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Projac não é Hollywood


O supremo mandatário da nação foi curto e grosso: a ordem, agora, é mexer o traseiro. E muito, de preferência. O efeito foi de rolo compressor. Dois dias depois, recebi telefonema do Ziraldo, o novo editor do B, repassando a ordem de Sua Excelência: agora, ao invés de uma crônica por semana, Dona Ramalho, serão três. E Dona Ramalho, que não é louca, que obedece sempre porque tem juízo, tratou de mexer o seu traseiro rapidinho. E que Deus o proteja, né não?

Traseiros à parte, quero dizer o seguinte: breguice - teu nome é showbiz tupiniquim. Não adianta a Globo querer dar ares hollywoodianos, oscarianos, às suas festas, porque o elenco não colabora. Ali, não tem personal stylist que dê jeito porque a maioria não tem sequer style. Não estou aqui pedindo uma reedição da Audrey Hepburn porque seria pedir demais e já vou dizendo também que há exceções: Tonia, Fernanda, Marieta, Segal são algumas delas. A Casé tem estilo, assim meio Frida Kahlo, mas tem. Agora, se a Regina Duarte, por exemplo, prestasse atenção no lance, jamais levantaria o longo (e bonito, aliás) vestido vermelho, deixando à mostra uma esportiva sandália preta de quinta que nada tinha a ver com a formalidade do traje. Pra não falar da Xuxa, que mais parecia um ebó mal arriado, cruzes!

A Ivete Sangalo é outra. Ela até tem o seu estilo quando está a bordo daqueles barulhentos trios elétricos do carnaval baiano, mas quem foi que deixou a moça, em que pesem as suas belas pernas, se enfiar num modelito shortinho-camiseta-salto-alto-rabo-de-cavalo pra dar pinta numa festa que se pretendia tão formal? Breguice é isso, o resto é conversa fiada.

Outra coisa: tudo bem que a cidade é violenta, que bandido não livra a cara nem de global, mas não dava para as mulheres usarem umas jóias mais tchan, mais importantes? Em Hollywood, onde tudo começa e termina em termos de showbiz, aquelas bonitonas todas pegam jóias emprestadas no Harry Winston, no Bulgari, na Cartier.

O povo quer ver glamour, quer sentir poder - e não é com aquela correntinha pobre, com aquele brilhantinho micro que elas todas usam, que neguinho vai se impressionar. Não é mesmo. Neste quesito, brilha em todos os sentidos - e inclusive em outra emissora - Dona Hebe Camargo. E consta que não pede emprestado, não. Compra tudo. Quem pode, pode. Quem não pode - ou não quer - paga mico no palco.

E quem achar que estou de implicância, pode folhear as revistas de celebridades que costumam chegar às bancas nas quartas-feiras, portanto, amanhã. Vai ser o revival da breguice - e a oportunidade de conferir o tamanho da distância que separa Hollywood do Projac.


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[03/MAI/2005]


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