Do pintor espanhol Antoni Tàpies ao receber, semana passada, no Museu do Prado, o Prêmio Velázquez de Artes Plásticas: ''O importante é fazer algo que interesse aos demais''.
Visão no paraíso
Uma tela de Paul Gauguin, que não é exibida ao público há mais de meio século, será leiloada, dia 23, pela Sotheby's londrina. Um dos aspectos mais pitorescos da pintura L'Apparition, de 1902, é revelar o interesse do artista pelas qualidades místicas e espirituais à sua volta. Na obra, está retratada a figura de Haatuani, um mágico poderoso e temido no Taiti - o paraíso aonde o artista francês foi em busca de ordem, beleza, luxo, calma e volúpia. A estimativa de preço do quadro gira em torno dos US$ 14 milhões.
No faro
Quinhentas obras do inglês William Turner (1775-1851) foram localizadas por especialistas da Tate Gallery. Eles passaram 14 meses no rastro dos quadros, já que muitos eram herança de família e alguns sequer levavam a assinatura do paisagista. A caçada começou quando a instituição britânica resolveu organizar um catálogo com reproduções de 2 mil trabalhos redescobertos do pintor.
Ela por ela mesma
Cinco pintores formados na Goldsmith's College University de Londres participam da mostra Painting per se, que será inaugurada, dia 24, na galeria André Millan, em São Paulo. São eles: Brad Lochore, Machiko Edmonson, Jane Haris, Claudia Marchetti e Michael Stubbs.
Frente e verso
Obras representativas de oito artistas brasileiros que trabalharam o preto e o branco saem do acervo da Galeria Silvia Cintra para a apreciação do público. O Projeto em preto e branco, com inauguração dia 24, reúne trabalhos dos anos 60 a 90. A montagem revela as diferentes maneiras como as duas cores foram usadas para representar o vazio, delimitar espaços, construir volumes ou apenas brincar com o olhar do espectador. Entre as peças, estão Livro dos caminhos, de Lygia Pape; um relevo branco de Sérgio Camargo; e uma escultura em ferro preto de Waltercio Caldas.
Imagens do Brasil
De volta de Bruxelas, o curador Carlos Martins prepara nova montagem saída da Coleção Brasiliana. Agora é a vez de os brasileiros conferirem a mostra, que será inaugurada, em julho, na Pinacoteca de São Paulo, reunindo 25 obras desse acervo. Elas integram um conjunto de 296 pinturas, aquarelas e gravuras dedicado à iconografia dos viajantes e mantido pela Fundação Estudar.
Da hora
Com a inauguração de duas individuais, o Espaço Sérgio Porto confirma sua veia contemporânea. Um dos artistas, Luciano Mariussi, comparece com uma polêmica videoinstalação. O trabalho consiste na projeção de imagens de pessoas em tamanho natural que expulsam os visitantes da galeria com frases do tipo: ''Não tá entendendo nada?''. Com isso, o autor pretende falar da distância entre a arte que se produz hoje e o público comum. Já Daniel Feingold exibe, em sua sala, pinturas inéditas de até seis metros de comprimento.
Batismo de fogo
Ricardo Ribenboim, ex-diretor do Itaú Cultural, em São Paulo, e ex-coordenador do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, estréia como artista plástico para o público do Rio. Vai inaugurar, dia 24, na Galeria Anna Maria Niemeyer, sua primeira mostra carioca. Na exposição Atitude, além de onze objetos em madeira, ele apresenta dez obras em papel de arroz japonês.
A Bolsa de Arte leiloa, amanhã, no Copacabana Palace, 159 pinturas e esculturas de artistas nacionais e estrangeiros dos séculos 19 e 20.
PERGUNTAS PARA HÉLIO PORTOCARRERO
Economista, colecionador de arte moderna e, até recentemente, presidente da Susepe, o novo diretor do MAM do Rio, Hélio Portocarrero, diz que uma das prioridades de sua administração será prover um fundo de reserva que garanta a segurança financeira do museu.
O que é preciso fazer para que o MAM resgate a importância que já teve como referência cultural na cidade?
Em primeiro lugar, é preciso reconstituir a saúde financeira da instituição; mobilizar, também, o patrimônio de que dispõe; restabelecer um restaurante, um café; reativar o galpão das artes; e intensificar a programação da cinemateca e as atividades educacionais relativas à arte.
O museu tem, em sua reserva técnica, obras como o painel de Georges Mathieu, que necessitam de restauração urgente. Como o senhor pretende solucionar casos como esses?
Precisamos restabelecer um fundo específico para restauração.
Que projetos o senhor vai priorizar?
Acumular um fundo de reserva, básico para a segurança financeira do museu, e ampliar o número de mantenedores, procurando maior apoio na empresa privada, sem descurar do dinheiro proveniente de entes públicos e estatais, de importante presença na cidade do Rio.
Qual será a orientação política para a curadoria do MAM? Que exposições o senhor considera importantes mostrar ao público?
O curador do museu é Fernando Cocchiarale que tem autonomia na programação, como deve acontecer no Banco Central. Basicamente, este é o principal museu de arte moderna contemporânea do Brasil, pois hospeda a maior coleção nacional, a de Gilberto Chateaubriand. Portanto, isto define a vocação do MAM: mostrar a arte nacional. Esta vocação é insubstituível.
PINCELADAS
Reinaugurando sua Galeria no Shopping da Gávea, Matias Marcier apresenta, até o dia 30, a coletiva O Rio de Janeiro passado a preto e branco.
A fotógrafa Mariana Vianna inaugura, amanhã, no Bar Dom João, a mostra Beleza nativa, reunindo 34 fotos tiradas no litoral sul de Santa Catarina.
Dia 27, no IAB/RJ, será lançado o CD-ROM Museus, arquitetura e reabilitação urbana, organizado por Cêça Guimaraens e Nara Iwata.
A colunista está saindo de férias. O Informe de Arte volta a ser publicado na segunda-feira 21 de julho.Acima, escultura em mármore que Cesar Caldas exibe no Estúdio Guanabara até o dia 4. Ao lado, as artistas plásticas Chang Chi Chai e Adriana Varejão, em noite de vernissage no Paço Imperial