seus novos trabalhos da Série Animais , a partir do dia 10. A artista mostra, através da reciclagem expressiva de materiais, a poesia e o mistério do universo de insetos, vermes, ofídios e companhia.
Os resultados superam a expectativa dos organizadores do Prêmio CNI/Sesi Marcantonio Vilaça de Artes Plásticas. Até ontem, haviam sido contabilizadas 612 inscrições em todo o país. A premiação será dia 30 de agosto, em uma cerimônia em Recife.
O pintor Aldir Mendes de Souza quer surpreender o público, na inauguração de sua mostra Geometria Brasileira, sexta-feira, na Votre Galerie. Uma das obras apresentadas é uma pintura sobre lona de três metros que estará no chão para ser pisada.
O Museu de Arte Moderna de Miami inaugurou, na última sexta-feira, uma exposição da brasileira Jac Leirner. Na mostra Adhesive 44, a artista apresenta um novo trabalho de sua série com os adesivos. Desta vez, montou uma grande vidraça coberta com as etiquetas auto-colantes que vem colecionando há 20 anos, em suas viagens pelo mundo. A exposição pode ser vista até outubro.
O brasileiro Marepe está realizando a primeira mostra individual nos EUA, na Anton Kern Gallery, de Nova York. A exposição fica em cartaz até o dia 30. Ao mesmo tempo, ele exibe o projeto The Blue Noah's Arc., no P.S.1 Contemporary Art Center. Nascido na Bahia em 1970, o artista surgiu em cena nos anos 90. Desde então, já participou das bienais de São Paulo, Veneza e Istambul.
O Museu de Arte Contemporânea de Niterói vive um momento de crise com a saída de sua diretora Dôra Silveira. Uma das ameças que pairam sobre a instituição é a perda da Coleção Sattamini, que compõe o acervo da casa, em regime de comodato desde a inauguração do museu, em 1996. São cerca de mil obras de artistas brasileiros, que o colecionador João Sattamini vem adquirindo desde os anos 50. Hoje, pode ser considerado o segundo mais importante conjunto da produção artística nacional das últimas décadas. O dono da coleção confirma a possibilidade de mudança de endereço. Mesmo evasivo, ele não desmente os boatos de que as obras poderiam vir para um outro espaço no Rio.
Em que situação se encontra a coleção, atualmente no MAC?
A coleção está no fim de carreira em Niterói, porque há 18 meses a prefeitura da cidade não define a situação legal do comodato.
Existem outras alternativas de lugares para acolher as obras, no Rio, por exemplo?
Sim, existem.
Quais seriam elas?
Espero que o prefeito do Rio, Cesar Maia, ofereça outras alternativas para abrigar a coleção.
Comenta-se que pode ser no Armazém do Cais do Porto. É verdade?
É verdade. O Luiz Alphonsus (artista plástico e ex-diretor do Parque Lage) já está até fazendo um projeto imenso para o Armazém do Cais.
Se as obras de arte saírem do MAC, a cidade de Nitérói perde. E a sua coleção, ela ganha com a mudança?
Sinceramente não sei. Se isso acontecer, o problema deve ser colocado para o prefeito de Niterói.
Como o senhor vê a transferência da coleção para o Rio?
Gosto da idéia. Mas o projeto para o Rio está voltado, basicamente, para as esculturas.
E para onde iriam as outras obras, como as pinturas?
Isso a gente vai pensar numa segunda etapa.
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