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Amores de Picasso


Reproduções

Da esquerda para a direita: A primeira de todas, Fernande Olivier, Françoise Gilot, Olga Kokhlova, Dora Maar e, a derradeira, Jacqueline Roque, cinco dos sete paixões do pintor, personagens do livro Picasso e as mulheres, que a escritora espanhola e doutora em Psicologia, Paula Izquierdo, acaba de lançar

Sobre os mestres

Dando continuidade à série de ensaios de autores famosos sobre seus mestres favoritos - Jean Genet falou de Rembrandt e Antonin Artaud, de Van Gogh - a Editora José Olympio acaba de lançar O paraíso de Cézanne, do francês Phillipe Soller. No texto, também com tradução de Ferreira Gullar, o escritor afirma que nenhum pintor o comove tanto quanto o pós-impressionista de Aix-en-Provence. ''Tento a toda hora entender esta emoção descomprometida, violenta. Parece tratar-se da emoção do próprio pensar, além de toda representação. Cézanne é um Deus. Não um Deus oculto, mas infinitamente próximo e tanto mais difícil de apreender''. E quem vai negar?

Olha elas!

A arte contemporânea brasileira continua marcando presença no circuito internacional. No momento, três meninas superpoderosas estão apresentando trabalhos em Nova York. Janina Tschape exibe seu vídeo Dream Sequence no painel luminoso da Times Square, ao lado do japonês Hiraki Sawa e dos irmãos norte-americanos Casey e Van Neistat, dentro do evento The 59th minute: Video art on the Times Square Astrovision. Sandra Cinto apresenta a instalação Under the sun and stars, em sua terceira mostra individual na Tanya Bonakdar Gallery. E Dora Longo Bahia participa da coletiva Scream, na Anton Kern Gallery.

Na crista

Outra brasileira que continua batendo um bolão lá fora (e aqui dentro) é a mineira radicada em Nova York Valeska Soares. Sua exposição Follies, que o Bronx Museum-NY inaugurou em outubro do ano passado, foi prorrogada até o dia 22. A mostra consiste de instalações, esculturas, vídeos e fotografias que ocupam quase todo o museu. E ainda: a instituição vai publicar a primeira grande monografia sobre a obra da artista, com textos de dez autores diferentes. Um deles é assinado pelo curador da Tate Modern de Londres, o mexicano Cuauhtémoc Medina. Ele convidou Valeska para participar da Bienal de Liverpool, que acontece este ano na Inglaterra.

Habla, Fidel

O cineasta e também artista plástico brasileiro Felipe Lacerda foi convidado pela conceituada galeria Arte X Arte, de Buenos Aires, para mostrar aos argentinos sua instalação A espécie humana. O trabalho em DVD com 11 minutos de duração participou da coletiva organizada pela Capacete Entretenimento (de Helmut Batista) no Castelinho do Flamengo. Trata-se de uma sala escura, um telão de cerca de 30 m² e um sistema de som poderosíssimo capaz de fazer tremer até a pele e as roupas dos espectadores. A fonte de todas as imagens é um discurso de Fidel Castro, questionando os rumos tomados pela sociedade capitalista pós-industrial. A obra poderá ser vista na capital portenha entre abril e julho.

Latinos na mira

O Museu de Arte Moderna de Nova York está organizando uma exposição off-site, em parceria com Museu Del Barrio. Dedicada à arte latino-americana e caribenha, a mostra vai reunir 100 pinturas, esculturas, gravuras e desenhos da importante coleção do MoMA. A inauguração será no dia 4 de março.

Espionagem do bem

Um sistema de transmissores de raios infra-vermelhos foi instalado, na encolha, em diferentes pontos do Museu Etnográfico e Pré-histórico de Roma. A função da parafernália é orientar novas montagens, descobrindo quais os núcleos da instituição fazem mais sucesso com o público. O controle funcionou nos últimos dez meses e os resultados foram apresentados pelo Instituto Italiano de Arqueologia Experimental de Gênova. A experiência revelou, por exemplo, que a maior parte dos visitantes se deteve mais tempo diante de vitrines com explicações tradicionais e prestou pouca atenção nas mais complexas e espetaculares. E confirmou o que já se sabia: que as últimas seções dos museus são as que menos atenção recebem dos espectadores.

Tempos modernos

Mudanças na Galeria Nacional do Jeu de Paume. O espaço que já abrigou o célebre museu dos impressionistas e que, nos últimos anos, vinha acolhendo obras mais atuais, vai se dedicar apenas à fotografia e à imagem, a partir de 23 de junho. A novidade foi anunciada, semana passada, pelo ministro da Cultura da França, Jean-Jacques Aillagon. A nova instituição pretende funcionar como uma referência para a produção do século 19 até os nossos dias.

