Trabalhando o novo CD,
Programa , que acabou de apresentar em turnê no nordeste, Lulu Santos encontra espaço para divagar nesta coluna sobre os vários Rios de Janeiros que existem. O artista usa e abusa de seu lado criativo para pôr no mercado seu recente trabalho musical.
Programa é uma coleção de canções que foram vestidas de acordo com o estilo idealizado por Lulu e equipe. Há espaço para o instrumental, o afro, o tecnosambalanço – todos invenções do mago da MPB – que deixou o acústico de lado para aderir ao elétrico. Por não ser chegado a badalação, defende seu espaço como ninguém. "Há uma hora em que você tem que mostrar onde é a sua parede senão você sai esmagado. É tipo um não me apoquenta senão eu destempero", declara Lulu. Deu-se de presente, no meio do ano, uma ida à Rússia para simular um vôo no espaço. Sentiu no corpo e na alma como é flutuar no ar ao sair – literalmente – da gravidade da terra. Próximo a completar 50 anos, o carioca, nascido em Copacabana, e criado no Jardim Botânico, diz curtir a mistura de personalidades que o Rio de Janeiro propicia. Desbravador por natureza, aos 17 anos largou o último ano da escola, na época o colegial, pôs uma mochila nas costas e partiu em busca da estrada da vida. Segundo Lulu, foi sua fase hippie para fugir dos planos do pai de torná-lo um militar. Sua biografia musical começa a ser escrita no início dos anos 80 com o lançamento de seu primeiro compacto, produzido pelo seu criador Nelson Motta. De bem com o destino por escolher ser músico, nesse domingo, estará em Campo Grande participando do projeto Conexões Urbanas – uma parceria cultural da Prefeitura do Rio e do Grupo Afro Reggae. Ele vai apresentar à galera as músicas do 17º CD
Programa e alguns sucessos do passado.
Supercarioca
Cada um tem a análise do seu carioca da gema. Não sei traçar um estereótipo, mas o vejo como menos conformado com a vida. Somos vários num corpo só. Tem o carioca mais light que curtia a vida do paz e amor nos anos 60 e 70. Tem o carioca mais estressado. Tem pra todos os gostos. Nós somos muitos, não somos fracos – lembrei do refrão de uma de minhas músicas.
O melhor
A beleza da natureza é encantadora. Ela gera uma atração física e sedutora aos seus habitantes. Você a ama e a deseja à primeira vista. Fico feliz e extasiado por ter da minha janela de casa a vista do Cristo Redentor.
O pior
O crescimento imobiliário desordenado tanto na classes mais abastadas quanto nas menos favorecidas. Outra coisa deprimente é o trânsito da cidade. O motorista ao entrar no carro adquire um perfil favorecido a estudos por parte de um bom psiquiatra. A maioria vê o transeunte e o outro motorista como inimigo.
Dica
Pegar a estrada e conhecer a região serrana. É um ótimo programa para reabastecer as energias. Meu refúgio é ir para Araras, em Petrópolis.
Inesquecível
Qualquer passeio de avião ou helicóptero pela cidade é maravilhoso. No meu primeiro vôo aos três anos de idade fiquei maravilhado ao ver as montanhas, o mar, a Baía de Guanabara. É uma magia dos deuses!