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Do fundo do baú


Foto de Marcelo Piu

Quando me mudei para a Barra, em 1977, o bairro era praticamente deserto - toda aquela beleza de céu, mar e sol esparramada para alguns privilegiados. A Sernambetiba ainda não tinha pista dupla, só havia duas farmácias nos arredores, o Carrefour mais longe e o Três Poderes mais perto, o Bob's, o Dina Bar, a Tarantella, o bar do Oswaldo. Por aí... Mas já tinha, desde 1970, o tal do Athaydeville e suas destoantes torres e a antipatia do bairro em geral pelo construtor daquele pavor: Múcio Athayde. Desde os tempos em que eu trabalhava em publicidade, ouvia falar horrores deste senhor, que, aliás, não conheço.

Sei é que ele, desde 1970, vem levando os incautos que embarcaram no empreendimento à loucura. E que, com tanta confusão, o Athaydeville acabou virando uma espécie de Rajá da Barra. Não sei se chega a ter oficina mecânica no corredor, mas que virou point de atividades menos nobres, lá isso virou.

O que não sabia, e jamais poderia imaginar, é que Athayde vem a ser marido da Miss Brasil Staël Abelha, mineira de Montes Claros, eleita em 1961, que renunciou ao mandato pra casar com o dito. Ah, o amor!

Notícias recentes, entretanto, dão conta de que a bela Staël vive reclusa em sua cidade natal. Depois de tanto amor, virou a Greta Garbo das Alterosas. Tudo a ver: com um casamento desses, só sumindo mesmo, né não?

Quanto ao Sr. Athayde, me conta um amigo de Montes Claros (eu também tenho amigos em Montes Claros, tá bom?), foi um choque para a cidade o estranho comportamento e as trapalhadas que criou. Em sua juventude, o homem foi até seminarista. Cruz-credo, valha-me Deus!

OEscadinha já não está mais aqui, foi liqüidado do jeito que foi em plena avenida Brasil, e eu fiquei me lembrando de uma historinha que causou o maior frisson no society carioca, quando o meliante, ousadésimo, fugiu de helicóptero da Ilha Grande, no dia 31 de dezembro de 1985.

Engana-se quem pensa que o marginal tomou o rumo do Morro do Juramento, onde mandava e desmandava: Escadinha, que tinha um tórrido affair com uma conhecida - e casada - dama da sociedade carioca, ficou em companhia dela, no bem-bom, hospedado numa cobertura em Copacabana, de propriedade de uma outra dama, que se sensibilizou com o Romeu e Julieta bandido.

É verdade, podem crer. Na época, todo mundo sabia que todo mundo sabia e ninguém dizia nada. Em respeito à dama e principalmente a seu marido, mas também com receio de um tiro certeiro.

Oprefeito Cesar Maia, numa de suas mais desastradas declarações nesses tempos eleitorais, disse que aterrorizava os netos ameaçando chamar a Jandira Feghalli. Mau gosto, agressão gratuita, pegou muito mal.

Agora, eu juro que conheço uma criança de 3 anos que chora histericamente e grita de pavor a cada vez que topa com o Enéas do Prona na telinha. Pode ser que eu esteja incorrendo no mau gosto que critiquei em nosso alcaide, mas juro que é verdade. Não é factóide não, porque essa é a praia do Cesar. Conheço o menino, que se chama João Miguel e mora no Leblon. E o pesadelo dele é o Enéas.

E já que estamos nessa área, a Dona Suplicy anda dando tanta porrada no franzino Serra nas ruas de Sampa que já, já, vai ter que retocar a plástica. O Botox vai derreter, o aplique dos cabelos vai cair. Essas coisas falsas não suportam cacete, não. E, afinal, o Serra, nesses quesitos, está na dianteira: é careca e enrugado assumido.

Mas, do jeito que vão as coisas por lá, Dona Martha pode encarar novo mandato e, com a mesma disposição, correr para retocar o Botox da posse. Com o apoio explícito até demais do presidente Lula, com tantas promessas mirobolantes para o povo de São Paulo, a loira (paulista só fala loira) já pode correr pro abraço. Com o Gardelón do lado, por supuesto.

Às artes, senhoras e senhores, já que se anunciam dois programões de responsa neste Rio de Janeiro. Estreou semana passada, ainda não vi - mas vou correndo - a peça As Pequenas raposas, de Lillian Hellman, que tem elenco maravilhoso: Beatriz Segall, Sérgio Britto, Joana Fomm. Um luxo! No cinema, foi A malvada, com Bette Davis arrasando como a Regina, que la Segall representa no Centro Cultural do Banco do Brasil. Quem tiver curiosidade de ver o filme, pode ficar de olho na programação do Telecine Classic - volta e meia o canal reapresenta.

Só o convite já me deixou ouriçada para a estréia de A dona da história, dirigida e produzida por Daniel Filho. Nele, uma linda foto de Marieta Severo e do Antonio Fagundes, dois dos meus atores favoritos. Que são acolitados pelos belos do poder jovem: Rodrigo Santoro e Débora Falabella. A première será terça-feira, aqui na UCI, só pra convidados. Não perco por nada desse mundo.


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[25/SET/2004]


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