A diretoria do Fluminense ficou feliz com o artigo em que condenei o abuso da CBF, negando-se a devolver o jogador Carlos Alberto, que está na seleção, a essa altura, a serviço dos interesses comerciais de seus agentes; agentes, vírgula, de seus proprietários.
Desde logo, agradeço, desvanecido, o gesto de cortesia do telefonema que me deu o porta-voz do clube, mas confesso: ficarei mais desvanecido se o Fluminense oficializar seu protesto, inclusive, provando que a carreira de Carlos Alberto é gerenciada por funcionários da CBF.
Naturalmente, a representação terá de ser feita à Fifa, embora todos saibam que a bronca, como tantas outras, não dará em nada. Sepp Blatter é um vivaldino de marca maior. Entre qualquer clube e a CBF, ele fechará, sempre, com quem tem voto. A Fifa não merece confiança. É lá, na Suíça, a nova pátria do Silveirinha, que se refugiam todos os pecados da cartolagem que manipula o futebol mundial. Mas vale botar a boca no mundo. Pelo menos, torna-se pública e notória, uma vez mais, a falta de escrúpulos com que se comanda o futebol.
E não é só o Fluminense que está sendo prejudicado. A prepotência sobra pros outros clubes que deram força à Seleção Sub-20 e cujos jogadores tiveram de ficar por lá, disputando coisa alguma, num torneio de coisa nenhuma.
Haverá quem diga que denunciar o escândalo é chover no molhado. Pois, então, com licença da gramática, chovamos! Chovamos todos os bem-intencionados do futebol porque, um dia, a casa acaba caindo. De podre.
A volta por cima...
Agora, sim, tudo acertado: estou no rádio. Faço um comentário, segunda, quarta e sexta, no Painel JB, às oito da manhã. Comecei semana passada. Amanhã, estarei dando meu recado, na JB-FM.
Fazer rádio é uma deliciosa curtição. Quando moço, meu sonho era ser locutor esportivo. Um dia, fui fazer um teste na Rádio Continental, do Rio. Foi um vexame completo. Levei bomba. E com justa razão. Eu, que desde menino já era meio tartamudo, quando encarei o microfone, não conseguia emitir uma única palavra. Fiquei completamente gago. Foi patético.
Rápidas a rasteiras
Anna Kournikova recebe mais e-mails que Michael Jordan e Tiger Woods, juntos. São, precisamente, 650 mensagens por minuto. Por ano, 336 mil 960 e-mails. No barato, noventa por cento devem ser cantadas. Aliás, a moça promete reaparecer em quadra, daqui a alguns dias, no torneio de Miami. A bem da verdade, nem precisa levar raquete...
Na minha correspondência dos últimos dias predominam dois tons de e-mails: uma parte, me felicita pela minha bronca na CBF, no caso do tricolor Carlos Alberto; a outra parte, enfurecida, me acusa de perseguir o Flamengo. Graças a Deus, o tempo me ensinou uma valiosa lição: destinar, sempre, no coração, um lugar modesto, seja pras descomposturas, seja pros elogios.
Antes que alguns leitores me censurem por não falar do Fla-Flu, uma explicação: o jogo foi ontem, mas a coluna de hoje, por questão de logística do jornal, teve que ser escrita na sexta-feira. Quer dizer: Fla-Flu no sábado, pelo menos pra mim, é buraco negro.
Minha querida amiga Elyanne Peyrot me entrega, pessoalmente, a Antologia Política, uma seleção de artigos escritos por Augusto Frederico Schmidt, publicados pelo O Globo e pelo Correio da Manhã. Voltarei a Schmidt pra contar uma história deliciosa sobre o poeta botafoguense.