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Porque teria, no dia seguinte, um coquetel em homenagem ao empresário André Jordan, um carioca que há mais de 30 anos trocou o Rio pelo mundo e, mais adiante, por Lisboa, andei folheando um livro que ajudei a fazer em 1983 e onde sabia que encontraria personalidades convidadas para a recepção no Consulado de Portugal: Ibrahim Sued - 30 Anos de Reportagem. Do Turco, meu querido amigo e mestre, falarei em outra ocasião. Do André Jordan, idem.

Relendo, porém, o livro - uma rica e numerada edição da Nova Fronteira - deparei com uma foto que me deu o que pensar. No instantâneo, a Imperatriz Farah Diba, esplendorosa, de vestido de baile e tiara de brilhantes, aparecia agachada numa balaustrada do Palácio Guanabara, prestes a dar um beijo num menor carente, afro-descendente (para respeitar a nomenclatura da globalização). Acima dela, sorrindo e envergando a casaca de praxe e suas condecorações, o anfitrião da noite e então governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda. Ano: 1965. Não sei se preciso relatar o que senti. Dizem que a gente não deve voltar ao passado, que o que importa é o agora, que o amanhã a Deus pertence. Sei não. Só posso dizer que me bateu uma nostalgia tremenda, uma saudade imensa, uma vontade enorme de saber o que será o amanhã. Porque hoje, naquela mesma balaustrada, daquele mesmo Palácio, no Estado do Rio de Janeiro, a situação é escalafobética. A imperatriz dançou, com tiara e tudo, o Reza Pahlevi foi pras cucuias, idem para a aristocracia, a UDN, o golpe militar. Lacerda está morto. Reinam no pedaço os inhos. E suas conseqüências. Ideologias à parte, é de cortar o coração.

Olho para a foto e canto o samba do Ataulfo Alves: ''eu era feliz e não sabia''.

No meio de todos aqueles assessores regiamente pagos, aqueles políticos de gabinete todos tão safos, aqueles conselheiros de todas as horas, alguém poderia fazer a caridade de avisar ao presidente Lula da Silva que, depois do episódio Larry Rother, Sua Excelência não pode nem passar perto de vinho de missa na hora da comunhão? O que dizer de posar, na maior, com garrafa de pinga na mão e boné de propaganda na cabeça, invocando qualquer tipo de força para os produtores de cana. Com o devido respeito, nem 51, nem 15, nem 17 ou 24. É cana, tô fora!, deveria ser o slogan do presidente. Vai que a foto publicada quinta-feira nos jornais do país aparece no New York Times... Não vai prestar, não.

Opaís está grávido. E, o pior, já, já começa a enjoar. Ou alguém tem alguma dúvida de qual será o assunto dos próximos oito meses? A gravidez de Angélica e de Luciano Huck, é claro. Emblematicamente, o futuro pai comunicou a chegada da cegonha no Criança Esperança, em pleno ar, deixando sem fala até o Louro José, que não costuma se espantar com coisa alguma a essa altura do seu poleiro. Daqui pra frente, a gente já sabe o que vai ser: primeiro, os enjôos da Angélica; depois, a primeira ultrassonografia; adiante, o suspense sobre o sexo do baby, que a mãe torce para que seja mulher; por volta do quinto mês, o sexo definido. Tudo isso mais as inevitáveis capas de Caras, as reportagens sem conta sobre todos os pequeninos detalhes do quarto da criança, muito chá-de-bebê, muita conversa sobre sapatinhos e enxoval, muito brinquedinho, muita fralda, muito nhém-nhém-nhém, como diria o FHC.

Ninguém merece. Enfim, só pra gente se consolar um pouco, estava mais do que na hora de uma criança para substituir a Sasha Xuxa, que até poliglota já é. Yes, my best!

Pode ser que a Luana Piovani, que também será mamãe, roube um pouco a cena da Angélica. Pode ser, mas duvido. A linda Piovani é rebelde, não tem papas na língua, e escolheu para pai de seu rebento um rico herdeiro paulistano, sem nada a ver com o meio artístico. Gosta de Caras, mas não ama as coxias, sabe como é que é? Gosta de aparecer dando as suas tacadas - no pólo e na vida, e é só. Mansur/Piovani vai dar assunto também, mas aposto que bem menos do que o casalzinho global - que está, inclusive, anunciando mais uma capa (ou edição especial, se bobear) de Caras: uma cerimônia de casamento daquelas de sacudir o Brasil do Oiapoque ao Chuí. Angélica com romântico e rico vestido de noiva, Huck de peço a palavra, cravo na lapela, Sasha Xuxa de demoiselle d'honneur, muita valsa, muito bolo, muita lua-de-mel na Ilha de Caras, e estamos aí. Oba!

Felizmente, ambos os casais têm situação financeira estável. Remember Simony e suas revelações - e ultrassonografias - ao vivo e em cores para todo o Brasil. E, coitada, sem direito sequer ao fraldário da Ilha de Caras.


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[14/AGO/2004]


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