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A canja da madrugada


Muito antes de Itamar Franco chegar à presidência da República, já conhecia de nome um de seus points prediletos, o restaurante Faisão Dourado, em Juiz de Fora. Ainda no início da minha carreira, trabalhava com Fernando Zerlottini na coluna de Carlos Swann, no Globo, ele um juiz-forano de boa cepa, amigo do Itamar e freqüentador assíduo da canja da madrugada do Faisão, em companhia de nomes ilustres da imprensa, da política, da boêmia, como Geraldo Mayrink, Fernando Gabeira, João Medeiros Filho, Leda Nagle, Sueli Costa e por aí afora. Morando no Rio e, como colunista, convidado para festas importantésimas e restaurantes estreladíssimos, o Zerlô jamais tirou o Faisão da alma e leva a canja, até hoje, como a sua madeleine proustiana.

Pois bem: inaugurado há 58 anos e, ultimamente, meio caidinho, o Faisão Dourado foi reinaugurado ontem, com pompa, circunstância, e a presença do embaixador Itamar, que largou temporariamente a Piazza Navona pra cair na Rua Halfeld dos seus afetos, graças ao novo sócio da casa, o empresário Omar Peres, o Catito - que aqui no Rio fez mais ou menos a mesma coisa, reabrindo a Fiorentina, no Leme.

O Catito é engraçado: empresário de múltiplas atividades, não chega a ser um notívago daqueles inveterados, nem tem aquela veia boêmia que a gente imagina que tenha quem se mete num negócio desses. De repente, assim do nada, ele cisma com uma coisa e faz. Foi assim com a Fiorentina, uma espécie de homenagem que ele prestou ao falecido padrasto e homem da noite dos anos dourados, Sílvio Hoffman.

Está sendo assim com o Faisão, que vai virar seu salão de festas, uma vez que ele está morando em Juiz de Fora, com incursões eventuais ao Rio.

Curiosamente, o Faisão tem em suas paredes autógrafos de muitos famosos, tal como na Fiorentina. Estive lá com ele, em novembro, e examinei várias: Tom Jobim, Oscar Niemeyer, Tim Maia, Nana Caymmi, Pedro Nava, Ziraldo, os meninos do MPB-4 e Chico Buarque, Leda Nagle, é claro, e muitas e muitas outras, de que não me lembro agora. Mas me lembro da última: uma caricatura do mais antigo garçom da casa, feita e assinada no ato pelo grande Chico Caruso, nosso companheiro de viagem.

A canja do Faisão já é história. A ela, pois.


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[07/JUN/2005]


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