Os trabalhos criados por Alexander Calder, em suas passagens pelo Brasil nos anos 40, e outros tantos produzidos especialmente para cá - como peças da mostra organizada por Henrique Mindlin, no MEC - vão integrar um livro da Cosac & Naify. O levantamento feito pela pesquisadora Roberta Coutinho já listou cerca de 100 esculturas espalhadas por São Paulo, Rio e Brasília. Sem contar as que saíram do país e estão catalogadas pela Fundação Calder em Nova York. A edição vai enfocar os vínculos pessoais do artista com amigos brasileiros. Entre eles, Vera Bocaiúva, que recebeu do escultor um mimo: o
mouth grape, um broche reproduzindo uma boca com um cachinho de uva no lábio superior. O fotógrafo Vicente de Mello é o responsável pelo registro das obras.
Fundamentais
A mostra Poéticas do espaço vai concentrar, no Museu Oscar Niemeyer em Curitiba, em março, quase 300 anos de arte. Reunirá esculturas de Franz Weissmann, 90 anos, pinturas de Tomie Ohtake, outros 90, e desenhos e maquetes de Oscar Niemeyer, que completa 96, na próxima segunda-feira. A exposição deve ser vista em Porto Alegre, Salvador e Belo Horizonte. Já há negociações para que a montagem seja levada a Buenos Aires e Lisboa.
Ausências
Quem fez as honras da casa, no coquetel para convidados da mostra de Rachel Whiteread, no MAM, terça-feira, foi o British Council. A artista inglesa, que chegaria para a inauguração, ficou presa em Londres - sua mãe morreu no sábado. O diretor do museu, Hélio Porto Carrero, por sua vez, só conseguiu passagem para viajar naquele dia para a feira Basel- Miami, que terminou domingo na Flórida.
Abstratos
Falando em MAM, dia 18 será inaugurada a mostra Ordem versus liberdade, sob a curadoria de Fernando Cochiaralle. São 120 obras, entre pinturas, desenhos e esculturas, e muitos destaques. Um deles é o óleo sobre eucatex, Number 16, pintado por Jackson Pollock, em 1950. Segundo o curador, provavelmente é a única criação do artista em um acervo público no Brasil. A parte brasileira da exposição estará representada por trabalhos de Hélio Oiticica, Lygia Clark, Antonio Bandeira, Amilcar de Castro e outros. A exposição acontece simultaneamente à do chileno Roberto Matta, vinda da Bienal Mercosul.
Leilão do bem
Um leilão de 150 peças, que se realiza hoje em São Paulo, sob o martelo de Luiz Arena, terá 10% de sua arrecadação revertidos para o MAM paulista. Estarão à venda obras de Tarsila, Bonadei, Goeldi, Pancetti, Ismael Nery, Wesley Duke Lee, entre outros. Mas os destaques vão para duas pinturas de Di Cavalcanti: Paisagem e figuras, da década de 30, que integrou a retrospectiva do artista em 1971 no museu paulista, e Mulher junto ao balcão, presente na 2ª Bienal Interamericana do Instituto Nacional de Belas Artes, no México, em 1960. Naquela mostra, o artista recebeu medalha de ouro pelo conjunto da obra.
Esplendor dos faraós
Um tesouro datado das épocas faraônicas acaba de ser recuperado pelo Egito. As 400 peças entre estátuas, máscaras e múmias foram levadas em contrabando para a Suíça. A coleção chegou ao Cairo, semana passada, em 13 caixas transportadas em avião e acompanhadas de uma delegação de arqueólogos e forte esquema de segurança. Vai se juntar aos 120 mil objetos do acervo do Egyptian Museum, que abrange da pré-história ao período greco-romano.
Impressões
Uma seleção de 100 obras de Claude Monet e de seus contemporâneos, nunca apresentada em conjunto, integra uma mostra inaugurada, semana passada, no Museu de Belas Artes de Budapeste. Setenta delas são pinturas de Edouard Manet, Camille Pissarro, Gustave Caillebotte, Alfred Sisley, Paul Signac, e esculturas de Auguste Rodin. Para exibir as peças, vindas de pinacotecas de 33 países diferentes, o governo húngaro depositou um seguro de US$ 117,6 milhões.
Nobreza sob martelo
O leilão da coleção de arte do barão Hottinguer, realizado pela Christie's, em Paris, estabeleceu sete recordes, em dois dias de pregão. Um deles, por um óleo do século 17, do holandês Nicolás Claesz Berchem. Com preço estimado entre US$ 120 mil e US$ 180 mil, a pintura foi arrematada por US$ 1, 7 milhão. O total arrecadado pela venda das 700 peças- pinturas, desenhos e objetos que ornamentavam o apartamento parisiense do nobre - chegou aos US$ 10,8 milhões.
Pindaíba
Não são apenas os brasileiros que reclamam de verbas para suas instituições públicas. Na Inglaterra, a coisa também anda feia. Alguns museus estão pedindo doações dos próprios visitantes para manterem seus banheiros abertos. Segundo o diretor da prestigiosa National Gallery, Peter Scott, o governo não está dando dinheiro suficiente nem para o museu abrir as portas, acender as luzes e pagar a segurança.
PERGUNTAS PARA MARCUS LONTRA
Em 1984, a mostra Como vai você, Geração 80? reuniu 123 jovens artistas, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, e trouxe um vigor sem precedentes à arte brasileira. Vinte anos depois, um de seus realizadores, o curador Marcus Lontra, prepara uma exposição comemorativa que se realizará no CCBB, em outubro do ano que vem. Ele lembra que, a partir da mostra da EAV, a arte brasileira tornou-se menos dogmática, mais eclética, democrática e plural.
Como será a mostra comemorativa dos 20 anos da Geração 80?
A mostra - intitulada Geração 80: 20 anos - vai ocupar todo o primeiro andar do CCBB e terá a participação de 20 artistas. Alguns foram selecionados entre os 123 que participaram da coletiva, outros serão convidados por apresentarem um trabalho que tem relação com o espírito daquela exposição - como Adriana Varejão e Victor Arruda. Vamos traçar um pequeno percurso dos participantes, dos anos 80 até hoje.
Qual foi a importância da mostra para a arte brasileira?
A partir dela, a arte brasileira tornou-se menos dogmática, mais eclética, democrática e plural. O seu principal legado foi - e ainda é - o de acreditar, até com certa ingenuidade, na capacidade transformadora da arte e na sua importância como agente de consciência da cidadania, algo fundamental para um Brasil mais justo e democrático.
A exposição representou uma volta à pintura?
A arte dos anos 80 procurou valorizar o fazer, os aspectos artesanais, integrando-os aos conceitos artísticos. A pintura continua sempre presente, apesar de alguns eternos teóricos insistirem na sua morte. Não devemos confundir a amplitude da pintura com os limites do quadro. Hoje, muitos fotógrafos, por exemplo, discutem questões essencialmente pictóricas.
Quem era mesmo bom e permaneceu?
Alguns, já falecidos, fazem parte da arte brasileira, em especial Jorge Guinle e Leonilson. Outros já obtiveram o merecido sucesso mercadológico como Beatriz Milhares, Daniel Senise ou Luiz Zerbini. Alguns merecem ser revistos, como Delson Uchôa, Karin Lambrecht e Suzana Queiroga. Muitos estão por aí batalhando, conquistando seus espaços. Diferentemente do que se dizia então, muita gente da Geração 80 permanece.
Duas décadas depois, que críticas você faria à geração 80? O que teria sido um equívoco?
Não vejo equívoco algum, talvez uma certa ingenuidade. A Geração 80 fez a festa para um país que não houve. Porém, se essa festa acabou, o sonho é eterno, permanece...
Será inaugurada, logo mais, na Casa Rosa do Sesc Tijuca, exposição de quadros originais de Heitor dos Prazeres, raramente expostos ao público, .
Miguel Artur expõe pinturas na coletiva de jovens artistas inaugurada, ontem, no espaço Galeria Gourmet, na Barra.
O fotógrafo Marco Terranova lança hoje, na Sociedade Hípica Brasileira, o livro Montanhas do Rio.
Uma coleção de 250 peças de arte utilitária africana será inaugurada, hoje, no 2º piso do Shopping dos Antiquários, em Copacabana.
Orlando Rafael convida para a abertura de sua mostra de pintura, amanhã, no Espaço de Arte-Galeria Um, em Nova Iguaçu.