Futebol, um feitiço
O futebol jamais deixará de ser o feitiço que é. Veja o que se passa, no momento. Estamos todos vidrados na sorte de equipes e de torneios apaixonantes. É Corinthians, é São Paulo, é Cruzeiro, é Atlético Paranaense. Times de peso que costumam estraçalhar corações. Sem contar o que vai pelo Nordeste, pelo Norte, onde combatem, a ferro e fogo, equipes de renome tais como: Vitória, Santa Cruz, Paysandu. De repente, pinta no pedaço uma cara nova.
Mal saio de casa, o porteiro do prédio quer que lhe diga tudo sobre o Brasiliense. Apanhado de surpresa, tento desconversar. Logo depois, é o motorista do táxi que me faz a mesma pergunta: que diabo de time é esse que ninguém conhece e que está fazendo misérias na Copa do Brasil? Penso rápido e digo que é um time bancado por um novo cartola chamado Luiz Estevão, aquele senador cassado pela armação no prédio do Tribunal do Trabalho de São Paulo. A tramóia do Lalau. Rolou uma grana preta pra muita gente. Pelo olhar vago do meu interlocutor, percebo que ele não entendeu nada. O povão que gosta mesmo de futebol não esquenta muito a cabeça com cartola. A galera, mesmo, só quer saber é de bola. E o diabo é que eu não sei quase nada sobre o time do Brasiliense, a não ser que joga de uniforme amarelo, amarelo ouro, que, por sinal, é a cor do metal que bem simboliza a erva do dono...
Confesso que é chato pra mim. Afinal, sou jornalista esportivo e devia saber, já não digo tudo, mas, pelo menos, o suficiente pra não deixar no ora veja o porteiro e o motorista que me interpelaram sobre o time que eliminou o Fluminense e o Atlético Mineiro na Copa do Brasil. O time é finalista da Copa do Brasil com todo merecimento.
Não é a primeira vez que caio do cavalo. Um dia, eu fazia uma palestra sobre a história da Seleção Brasileira. A platéia eram 200 revendedores da Ipiranga. Eu sabia tudo sobre Copa. Copa de 58, Copa de 62, Copa de 70... Ia tirando de letra todas as perguntas. Até que se levanta um cavalheiro e me pede, ternamente: ''Eu queria que o senhor me falasse, por favor, sobre o meu querido Noroeste de Bauru!'' Baixa no salão um pesado silêncio de tumba.
Todo mundo percebe que acabo de ser pegado no contrapé. Peço desculpas ao desapontado torcedor, confessando minha pobre ignorância. O mais que fiz foi prometer, humildemente, que falaria com ele, por telefone, no dia seguinte, contando tudo sobre o seu amado Noroeste de Bauru. A promessa cairia no nosso comum desinteresse.
Agora, me surpreendo com o Brasiliense, time sobre o qual uma boa coisa, pelo menos, eu já fiquei sabendo. A equipe recebe salários rigorosamente em dia, o que não é pouca bobagem no futebol brasileiro de mil calotes.
Portanto, tratai de fazer bom proveito, honrados jogadores, pois quem hoje vos remunera está apenas devolvendo, em migalhas, um pouco do dinheiro que, um dia, alguém surrupiou da mirrada algibeira do povo brasileiro...
É isso aí.
Vacilo meu: falando de goleiros estrangeiros que jogaram no Brasil, omiti, simplesmente, o nome do argentino Cejas, que defendeu o Santos. E que goleiraço!
Fafá de Belém, uma das minhas mais ardentes paixões musicais, não se cansa de celebrar a vitória do Paysandu, conquistando a Copa Norte, contra o São Raimundo, time do poeta Thiago de Mello, o imperador do Andirá.
Colaborou Andréa Escobar.