E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Informe JB
O tucano, o petista e a disputa em 2006

Cartas
Juros

Horóscopo

Gente
Bom para o moral

Charge Online

Marcia Peltier
SOS Atlântica

Informe Econômico
Governo do Rio na camisa

Boechat
Entra e sai

Hildegard Angel
Fazendo a América

Ui!
Aquecimento

Anna Ramalho
Oh la la la, c'est magnifique!!!!

Informe Esportivo
Governo do Rio na camisa

Exposição Coletiva
Mostras no Centro da cidade

 


Oh la la la, c'est magnifique!!!!


Paris, dez da noite, domingo de Ramos. Como boa cristã que sou, e já que este domingo é tão marcante para os católicos, fui assistir à missa solene naquele esplendor gótico - indescritível, inenarrável, que é a Catedral de Notre Dame. O ofício, presidido pelo cardeal-arcebispo de Paris Georges Cottier, foi daqueles momentos sublimes, inesquecíveis, uma emoção a ser guardada para sempre. Na retina e nos tímpanos, já que os fiéis foram brindados ainda com um coro que interpretou o emocionante Salmo 42 de Mendelssohn.

Confesso que chorei de emoção. A Igreja Católica tem lá os seus defeitos - enfim, quem não os tem? -, mas, durante a missa, mais uma vez, dei graças ao Bom Pai. Por tudo, de um modo geral. Especialmente e, atenção, com todo o respeito, por não fazer parte do rebanho evangélico. Tenho cá pra mim que aquelas cantorias, aqueles testemunhos catárticos, exagerados, não fariam muito a minha cabeça, não. Sei lá: tudo me parece tão over quanto aquelas visões do Apocalipse de que as freiras mais atrasadas do colégio lançavam mão para apavorar aquele bando de adolescentes rebeldes. Ui, cruz credo!

Não estou de férias, antes que neguinho aí se mate de inveja deste séjour parisiense. Vim passar uns dias aqui antes de rumar para Lisboa, onde me aguarda tarefa que se anuncia agradabilíssima: colher depoimentos e reunir dados para organizar o livro dos anos dourados do empresário André Jordan no Rio, antes de ele partir para Portugal, onde conheceu a fama, o sucesso, o respeito, pelos empreendimentos imobiliários que concebeu. Ainda menino, André saiu da Polônia para o Rio, fugindo da guerra, e por nossa terra ficou em seu melhor tempo. Basta dizer que ele esteve na Bossa Nova, no Cinema Novo, na Arquitetura Nova. Freqüentou os melhores e mais nobres salões (era enteado de Josefina Jordan, a grande dama); conheceu o crème de la crème do Brasil, testemunhou o nascimento de Brasília. E, um dia, partiu. Agora, este gentleman, este cidadão do mundo, quer prestar uma homenagem à cidade que o acolheu. Vem coisa boa por aí, podem crer. Enquanto vocês aguardam, revelo o título, que é pra dar água na boca: Foi o Rio que passou em minha vida. Sua bênção, Paulinho da Viola!

Paris continua uma festa. E que festa! Carésima, proibitiva, indecorosa quando o assunto é dindim, mas vale cada centavo deste fortíssimo euro. Trouxe comigo minha irmã, a Bel, que cá não punha os pés há mais de 30 anos. Temos nos divertido muito. Nada como uma boa irmã. E nada como uma boa irmã pra desencavar histórias que já estavam perdidas no tempo. Hoje, rimos muito com uma delas. Quando aqui estivemos juntas, em 1972, numa daquelas infames excursões de adolescentes, ficamos num hoteleco de quinta, perto da Gare Saint Lazare (hoje estamos hospedadas no apartamento da minha amiga Marcia Barrozo do Amaral no 16.ème, uau!). Numa noite, perdemos o sono porque, em telefonema para o Brasil, ficamos sabendo da morte de Sérgio Cardoso, o inesquecível ator. Vira daqui, vira de lá, resolvemos, então, sair para tomar uma soupe à l'oignon no Pied de Cochon. Antes disso, porém, o ritual daquela época: desfazer a touca. A touca é uma avó da escova progressiva: ao invés desse líquido fedorento que passam hoje para alisar os cabelos, pinças ou grampos, daqueles bem vagabundinhos, garantiam uma cabeleira tão lisa quanto os negros cabelos de Iracema das asas da graúna. Outro ritual das meninotas da época era passar o creme contra acne. Era um creme branco feito um leite de magnésio que, juravam os dermatologistas, garantia uma cutis de Catherine Deneuve, a Bela da Tarde. Que horror, né? O tempo passa inexorável e a gente fica aqui com saudade das espinhas na cara e sem ter conseguido chegar nem perto da Catherine Deneuve. Ui!

Encontrei a Flora Gil no avião. Doce de pessoa. Antenada, esperta e direta, como não poderia deixar de ser, sendo mulher de quem é. O ministro Gilberto Gil é o melhor quadro do governo Lula da Silva (como estou em Paris, e por falar em quadros, ele é, assim, um Monet). Sem o menor favor. Literalmente, é o ministro que canta e encanta. Voltando à Flora Gil: é uma mulher direta, que também encanta, embora não cante. Quando nos cruzamos, foi logo me perguntando: ''Você é do bem?'' Adorei a abordagem. Gosto de gente assim. E também tenho cá minhas dúvidas se alguém responderia que é do mal.

Apesar de a gente saber - vocês, a Flora Gil, minha mana e eu - que o mundo tá assim ó de gente cabulosa, que só pode ser do mal. Mas não quero saber dessas pestes agora não. Deixa eu aproveitar Paris. À bientôt!


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[22/MAR/2005]


   Home > Colunas > Anna Ramalho


Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | JB Barra | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem
Acelera | Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas