O irlandês radicado nos EUA Sean Scully, que ocupou uma das salas especiais da 25ª Bienal de São Paulo com uma série de pinturas em grandes formatos, vai esquentar a já movimentada agenda artística carioca. Aos 67 anos, o artista fará sua primeira individual na América do Sul, a 110ª de sua carreira, a partir do dia 21, no Centro de Arte Hélio Oiticica. A mostra
Wall of light reúne 35 obras entre pinturas a óleo, aquarelas e pastéis, de 1983 a 2001. O pintor não vem para a abertura, mas garantiu presença no fechamento da exposição em 27 de outubro.
Queixa democrática
De passagem pelo Rio, o pintor Fernando Barata, que vive em Paris, teve uma ingrata surpresa ao visitar a mostra Caminhos do contemporâneo 1952-2002, no Paço Imperial. Ele é o único dos artistas que se destacaram na histórica exposição Como vai você, Geração 80?, realizada no Parque Lage, ausente da exibição atual (que dedica um segmento inteiro ao evento). Em carta ao diretor do Paço, Lauro Cavalcanti, Fernando lembra que, além de ter integrado o movimento, sua pintura está catalogada no livro do crítico Roberto Pontual. E mais, que ele foi um dos convidados por Sheila Leirner, curadora da 18ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1985, para participar da Grande tela - a imagem ícone da pintura nos anos 80.
Paixão pelo alheio
O pastel Composição com quadrados, assinado por Arcangelo Ianelli e datado de 1976, desapareceu há um mês da parede da Fundação Instituto de Ensino da Universidade de Osasco, em São Paulo. A obra fazia parte do acervo exposto à apreciação dos visitantes do campus. E como tal é peça registrada e de negociação comercial impossível. A Reitoria até entende que a paixão pela obra tenha levado o larápio ao pecado da cobiça. Mas quer o trabalho de volta.
Quem dera
O primeiro-ministro Tony Blair estendeu a mão ao Museu Britânico, que vive atualmente uma crise econômica sem precedentes em sua história. Segundo noticiou o Sunday Times, a respeitada instituição inglesa vai receber uma subvenção do Reino Unido, em caráter de emergência. O valor do help é de US$ 23, 4 milhões.
Psicologia da arte
A editora Cosac & Naify lança, no Brasil, um livro de referência no debate artístico internacional: A pintura como arte , do filósofo, psicanalista e crítico londrino Richard Wollheim. O polêmico autor é conhecido por defender a idéia de que um objeto é obra de arte por suas características intrínsecas que podem ser detectadas objetivamente. Ao longo de 348 páginas, ele estende seu sistema de interpretação a cerca de 400 obras de mestres pintores.
Melhor assim
Contrariando os prognósticos pessimistas, os marchands sul-americanos comemoram o sucesso de vendas na feira Arte BA, realizada em Buenos Aires em junho. Para o uruguaio Jorge Castilho, a boa performance do mercado tem uma explicação. Com medo do confisco, muitos preferiram trocar o mercado financeiro por investimentos em arte.
Honra ao mérito
Quatorze anos após sua morte, Mira Schendel vira a coqueluche do mercado. Uma peça da série Sarrafos foi vendida, em 1986, por US$ 5 mil. Outra obra parecida, numa recente negociação em São Paulo, chegou a US$ 150 mil.
Pinceladas
Ivan Cardoso exibe a série de fotografias Hélio Oiticica e o três oitão a partir do dia 19, na Galeria Artur Fidalgo.
Amanhã, a Votre Galerie abre mostra com uma seleção de pinturas de diferentes artistas dos anos 60 a 90.
Eliane Duarte apresenta trabalhos inéditos, na Galeria Anna Maria Niemeyer, até o dia 28.
O público tem até sábado para ver as instalações de Mauro Espíndola e Amauri Macedo, na EAV do Parque Lage.
Psiquiatra com mestrado no Instituto de Psiquiatria e doutorado na Escola de Comunicação da UFRJ, Nívia Bittencourt lança em setembro o livro A vassoura da bruxa - Lygia Clark na arte da lou-cura, uma releitura da obra da artista.
Como surgiu a idéia do livro?
Eu percebi que os efeitos clínicos da obra de Lygia Clark não eram conhecidos. Os críticos não têm ferramentas para abordar a arte sem a mediação do objeto. Ela suprimiu a produção de objetos a partir do trabalho Caminhando. Foi uma grande revolução. Passou a criar condições para despertar no espectador sua capacidade de criação. Ela desenvolveu a pedagogia do artista. Ultrapassando o mito do artista como alguém extraordinário, queria ensinar cada um a descobrir a poesia em si mesmo. Isso foi vivenciado na descoberta do Vazio-pleno.
Como vê a relação entre artes plásticas e psicanálise?
Essa relação passava, na melhor das hipóteses, pela consideração das motivações do artista para criar tal ou tal obra. O que importa hoje é saber o que a obra comunica, qual seu potencial de comunicação com o público. Esse foi o diferencial de Lygia, a ênfase na recepção da obra. Estava na linha de Duchamp, que dizia: ''São os observadores que fazem o quadro''. Ora, para se estabelecer comunicação da obra com o homem, é preciso haver organicidade. Em Lygia, essa organicidade está no núcleo da psicanálise - é a dimensão afetiva, a dimensão da pulsão, descoberta por Freud.