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O diretor do MNBA, Paulo Herkenhoff, não vê como ameaça a idéia do Ministério da Cultura de regulamentar a atuação das associações de amigos de museus federais. Ele reconhece que elas são um braço fundamental no atual quadro museológico brasileiro, ainda que uma ou outra possa não ter agido nos conformes. Na sua opinião, o MinC quer conhecer o processo de funcionamento das instituições para saber que ajustes devem ser feitos. Não se entende, por exemplo, por que os aluguéis de espaços em alguns museus vão direto para o caixa geral do Iphan e em outros, para as associações de amigos. Está feita a pergunta.

Programão

E sobre o MNBA, novas montagens do acervo de arte estrangeira podem ser vistas até 30 de agosto. Entre elas, na sala do barroco italiano, foi aberta ao público uma mostra de pinturas do século 16 ao 18 pertencentes à mais antiga coleção do museu.

Promessa

Em visita, quarta-feira, à Chácara do Céu, em Santa Teresa, o diretor do Departamento de Museus e Centros Culturais do Iphan, José do Nascimento Júnior, prometeu tratar como prioridade o projeto da construção de um anexo. Esse é um desejo antigo da diretora Vera de Alencar. Com novas instalações para a reserva técnica e a administração, a área de exposições será, enfim, ampliada.

Crise

Com o mercado em baixa, o primeiro pregão do ano de Ernani Leiloeiro, hoje e amanhã, coloca à venda um importante quadro de Silvio Pinto, pintado em Paris na década de 50. Leva a obra quem fizer a melhor oferta, a partir de R$ 10 mil. O preço de mercado está avaliado entre R$ 30 mil e R$ 40 mil.

O retorno

Depois de expor a meganuvem de isopor suspensa por uma estrutura de ferro na Capela do Morumbi, Sergio Niculitcheff retoma a pintura. Apresenta, a partir do dia 6 de abril, na Galeria Brito Cimino, em São Paulo, uma série de telas recentes e inéditas em grandes formatos.

Ceiça Cirilo

Luiz Ernesto: pausa para respirar de costas para o muro

Murmúrios

Em seu ateliê do Humaitá, o artista plástico e professor do Parque Lage, Luiz Ernesto, só tira a máscara para respirar ar puro. Ele está preparando uma nova série de trabalhos, utilizando novamente as mantas de fibra de vidro, resina de poliéster, fotografia e palavras. Desta vez, deixa o tema da água, ao qual dedicou sua última individual há dois anos. Está inteiramente voltado para os tijolos que são fotografados, coloridos e ampliados no computador. Com essas imagens constrói seus muros, os que se erguem do lado de fora e os do lado de dentro. As obras serão apresentadas em exposição que ele inaugura em outubro, na Silvia Cintra Galeria de Arte, em Ipanema.

Desatada

Continua em alta o prestígio de Ana Maria Maiolino no circuito internacional. Em maio, ela participa da coletiva Unbound, que vai inaugurar o mais novo espaço de artes londrino, a Parasol Unit. Até lá, trabalhos da artista podem ser vistos na grande mostra latino-americana do Museu Del Barrio, em Nova York. Depois de Londres, ela expõe em Ravenna, na Itália, na Galleria Ninapí Arte Contemporânea, onde fará uma instalação especialmente criada para aquele espaço. De volta ao Rio, em setembro, vai inaugurar uma individual na Mercedes Viegas.

Entre-guerras

Uma coleção de 220 obras de Marcel Duchamp, André Breton, Man Ray, Jean Arp, Max Ernst, Picabia e Yves Tanguy, entre outros dadaístas e surrealistas, é a grande atração da temporada na Argentina. Ela está sendo exibida numa grande mostra intitulada Sonhando de olhos abertos e inclui algumas obras emblemáticas de Duchamp, como o mictório e a roda de bicicleta. A exposição pode ser visitada até o dia 17 de maio, no Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires. As peças foram uma doação do colecionador italiano de origem judia, Albert Schwarz, ao Museu de Jerusalém.

