É inacreditável, mas infelizmente é a pura verdade: o deputado Édino F. Fonseca, do também inacreditável Prona do Enéas, apresentou o projeto de lei n° 717/03, que preconiza a criação do
Programa de auxílio às pessoas que voluntariamente optarem pela mudança da homossexualidade para a heterossexualidade. É isso aí mesmo que vocês leram: o máximo em matéria de intolerância, discriminação, preconceito e violência. Nooojeeento, como diria o finado Tião Macalé, com aquela graça desdentada que só ele tinha.
Amanhã é dia de votar, gente. Este senhor está eleito, nada a fazer, mas ainda se pode fazer alguma coisa em futuro próximo. Não votar no Prona, por exemplo. Banir esse tipo de reacionário do cenário político nacional. De vez. Xô!
Isso em termos ideais. Em termos práticos, o movimento BASTA! - que tem em sua coordenação inúmeros psicanalistas - vai entrar na briga contra tamanho despautério. Vão se mobilizar e tentar carregar a sociedade a reboque de sua indignação. Como mesmo o BASTA! tem seus momentos de ceticismos e incertezas, seus dirigentes já resolveram: se o absurdo for levado adiante, vão sugerir que a parte medicamentosa do tratamento de mudança de sexo fique a cargo da linha farmacêutica das Organizações Tabajara.
Bussunda neles!
Etambém porque amanhã é dia de votar, não custa lembrar que, enquanto o pau come no Rio - dia após dia, do Morro do Juramento ao Leblon - nosso secretário de Segurança não apenas se licenciou para cuidar da eleição de seu povinho, como ainda se dá o luxo de cantar hits da linha gospel em showmício. Não dá, né não? Por vários motivos: entre todos aqueles que a gente já sabe, acrescente-se que Sua Excelência é rouco juramentado. Não é como a Rosinha, tão afinadinha que encara até dueto com o Elymar Santos, ui! O Garotinho, coitado, se fosse calouro do Chacrinha, tinha levado a buzina antes de terminar a primeira estrofe. Apesar de ser amigo do Leleco. Garotinho trinando, vamos combinar, nem a apaixonada Rosinha agüenta.
Agente já sabe que dá de tudo em campanha eleitoral, que nego faz qualquer papel. Mas o que era a foto do Cesar Maia praticando tai-chi-chuan? Ninguém merece. Pior é se o homem se interessar à vera pelas artes marciais e criar um samurai-factóide. Já imaginaram? Não vai prestar.
Também já não suporto mais o rechonchudo Conde, com aquela voz de baba-ovo, aquela língua presa, sempre chorando mágoa, um porre! Este a gente nunca vai ver no tai-chi-chuan - ou em qualquer outra atividade física, diga-se de passagem. O homem detesta malhação, tá na cara.
Do Crivella nem falo: tenho medo de incorporar aquele espírito e virar uma bíblia gorda. Ou ir parar num daqueles empreendimentos dele, Fazenda Canaã, sei lá eu... Cruzes!
Quanto ao resto, bom, o resto, como a gente sabe, é traço. Portanto, amanhã, seja o que Deus quiser. Amém.
Ontem, indo para o jornal no Centro da cidade, vi centenas de moças e rapazes abanando bandeiras dos candidatos. Outras centenas andam pelas ruas distribuindo santinhos. Isso me deu o que pensar: a partir de domingo, todos eles voltam para o desvio, coitados. Enquanto os políticos vão fazer caixinha com suas sobras de campanha, seus cabos eleitorais vão virar as sobras da campanha.
Já há duas semanas estou pra falar nesse assunto, e acabo esquecendo (é a esclerose em estado avançado, nada a fazer). Senhora do Destino é outra novela desde que nela entrou a Elisângela. A moça está arrasando como a vadia vulgaríssima, companheira da Nazaré dos tempos de safadeza explícita. Da Elisângela pode-se dizer sem susto: é atriz desde criancinha, porque é mesmo. Desde quando era auxiliar de palco do Capitão Furacão. Neste papel, ela, mais uma vez, vem dando um banho com a Djenane: o toque certo da vulgaridade, ao mesmo tempo em que estabelece uma imediata empatia com o telespectador. Bravo!
Como nem tudo é perfeito nem em novela, o que é a pobre da Maria Maya, que até representa direitinho, de rainha da bateria? Magrela daquele jeito e com aquele gingado de quinta, só se fosse rainha da bateria do Fome Zero.
Fica a sugestão para a animadíssima escola de samba acadêmicos do PT usar no carnaval que vem. Bum bum, paticumbum, prucurundum, oba!.
Well, esta é a última crônica que escrevo para o JB Barra. Como aqui estarei com a Ui! e Tudo de Bom, os chefes acharam por bem transferir essas mal traçadas linhas para o Jornal do Brasil edição nacional. Uau!, amei o upgrade.