Com 34 anos de trajetória e carreira internacional, Rubem Grilo, um dos expoentes da gravura brasileira, jamais expôs em uma galeria comercial na cidade. O artista, que tem 15 individuais em instituições nacionais e estrangeiras, participações em 25 coletivas, incluindo duas bienais de São Paulo, e pelo menos sete prêmios, quebra o jejum, dia 25: inaugura mostra na Anita Schwartz, no Rio Design Leblon. Ele vai apresentar grandes gravuras surrealistas - uma constante em seu trabalho - além de uma edição especial de gravuras em miniaturas dentro de estojos de madeira.
Santo na praça
Existe no mercado do Rio um apóstolo São Paulo, atribuído ao Mestre Valetim, que pode mudar de mãos a qualquer momento. A peça em cedro e sem policromia tem 70 centímetros de altura. Foi arrematada no leilão da Igreja Santa Cruz dos Militares, após o incêndio de 1923, pelo estudioso do barroco José Marianno Filho. Segundo documento do Iphan, a imagem não foi tombada. Ela apresenta o mesmo aspecto das obras que se encontram no Museu Histórico e tem laudo da historiadora Anna Maria Monteiro de Carvalho. A atual proprietária avisa que não está interessada em colecionadores milionários. Prefere vender a raridade a uma grande empresa disposta a doar a escultura a um museu da cidade. Preço estimado: US$ 100 mil.
Do povo da floresta
A pintura dos ticunas, habitantes do Alto Solimões no Amazonas, vai ser apresentada pela primeira vez aos cariocas. Dia 12 de abril, o CCBB-Rio inaugura a mais completa exposição já dedicada a eles. Ticunas - Pinturas da floresta reúne 40 pranchas de 12 artistas índigenas que integraram a Mostra do Rredescobrimento, no Ibirapuera, em São Paulo, e estiveram também na Galeria Cândido Portinari, em Roma. As obras foram produzidas dentro do programa de artes plásticas do projeto de educação implantado pela antropóloga e professora de arte Jussara Gruber.
Em nome da memória
A construção do Museu Iberê Camargo, em Porto Alegre, ganhou um apoio de R$ 3 milhões da Rio Grande Energia. Com projeto do renomado arquiteto português Álvaro Siza, sua inauguração está prevista para o ano que vem. Enquanto isso, a Fundação do artista dá prosseguimento ao Programa Escola, xodó da viúva do pintor, Maria Coussirat Camargo. Abre, quinta-feira, uma nova exposição do acervo intitulada Pintura pura.
Turismo pictórico
A grande retrospectiva de El Greco, organizada pelo Metropolitan no fim do ano passado, não representou apenas um sucesso artístico; mas também um bom negócio. Pesquisa realizada pelo próprio museu norte-americano indicou que a mostra engordou em US$ 345 milhões a economia de Nova York. De acordo com o estudo, esse foi o gasto total dos 574 mil turistas, dos EUA e de outros países, que foram à cidade atraídos exclusivamente pelo prestígio da exposição.
Sorriso de 500 anos
Comemorando cinco séculos de existência, a mais popular obra de arte do mundo ocidental é tema de um extenso livro do historiador egípcio, residente em Londres, Donald Sassoon. Mona Lisa - A história da pintura mais famosa do mundo seria originalmente um documentário para a televisão. Entusiasmado com o volume e a riqueza das informações colhidas, o autor preferiu publicar uma obra de 364 páginas, que a Record acaba de lançar no Brasil. Nela, Sassoon investiga os motivos do fascínio que o pequeno óleo de 77 por 53 centímetros, pintado no século 16, exerce até hoje sobre o público.
Com a bênção de Deus
O mundo reza para que o Davi de Michelangelo, outro que está completando 500 anos de vida, consiga se sustentar nas pernas. A apreensão paira entre os admiradores do monumento desde que foi descoberto, durante a polêmica limpeza do mármore, que a escultura sofre de uma fragilidade nos tornozelos. A obra, sem contar a base, pesa 5,5 toneladas.
Cuspe no prato
O britânico David Hockney é do barulho. Em 2001, provocou um debate internacional com o livro Conhecimento secreto. Ele defendia a tese de que, desde o começo, alguns mestres utilizavam objetos óticos para solucionar suas obras. Agora, o alvo é outro: a fotografia. Em recente entrevista ao jornal inglês The Guardian, o artista pop declarou que a imagem digital é tão extensiva e facilmente alterável que não tardará muito a não se conseguir identificar se ela é verdadeira. E - doa a quem doer - descreveu a foto artística como uma coisa tola.
Em boa companhia
O Kunsthalle Museu de Mannheim, na Alemanha, abriga a partir de amanhã a exposição Grandes paisagens, de Arthur Omar. Convidado pelo curador Rolf Lauter, o brasileiro vai ocupar um andar inteiro com fotografias de grandes dimensões e duas instalações de vídeo. As imagens feitas no Afeganistão e na Amazônia estarão ao lado de obras do acervo da casa como Cézanne, Monet e Pissaro e de contemporâneos como Jeff Wall, Thomas Ruff, Bill Viola e Dan Flavin, entre outros. A mostra fica em cartaz durante os próximos seis meses.
Território ocupado
Durante os próximos três meses, o ateliê de Suzana Queiroga vai funcionar com carga máxima, nas Cavalariças do Parque Lage. No endereço novo, a artista executará o projeto que começou a desenvolver em 2002 para ocupar as três salas de exposição, a partir de julho. Para o primeiro espaço, ela concebeu um grande painel de pintura, medindo 45 metros quadrados. O segundo abrigará um trabalho em relevos brancos e o terceiro, uma escultura suspensa e móvel.
Perguntas para Denise Mattar
Vivendo, atualmente, mais tempo em São Paulo do que no Rio, a curadora Denise Mattar está preparando a temporada paulista da mostra A Poesia da Gambiarra, de Emmanuel Nassar, no Instituto Tomie Othake, e a inédita O Preço da Sedução, no MAM-SP. No segundo semestre, ela inaugura no CCBB-Rio, uma retrospectiva da escultora Mary Vieira, falecida em 2001. Mas, antes de voltar à cidade, Denise recebe mais dois prêmios APCA - um pela melhor retrospectiva de 2003, dedicada a Samson Flexor, e outro pelo conjunto da obra, com Frans Krajcberg, no CCBB-SP.
O que você pode adiantar sobre a esperada retrospectiva de Mary Vieira?
Ela é uma das mais importantes artistas brasileiras do período concretista de reconhecimento internacional. Todas as grandes retrospectivas sobre o movimento, na Europa, sempre salientaram o trabalho dela. Mas é pouco conhecida no Brasil, pois se mudou para a Suíça nos anos 50, integrando o grupo Allianz, de Max Bill e Richard Paul Lohse. Ela morou a maior parte de sua vida entre a Suíça e a Itália, países nos quais criou várias esculturas monumentais. Ainda estamos em fase de pesquisa para montar a exposição no Brasil. Vou à Itália e à Suíça fazer o levantamento do trabalho que a artista desenvolveu fora daqui.
Você tem passado mais tempo em São Paulo. Está difícil trabalhar no Rio?
No momento está de fato mais difícil, porque as instituições que têm condições de abrigar grandes mostras geralmente não possuem orçamento. Com muita dificuldade, os museus do Rio conseguem manter as portas abertas e abrigar exposições itinerantes já prontas ou trabalhar com as próprias coleções. Em São Paulo, hoje em dia, há mais opções de espaços culturais que podem criar seus eventos. As instituições paulistas têm tido mais apoio do empresariado da cidade.
Quais as grandes dificuldades para se realizar exposições no Brasil?
São de várias naturezas, mas a principal é sempre a falta de dinheiro. Apesar de já termos melhorado muito, ainda temos problemas com seguro e alfândega, que são extremamente burocráticos no Brasil.
E quanto aos passos desta via-sacra?
Para se ter uma exposição de qualidade, o primeiro deles é uma boa pesquisa, e os patrocinadores, de modo geral, não têm consciência da importância desta etapa. Depois vem um trabalho de detetive para a localização das obras. O passo seguinte está na categoria das relações públicas: é preciso convencer colecionadores e instituições a emprestarem as obras. Para complicar, a maior parte dos espaços culturais não tem boas condições de iluminação, embora muitos deles já sejam climatizados. A montagem propriamente dita depende muito do pessoal com quem se trabalha. No meu caso, o segredo é que preservo com unhas e dentes a minha equipe, que é em grande parte responsável pelas exposições realizadas.
De que um curador precisa para conseguir montar seus projetos?
Persistência, sedução, boas relações e um bom conhecimento dos acervos das instituições e coleções particulares. E, acima de tudo, uma grande, imensa capacidade de negociação com patrocinadores.
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