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Começar de novo

Depois de anos de parceria com o leiloeiro Evandro Carneiro, de quem se separou recentemente, Soraia Cals começa carreira solo. Inaugura seu escritório de arte com um grande leilão nos dias 15 e 16. O destaque é o óleo Auto-retrato com Adalgisa, de Ismael Nery. Há exatos 30 anos, o quadro foi vendido por US$ 30 mil e saiu do mercado. Volta sob o martelo de Horácio Ernani de Mello Neto com lance inicial estipulado em US$ 250 mil.

Desafeto

Não convidem para o mesmo vernissage o artista plástico Walton Hoffmann e o diretor do Paço Imperial Lauro Cavalcanti. O primeiro acusa o segundo de ter cancelado uma mostra agendada para a Sala do Dossel, em junho. Com gastos já comprometidos, Hoffmann protesta: ''Foi uma falta de respeito pelo trabalho de um artista vinda de uma instituição subordinada a um ministro que também é artista''.

O dia da indignação

O Museu Nacional de Arqueologia de Portugal está promovendo um manifesto contra a destruição do patrimônio histórico do Iraque. Via internet, os signatários buscam adesões para fazer do Dia Internacional de Museus (que se comemora em 18 de maio) um momento de repúdio contra ''tão trágica situação''.

Fora de foco

Não é a primeira vez que se relaciona as imagens difusas de Monet a um problema de vista. Agora, o oftalmologista australiano Noel Dan diz que a falta de detalhes e a vivacidade das cores de alguns impressionistas poderiam ser conseqüência de miopia. Além de Monet, entre os pintores analisados estão Degas e Renoir. O estudo, publicado no Journal of clinical neuroscience, conclui que um par de óculos poderia ter mudado a história da arte da época.

À memória

Esquecido após a morte em 1971, Samsor Flexor terá 80 obras reunidas no Instituto Moreira Salles, a partir do dia 13. Sob a curadoria de Denise Mattar, é a primeira grande mostra dedicada ao artista, desde a retrospectiva do MAM paulista, há quase 30 anos. Romeno, ele imigrou para o Brasil em 1948 e fundou o Atelier Abstração, em São Paulo.

Homenagem

Em comemoração aos 100 anos de nascimento de Lívio Abramo, o MAM de São Paulo exibe, a partir de sexta-feira, 90 trabalhos de um dos expoentes da gravura moderna brasileira.

Liliputianos

Rubem Grillo chega a Natal, dia 16, com uma mostra itinerante que já passou por Ceará e Pernambuco. São 600 xilogravuras, medindo entre 1x1cm e 5x7 cm, que vêm obrigando o público a chegar pertinho para ver a obra. Sábado, no Parque Lage, o artista fala sobre o papel da imagem reproduzida na arte.

Sai de campo

Só na quarta-feira, Maria Regina do Nascimento Brito recebeu o comunicado oficial de que não era mais a diretora executiva do MAM do Rio. Hoje, Hélio Portocarrero assume o cargo.

TRÊS PERGUNTAS PARA LOUISE BOURGEOIS

Nascida em 1911, a francesa radicada nos EUA Louise Bourgeois, decana do feminismo, é tida como uma das maiores escultoras do século 20. Ela acaba de doar uma coleção de importantes obras sobre papel para o Museu Nacional de Belas Artes do Rio.

O que levou a senhora a fazer as doações?

Minha decisão se deve à nomeação de Paulo Herkenhoff como diretor da instituição. Ele tem grande sensibilidade para arte sobre papel e conhecimento da história da arte. É respeitado por diretores de museus do mundo inteiro. Esse é um aval para que outras pessoas façam doações ao MNBA.

Que critério adotou para escolher as obras doadas?

Selecionei aquelas que pareciam fazer sentido como conjunto e que tinham valor histórico e estético. O que estou doando ainda não são obras de minha autoria, mas de outros artistas, como de Redom, Rouault, Kandinski e Picasso. Submeti os desenhos e as gravuras a um especialista, de modo que não incluíssemos nada que fosse inadequado a um museu.

A senhora conhece o museu?

Paulo me mostrou um livro sobre o museu e fiquei muito impressionada com a coleção barroca e holandesa. O edifício é monumental. Não viajo no espaço, viajo no tempo. Meu trabalho tem sido exposto no Brasil desde 1992, mas nunca estive no país. Acho que minha obra me representa mais que minha presença física. Uma de minhas memórias mais antigas ligadas ao Brasil se refere a Santos Dummont, que era meu vizinho em Paris. Gosto muito de arquitetura, fui amiga do Le Corbusier. Por tudo isso, doei os desenhos dele ao MNBA.

Como avalia o papel de um museu na relação entre o público e a arte?

Acredito em conhecimento da arte, que se dá através do contato direto com o objeto. Espero que minhas doações possam ajudar um pouco esse processo nesse momento político novo vivido pelo Brasil.

*O Castelinho do Flamengo abre, amanhã, três exposições individuais.

*Amanhã começa a exposição Ternas peles, de Anna Braga, no Museu da República.

*A Universidade Estácio de Sá inaugura, quarta-feira, a mostra UniversidArte XI, com trabalhos de 210 artistas.

*A galeria H.A.P promove, dia 14, às 19h, a mesa redonda O tempo e suas relações. Participarão o físico Luis Alberto Oliveira, Carlos Zilio e Paulo Venancio.

[05/MAI/2003]

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