E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Informe JB
A nova renegociação da dívida do campo

Cartas
José Dirceu

Horóscopo
Horóscopo

Heloisa Tolipan
Furacão Gisele

Charge Online

Marcia Peltier
Na véspera

Informe Econômico
Para além do marketing

Boechat
Para todos

Gilberto Amaral
Reforma 1

Hildegard Angel

Entre amigas
Em busca da paixão

No campo dos negócios
Clubes do Rio à beira da falência

Astrologia da Alma
O signo de libra

Tudo de bom
Na moda

Anna Ramalho
Aquarela do Brasil

Estilo

 


Aquarela do Brasil


Querida Gilsse: recebi seu e-mail pedindo notícias do Brasil, você, que, em boa hora, mudou-se para Lisboa - se não de mala e cuia, pelo menos para passar cada vez mais tempo por aí. A saudade dos amigos é grande, mas quem é amigo só pode estar feliz por você estar fora daqui num dos momentos mais tristes da história deste nosso país. Tá feia a coisa, querida. Como diria o Chico naquela inesquecível música, composta em outro momento tão tenebroso, ''a coisa aqui tá preta, muita careta pra engolir a transação/ e a gente tá engolindo cada sapo no caminho...'' Lembra? Adiante, ele fala que quis escrever, mas ''o correio andou arisco''. Arisco? Só em 1976, quando a música foi composta. O correio, neste 2005, virou caso de polícia, minha filha. Valem mesadas que variam de R$ 3 mil, que um diretor de somenos embolsou no maior descaramento, a R$ 400 mil, que o general da banda, o ex-gordo Roberto Jefferson, garantia para o seu PTB. É mole ou quer mais?

Pena você não ter assistido ao depoimento do Jefferson na Comissão de Ética. Muito bem ensaiado, dramático ou cômico, dependendo do momento, falando firme com aquele vozeirão que empresta ao bel-canto nas suas horas de lazer, foi anarquizando um a um. Encurralou o Zé Dirceu, afagou o Lula porque não é besta, livrou a cara do Delfim, porque este também é peso-pesado e tem história, arrasou com o Waldemar Costa Neto, enfim, pintou e bordou e terminou confessando um crime eleitoral que, como tudo por aqui, também deve ir para a mesa da cantina. Tudo isso envergando uma inacreditável camisa lilás, acompanhada de gravata do mesmo tom. Ui! E não é que deu certo? Você acredita que pipocam pela cidade do Rio de Janeiro faixas com os dizeres ''eu acredito em Roberto Jefferson''? Pois é, coração.

Queria que você tivesse ouvido as justificativas para as indicações de cargos: ''a diretoria do IRB é da cota do PTB'', ''diretoria dos Correios é nossa também'', por aí. Querida, cargos que pagam o salário do indicado e, de quebra, rendem milhões ao partido que indicou o felizardo. Não é um país sério. Não é mesmo. E o mensalão para convencer nego a votar a favor do governo? Um horror! Ninguém merece um achincalhe desses. Nenhum assalariado sério, pelo menos. E a gente ainda é daquele tempo da Maria Candelária, a doidivanas, que caiu de pára-quedas na letra O. A letra, agora, é R: de rapinagem, de roubo, de revolta, R de Roberto, o dono da voz.

E, pra dar um toque mundano, digamos assim, a esta epístola: o primeiro grande mentor do Jefferson, nosso ex-presidente F. Collor, chutou a moça de Canapi (e escapou ileso contra todas as expectativas), arranjou uma namorada de 28 aninhos e, glória das glórias, divide a capa da última Caras com o mais novo amor da Cicarelli. É ou não é a cara do Brasil?

Enfim, amiga, o espaço é curto e vou me despedindo por aqui. Com mais um verso do Chico: ''apesar de você, amanhã há de ser outro dia''. Vamos ter fé. Receba o beijo saudoso da amiga, Anna.


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[18/JUN/2005]


   Home > Colunas > Anna Ramalho


Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | JB Barra | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem
Acelera | Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas