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Fetiche da Vila

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Fetiche da Vila


Se Noel Rosa vivo fosse, não ouviria mais o apito da fábrica de tecido que feria os seus ouvidos lá em Vila Isabel, onde quem era bacharel não tinha medo de bamba. Só ia ouvir tiro. A Vila de Noel e do Martinho é, hoje, território de bala perdida. Bambas e bacharéis estão no meio do fogo cruzado. Pelos cálculos do editor Léo Christiano, também morador do bairro, chegam a 200, 300, talvez, por dia, as balas disparadas ao léu (sem trocadilho, please) pelas outroras pacatas ruas do bairro. A desculpa do chefe de polícia local é a de que o tiroteio tem de ser assumido como medida preventiva, para aterrorizar os bandidos do morro. Interessante, isso. Como se a bandidagem, tão entretida com a lucrativa venda de drogas, com a organização de suas quadrilhas assassinas, tão empenhada em desmoralizar dia após dia o lado são da polícia, estivesse acuada, morrendo de medo. Só rindo. Pra não chorar.

O fato é que Vila Isabel só vive em paz nos sambas de Noel e na descarrilada novela América, em que o ex-inspetor Gomes consegue impor a ordem pelo menos na sua venda, né não? Porque o Martinho, o maioral da Vila, que lá tem sua casa, recolheu-se à Barra da Tijuca, onde construiu um pied-à-terre. Há mais de três meses não pisa no bairro do coração. Não pode, não tem sossego. E aí, Dona Garotinha, vai fazer alguma coisa ou vai ficar só no chororô da inelegibilidade?

Este Rio de Janeiro tão lindo, tão amado, abandonado de pai e mãe (não são os Garotinho os pais do Estado?), não está mais conseguindo segurar muitos de seus filhos que encontram condições de migrar. Mais um está partindo, fiquei sabendo: o respeitadésimo tarólogo Namur Gopalla vai mudar-se para São Paulo. Se quem tem o dom de ver o futuro está se mandando, acho bom nós, os pobres mortais, começarmos a tomar algumas providências. Encomendar a alma a Deus seria a primeira delas. A outra, bem, a outra, votar em governantes à altura do Rio, quando 2006 chegar.


Em sua vilegiatura pela Coréia do Sul, o presidente Lula da Silva - sempre muito bem-humorado e descontraído quando está a léguas do país que jurou governar - ganhou ginseng, a mágica raiz oriental, que, como lhe informaram, tem tremendos poderes afrodisíacos. Sua Excelência agradeceu com o gesto que pode ser traduzido como aquele grito do He-Man: ''Eu tenho a força!!!''. Pelo sorriso radiante de Dona Marisa, a Galega, o homem deve ser espada mesmo. E com aquela máscara coreana, fetiche puro, valham-me todos os santos!

Se não vier abaixo, a Granja do Torto vai tremer. Ui!


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[28/MAI/2005]


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