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Os cavalões curtindo


Agora, é a vez de Diego, do Santos. Vai jogar no Tottenham, da Inglaterra. No fim de semana, o mesmo Santos já tinha ficado sem o Nenê, já transferido pro Mallorca, da Espanha. Assim, vai se cumprindo, à risca, o projeto dos cartolas brasileiros de acabar o campeonato de 2003 sem um só craque em campo.

De ontem pra hoje, mais dois jogadores de ponta estão fazendo as malas: Luisão, do Cruzeiro, e Nilmar, do Internacional.

O torcedor, quase sempre desligado do que se passa nos bastidores do circo sinistro do futebol, fica sem entender qual é, mesmo, a dos cartolas. Pois é o que eu vivo dizendo e morrerei a vos dizer: os cartolas do mal são os burocratas do apocalipse. Eles se fartam, enquanto a praga dos empresários vai tecendo a trama do fim do mundo.

Certo, os clubes perderam o senso (nunca tiveram!). E a CbF, qual é o papel dela nessa comédia bufa? A meu ver, amigos, a CbF está pouco se lixando pro esvaziamento do campeonato brasileiro. Aliás, ela vive, justamente, da tibieza dos clubes. Tem a natureza oportunista da sanguessuga.

Quanto mais craques brasileiros houver, jogando na Europa, mais reputada será a Seleção. Mais alta será a sua cotação no mercado de jogos amistosos e de torneios caça-doláres. Jogar na Europa dá muito mais cartaz que jogar no Brasil. Que faz a CbF? Vende mais e melhor uma seleção cheia de notoriedades. Entenderam, caros amigos? Só quem sofre, mesmo, com a sangria perpetrada pelo conluio cartola-empresário é o coração do torcedor.

Na dimensão histórica, o fenômeno afeta, profundamente, o futebol brasileiro. Não é de hoje que nos levam os nossos craques. Noutros tempos, porém, o talento brotava, florescia, deitava raízes e, só então, era levado daqui pelo poder mais alto do dinheiro. Hoje, estão arrebanhando o rebento mal saído do ovo. Diego despontou, no chamado tempo psicológico, não faz 15 minutos. Em breve, estarão contratando os meninos ainda em primeira dentição.

Contemplo esse amargo momento do futebol brasileiro, pensando na cartolagem e parafraseando o célebre poema ''Rondó dos Cavalinhos'', de Manuel Bandeira: ''Os cavalinhos partindo/ E nós, cavalões, curtindo...''.

  • Acabou o Pan de Santo Domingo. Rei morto, Rio posto! De um lado, o prefeito Cesar Maia mete mãos às obras; de outro, Nuzman conversa com Boni, sobre a montagem da festa de abertura dos jogos de 2007.

  • A tabelinha sumiu do futebol, mas não sumiu da música: assisti, sexta passada, a um espetáculo soberbo na Casa de Cultura da Estácio, na Barra da Tijuca: o vascaíno Wagner Tiso e o botafoguense Victor Biglione, um no piano, outro no violão; os dois começam a trocar passes, em alta freqüência, nota por nota, e vão acabar, entrando, com bola e tudo, em uníssono, no coração da gente. É um gol de placa atrás do outro. Santo Deus, o que é aquilo!

  • Sexta-feira passada, quando fechei a coluna, o terceiro lugar no Pan parecia no papo. Louvei o bronze total. Eis que, no dia seguinte, vem o Canadá e abiscoita mais quatro medalhas de ouro. Tomou-nos o terceiro lugar. Eu tinha esquecido a sábia lição: no esporte, a competição só acaba quando termina...

  • Não foi o Fla-Flu dos meus sonhos. Foi o Fla-Flu do meu sono. Adormeci durante o jogo. Lânguido Fla-Flu, tu, que embalaste a minha sesta dominical - dizer que, um dia, foste o meu acalanto!

  • Uma medalha de ouro que não entrou na conta do Pan: a gigantesca bandeira que meu amigo Abel Gomes bolou e estendeu sobre o gramado do estádio olímpico de Santo Domingo, na festa de encerramento dos Jogos. A bandeira reproduzia os ''encantos mil'' da cidade que hospedará o Pan de 2007.


  • [20/AGO/2003]


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