London, London

Baiano de Salvador, filho de Ossanha e admirador da beleza de Oxum, o artista Tatti Moreno, 58 anos, ficou conhecido principalmente por seus orixás. Ao longo de sua trajetória, ele já criou tantas representações das divindades africanas (como o grupo que flutua no Dique do Tororó, na capital baiana, e a grande imagem de Ossanha, no Jardim Botânico do Rio) que já perdeu a conta do número delas. Uma centena de orixás está espalhada pelo mundo, levada por presidentes que receberam as esculturas como presente do governo da Bahia. Ao comemorar três décadas de carreira, ele trocou uma retrospectiva no MAM-BA por uma viagem de seus orixás das águas pelos lagos e lagoas de seis capitais brasileiras. A série de intervenções - a maior do gênero já realizada no Brasil - começou no Lago do Ibirapuera em São Paulo, passou pela Lagoa Rodrigo de Freitas (em 2002), pelo Lago da Vaca Brava, em Goiânia, e agora está retornando à terra do artista. Mas o conjunto de oito peças em resina poliéster, medindo 7 metros e pesando uma tonelada cada uma, em breve estará de volta à estrada que o levará a Recife, Maranhão e Belo Horizonte. Em junho, Tatti inaugura uma exposição no Espaço Correios (Salvador), com um grupo de 12 trabalhos menores em latão e fibra. Ao mesmo tempo, ele prepara duas esculturas monumentais para espaços públicos em Lisboa e Figueira da Foz, em Portugal.

Qual a importância dos orixás em sua arte?

Há 20 anos venho desenvolvendo esta pesquisa. Além dos orixás estarem presentes na minha marca como artista - como foi para Mestre Didi, Carybé ou Rubem Valetim - sinto que é muito grande a força deles em minha vida. Já trabalhei com as figuras em diferentes materiais, como madeira, aço, cobre, sucata. Hoje trabalho com latão e resina poliéster. Agora estou fazendo uma Iemanjá de 7 metros para ficar na ala nova do porto de Lisboa e ainda uma baiana de 10 metros para a cidade de Figueira da Foz, também em Portugal.

E os museus, se interessam por seu trabalho?

Tenho peças no MAM da Bahia, mas agora não me lembro de outras. Não me preocupo muito com museus. Já passei até uma fase - em minha juventude, quando comecei meu trabalho - que fui contra bienais. Em vez de dar prêmios, as bienais e salões deviam era dar livros para os artistas. Já participei de salões, mas quando era jovem e estava no tempo de disputar bienais, eu não quis fazer isso.

O que o senhor pensa da arte contemporânea?

Acho sua leitura válida, mas as instalações, às vezes, são coisas às quais não dou grande valor, porque não me dizem nada. Meu filho, Gustavo Moreno, é um pesquisador, expõe instalações. Ele acabou de colocar um anão dentro de um cubo de vidro, onde as pessoas depositam seus pedidos. A obra levantou polêmica, pois é uma coisa que choca. Mas esta não é a minha linguagem. A mostra 'Yanomami - O Espírito da Floresta', da Fundação Cartier de Paris, chega ao CCBB-Rio dia 19 de abrilJohn Nicholson inaugura, dia 10 de maio, mostra de dípticos na galeria Candido Mendes, em Ipanema

  • O Sesc-Petrópolis apresenta, a partir de quarta-feira, a instalação Mesa, com fotografias de Renato Velasco.

  • Exposição do grupo Meio ocupa os dois andares superiores e corredores, além das escadas e varandas do Castelinho do Flamengo até do 18 de abril.

  • Antonio Claudio Carvalho apresenta pinturas da série Things to take to mars até 24 de abril, na galeria Comme Ca NYC, nos EUA.

  • O Espaço Cultural Crea-RJ apresenta a mostra de pinturas Ode ao progresso, Bedotti, até 23 de abril.

  • Sonnia Guerra apresenta um conjunto de 22 pintura inéditas na Pequena Galeria do Candido Mendes, Centro, até o dia 29 de abril


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    [30/MAR/2004]


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