Não, eu não vou começar falando do porre nacional que embebedou a Nação essa semana. Prefiro começar contando a emoção de assistir, ao vivo e em cores, à canja que Edu Lobo deu, no fim de semana passado, no show de Zizi Possi, no Scala. Tudo de bom, de lavar a alma. Pra ficar no tema dos últimos dias, um porre de felicidade. A Zizi é maravilhosa, canta como um anjo, desfila um repertório bem escolhido, tem uma filha, Luiza, que promete - e que também deu canja. Mas, com Edu no palco, não teve pra ninguém.
Quase sessentão, ninguém diz, ainda que os lisos cabelos não lhe caiam mais sobre o rosto como nos tempos de Ponteio. Elegante, mantém a silhueta daqueles tempos e a sobriedade no vestir, coisa de menino bem nascido que ele foi, aluno do tradicional Colégio Santo Inácio. Tímido, ficou um tanto gauche com a barulhenta manifestação da platéia, que gritava e batia nas mesas pedindo sua volta ao palco, em manifestação digna de fã-clube de Chitãozinho e Xororó. Entoado - como diria minha avó -, voz agradável, cantou com Zizi aquela maravilha que é Beatriz, letra belíssima do Chico para uma das mais sofisticadas harmonias da história da MPB. Antológica.
Edu é um arraso. Sempre foi. Liza Minnelli que o diga.
Meninos, eu vi: foi numa noite na casa de Maria Helena e Alberto Reis, em São Conrado, organizada pela Anna Tornaghi, velha amiga da cantora. Chovia muito e pelo menos umas duas teclas do piano estavam mudas. Assim mesmo, Francis Hime tocou, Olívia cantou, a noite corria agradável, até que Edu sentou ao piano e mandou ver. Liza, com o Cabaré ainda na alma, se apaixonou no ato. E cantou Stormy weather, enquanto a tempestade real caía lá fora. O resto é história. E deu muito o que falar por um bom tempo. Mas, voltando ao sucesso no Scala, é bom a gente ver a continuação do Edu em seu filho com Wanda Sá (outra maravilhosa e sensível cantora), o Bena Lobo - também aplaudindo o pai na platéia, em companhia das irmãs Bel e Mariana. A alcatéia completa, nas palavras de Zizi Possi.
A moral dessa tietagem toda: é só fazer bons shows da boa MPB que o público está lá. E boa música é o que não falta nesse país - bêbado ou não. Portanto, parabéns pro Chico Recarey, que deu um tempo na jogatina pra nos dar o melhor da música. Bingo!
Ex-editora da Vanity Fair, Sally Bedell Smith lançou este mês, nos Estados Unidos, o livro Grace and Power: The Private World of The Kennedy White House (Graça e Poder: o Mundo Particular da Casa Branca dos Kennedy), do qual fez um resumo para o último número da revista. São páginas e páginas sobre a vida do casal e de seus filhos, do importante trabalho de restauração que Jackie fez na Casa Branca, a escola particular que montaram para os filhos e à qual tinha acesso meia dúzia de crianças, todas muito ricas, of course , escolhidas para coleguinhas de Caroline e John-John, as viagens de férias, os amigos mais íntimos, as festas pequenas e as grandes recepções. E, ao final, a conclusão de que os Kennedy, apesar dos pesares, apesar das paqueras e dos casos dele - que ficava fora de controle quando o assunto era sexo - conseguiram fazer da Casa Branca seu refúgio particular, a Camelot sempre tão lembrada quando se fala no casal.
Pois é... Já por aqui, Camelot está mais pra saudosa maloca, né não? Vou contar uma coisa: depois do Edu, da Zizi, de ler a Vanity Fair, acordo, folheio os jornais, e a impressão que tenho é a de que estou de porre. Só pode ser. Como se não bastasse toda essa conversa sobre as libações etílicas presidenciais, a expulsão do jornalista americano, o senador da oposição dizendo que o presidente age como ditador de republiqueta de bananas, o Planalto comprando 600 copos para bebidas diversas (hic), ainda vem o Itamar e tem o topete - com trocadilho, por favor - de pedir a cabeça do Palocci. E aí o chanceler diz que está pensando em mandar o topete de volta para Washington. Peralá, pra Washington? Logo pra lá?
Fico aqui imaginando como o Collor (toc, toc, toc) deve estar se divertindo com essa jequice toda. Nos tempos da Casa da Dinda, o uísque Logan corria solto e a crítica era, quando muito, quanto ao esnobismo da marca. Foi a bebida oficial daquelles tempos, um símbolo do absurdo, tal como o jet-ski e as cachoeiras e cascatas..
Enfim, minha gente (como dizia o supra-citado), só bebendo pra esquecer. Foi então que dei de cantar sem parar aquela marchinha ''Chegou a turma do funil/ todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto/ nós é que bebemos e eles que ficam tontos''.
E enquanto essa novela não chega ao seu fim e já que o porre foi nacionalizado, vou ali tomar meu uisquinho com soda e tratar de ficar bem quietinha. Fingindo de morta. Antes que eu tenha que cantar, como o Edu, ''adeus, vou pra não voltar...''.