Inusitado

O Museu Histórico Nacional não quer ficar parado no tempo. Além das obras de reforma e de ampliação em andamento, a instituição está atualizando seu acervo. Sob a direção de Vera Tostes, a casa começou a incluir em seu patrimônio itens que fazem parte do cotidiano moderno, mas que o público não vê entre obras artísticas e históricas. Estão sendo catalogados uniformes de prestadores de serviços, como os de gari, PM, metalúrgico, bombeiro e até brinquedos. É, não deixa ser História.

PERGUNTAS PARA GILBERTO CHATEAUBRIAND

A partir de amanhã, o público poderá conhecer, no Museu de Arte Moderna do Rio, as 204 obras de 110 artistas que passaram a integrar a Coleção Gilberto Chateaubriand. A mostra Novas aquisições 2003, que tem curadoria de Fernando Cocchiarale, reúne pinturas, fotografias, desenhos, gravuras e objetos com foco principal nos artistas jovens. A exposição coincide com uma época de muitas comemorações. A coleção, cedida em comodato ao MAM em 1993, está completando meio século, e o colecionador celebra 80 anos em 2004. Pioneiro do colecionismo moderno no Brasil, Gilberto Chateaubriand começou a formar seu acervo particular em 1953, depois de ganhar de José Pancetti uma paisagem de Itapoã. Hoje, a abrangente coleção é uma referência para o colecionismo no país por compor um panorama da arte brasileira com obras de qualidade reconhecida. O dono do tesouro fala das peças que contam com seu carinho especial e da dificuldade de se colecionar obras de arte em um mercado de preços aquecidos.

Que critérios orientaram a escolha de suas novas aquisições?

Minha coleção tem por critério, primeiro, o mapeamento dos momentos mais significativos da produção artística brasileira contados a partir do modernismo. Atualmente, esses objetivos apontam para a arte brasileira contemporânea recente, hoje não mais restrita ao chamado eixo Rio-São Paulo.

Algumas obras merecem seu carinho especial? Quais e por quê?

Aquelas que se tornaram ícones de nosso patrimônio artístico e simbólico: Urutu e Vendedor de frutas, de Tarsila do Amaral; Índia, de Anita Malfatti; Mesa de bar, de Di Cavalcanti; O domador, de Guignard; os Bichos, de Lygia Clark; Claro-vermelho, de Aluísio Carvão; a Lindonéia, de Rubens Gerchman, e muitas mais. Quanto às agora expostas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro todas são candidatas virtuais ao referendo do futuro. Mas o futuro a Deus pertence.

Quais as grandes estrelas da coleção?

No mesmo sentido da resposta à pergunta anterior, poderia citar artistas como Cícero Dias, Vicente do Rego Monteiro, Ismael Nery, Goeldi, John Graz, Portinari, Vieira da Silva, Hélio Oiticica e muitos outros, ainda vivos, cuja menção não caberia no pequeno espaço desta entrevista.

Quais os principais problemas para se formar uma coleção de arte no país?

Considerando os preços atuais de mercado, são necessárias uma baita reserva financeira e disposição para consumi-la na formação de uma coleção de arte.

Que obras o colecionador Gilberto Chateaubriand ainda não adquiriu ou ainda quer conseguir?

As obras de todos os construtivistas do concretismo e neoconcretismo, mas também a Visão romântica do Recife, de Cícero Dias e Carlota dos Santos.


O MNBA abre, quinta-feira, a coletiva de grande de arte brasileira em homenagem aos 90 anos de Tomie Ohtake

  • A galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea, na Gávea, inaugura, dia 11, uma coletiva com 30 artistas com os quais vem trabalhando nos últimos anos.

  • O Espaço Cultural Via Parque apresenta a mostra Arte, forma e poesia, de Clores Lage, até o dia 15.

  • A coletiva Fotógrafos brasileiros no Rio de Janeiro permanece no foyer do CCBB até 7 de março.

  • O Governo Rodrigues Alves e a reforma da Capital é o tema da exposição que fica até 19 de março na Sala de Exposições da 6ª Superintendência Regional do Iphan, no Centro.

  • A reabertura da galeria paulistana Fortes Villaça, no momento fechada para obras, será no dia 15 de abril e não em outubro, como foi publicado anteriormente.

  • [03/FEV/2004]


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