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Luciana Rangel (interina)

Divulgação
João Castro Silva

O escultor português João Castro Silva posa ao lado de suas criações, que estarão na mostra que abre, sábado, no MNBA

Portinari, um dos maiores pintores brasileiros do século 20, faria 100 anos em novembro de 2003.

Para comemorar o centenário do pintor, João Cândido, filho de Portinari, está organizando várias homenagens.

Com apoio da Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Câmara dos Deputados, pretende fazer 20 mil cópias de 20 das mais conhecidas obras de Portinari para distribuí-las em escolas públicas do país.

Mas, segundo João Cândido, o maior sonho do evento é a criação do Museu Cândido Portinari, que já tem projeto arquitetônico do contemporâneo e amigo Oscar Niemeyer.

No oriente

A artista plástica Cristina Portella apresenta no Japão, de quinta-feira até o dia 30, a mostra Olhos da Alma _ artes visuais para deficientes visuais, no Espaço Cultural Manabu Mabe, em Tóquio. Coordenadora da ONG Ver e Ouvir, Cristina desenvolveu neste trabalho uma exposição sensorial, a partir de materiais oriundos da Floresta Amazônica, coletados pela própria artista, proporcionando o estímulo de vários sentidos.

Boa ação

Os mantenedores do Whitney Museum of American Art, de Nova York, se uniram para dar ao museu 86 quadros, esculturas e gravuras que chegam ao total de US$ 200 milhões. Acredita-se que é a maior doação de arte americana pós-guerra a um museu, ultrapassando a feita em 1990, pelos mantenedores do San Francisco Museum of Modern Art, que chegou a US$ 130 milhões.

O que torna o presente peculiar é que 15 quadros saíram da coleção particular de dez dos mantenedores. Deduções nos impostos com doação de arte têm incentivado empresários e instituições a esvaziarem suas paredes em benefício de museus.

Dos 86 quadros, 32 são de Jasper Johns, o que faz o Whitney ter o maior acervo do artista. Além de Johns, o museu ganhou quadros do início da carreira de Newman, Lichtenstein, Robert Ryman and Andy Warhol. Com a aquisição, o Whitney passa a reunir 13 mil peças. Não chega nem perto do MOMA, que tem em sua coleção cerca de 100 mil obras.

Arte na tela

O artista plástico Hugo Moss está fazendo um documentário sobre seu trabalho. Moss, inglês radicado no Rio há 15 anos, faz quadros usando como tinta pigmentos de terra e minerais. Para suas criações, ele faz um verdadeiro trabalho braçal, serrando, triturando, ralando e explorando minas pelo país. Conheceu a técnica em 1992, através do artista plástico Xico Chaves.

O filme, que recebeu o nome de sua exposição Geologia interior, mostra todo o processo de criação, desde a matéria-prima, nas minas, até seu ateliê, no Morro da Conceição, no Rio. Fica pronto ano que vem.

Elogios

A exposição com obras de Hélio Oiticica, falecido em 1980, Quasi-Cinemas tem feito sucesso em Nova York, no New Museum of Contemporary Art.

O New York Times de ontem, em matéria de destaque, fez rasgados elogios ao trabalho do artista plástico brasileiro, que foi novaiorquino por nove anos, na década de 70.

O artigo ensina como se fala o nome de Oiticica e recomenda aos leitores que conheçam seu trabalho.

Pinceladas

A mostra Vidrada, com instalações de Viviane Pinho fica até dia 10, na Galeria Maria Martins, na Barra.

Até dia 17, a mostra As coisas não precisam de você de Flávio Colker, fica na galeria Laura Marsiaj, no Jardim Botânico.

A artista plástica Rosana Palazyan expõe no CCBB até dia 13 de outubro.


TRÊS PERGUNTAS PARA CLÁUDIO VALÉRIO TEIXEIRA

Pintor, restaurador, crítico de arte e professor, o carioca Cláudio Valério Teixeira é considerado um dos maiores especialistas brasileiros em restauração de obras de arte.

Em Niterói, ele coordena o Núcleo de restauração e é presidente da Fundação de Artes da cidade. Foi responsável pela restauração do Teatro Municipal de Niterói, dentre outros, e atualmente coordena o projeto do Palácio Araribóia e Capela de Maruí.

Qual é a situação do patrimônio histórico brasileiro?

A situação não é boa. Nós perdemos muito material por falta de conservação adequada. Perdemos montanhas de obras de arte por não termos a prática da manutenção e preservação dos acervos. Muito melhor do que restaurar é conservar, pois qualquer restauração provoca interferência no trabalho.

Quais são os problemas enfrentados pelos restauradores?

No Brasil, nós temos vários problemas. Um deles é o pequeno investimento, e ainda o pequeno número de profissionais especializados. Nós temos um riquíssimo acervo cultural. As pessoas falam que o país não tem memória, mas não é verdade. O país nunca teve cidades que pegaram fogo, nem guerras mundiais. Então, a documentação do século 19 e do século 18 está intocável e precisa ser estudada e guardada, mas o IPHAN vive à míngua, com poucos recursos e técnicos.

Quais foram os trabalhos feitos pela sua equipe de maior importância?

Já restauramos mais de cinco mil obras, dentre elas, Giovanni Castagneto e Portinari. Posso destacar duas: a Batalha do Avaí, de Pedro Américo, e a Batalha do Guararapes, de Vítor Meirelles. Essas obras se destacam pela importância histórica e também pelo trabalho técnico desenvolvido, já que eram obras de grandes dimensões. São consideradas as maiores telas de cavaletes do mundo.

[05/AGO/2002]

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