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É o amor


Duas amigas, de épocas distintas da minha vida, ambas já no segundo casamento, no mesmo fim de semana, me comunicam que terminaram seus longos relacionamentos. E, o mais impressionante, estão numa boa. Felizes até. Os companheiros eram gente direita, portanto não estão se separando de cafajestes, espancadores, cambalacheiros ou coisa que o valha. Ambas dizem que estão mais felizes sozinhas, que ganharam com o rompimento. Uma delas, mais radical, diz ter concluído que não mais consegue conjugar verbos na primeira pessoa do plural. Ficou tanto tempo sozinha antes de embarcar nesta segunda experiência que desabituou, tomou alergia a qualquer traço do caráter do outro que lembre marido, controle, sentimento de posse.

Semana passada, um amigo me telefonou. Depois de algum tempo, papo vai, papo vem, a pergunta: ''Namorando muito?'' Necas de pitibiribas, respondi. Ando com outras preocupações. Muito trabalho, muita coluna pra escrever, pouca vontade de ser distraída pelas armadilhas do amor. Muito pouca vontade de ser mais uma vez atraída por aquele homem especial que vai me arrastar para o perigo que representa aquela temporada de seis meses de paixão absoluta, de só pensar naquilo e o resto que se dane, pra depois, logo depois, cair naquele ramerrame, naquelas confusões, naquelas crises existenciais, naquele momento inevitável de discutir a relação, naquelas lágrimas em cascata, no rompimento.

Curiosamente, acho tudo isso - e penso que minhas duas amigas também -, mas sinto falta do estado de paixão, tenho nostalgia do brilho nos olhos, sinto uma inveja santa de quem está dando muito beijo na boca ou festejando 30 anos de casamento, como a Maninha e o Leleco fizeram no sábado passado. Assim vale a

E então dou com a declaração da semana, feita pela jornalista Ana Paula Padrão, que largou a Globo, não apenas pelo magnífico salário de R$ 250 mil mensais. O vil metal falou grosso, é claro, mas ela jura que largou a bancada do Jornal da Globo em nome do amor: ''Emprego a gente encontra outro, marido está difícil''. Claro está que divorciou-se da Globo, que dificilmente vai receber a traíra de volta. Tudo bem. Com um salário desses dá pra fazer um pé-de-meia legal. O casamento com Silvio Santos pode até não dar certo. A gente sabe que muita coisa não dá certo no reino do SBT. Em compensação, o maridão vai ter que rebolar, pisar miudinho, jogar tapete vermelho, fazer das tripas coração, porque esta foi a maior declaração de amor dos últimos tempos.


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[24/MAI/2005]


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