E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Informe JB
A nova renegociação da dívida do campo

Cartas
José Dirceu

Horóscopo
Horóscopo

Heloisa Tolipan
Furacão Gisele

Charge Online

Marcia Peltier
Na véspera

Informe Econômico
Para além do marketing

Boechat
Para todos

Gilberto Amaral
Reforma 1

Hildegard Angel

Entre amigas
Em busca da paixão

No campo dos negócios
Clubes do Rio à beira da falência

Astrologia da Alma
O signo de libra

Tudo de bom
Na moda

Anna Ramalho
Aquarela do Brasil

Estilo

 


Em busca da paixão


''Seria bom que a gente entendesse como a vida passa rápido e que não dá pra ficar esperando só pelo tempo bom'', suspirou Mariana, com cara de desamparo e o coração em frangalhos. Falando assim, poderia ser apenas um diálogo tipo papo cabeça light, mas é o que a maioria das pessoas pensa: que o futuro seja melhor do que o agora. Elas acabam achando que só lá na frente vão encontrar o pote da felicidade com ouro e mel!

''Encarar apenas o presente é ruim. Acreditar que no futuro tudo vai ficar melhor pode ser uma arma importante para se ultrapassar maus momentos na vida'', continuou Mariana, em sua explanação existencial.

Minha amiga era uma pessoa cheia de qualidades: filha única, cuidou anos da mãe doente. Era boa profissional e amiga, além de bonita. Para outras mulheres, isso poderia ser encarado como uma competição irritante. Porém, Mariana, com seu jeito entre meigo e curioso, foi abrindo as fronteiras profissionais que a transformaram numa excelente advogada. Se a vida profissional estava arrumada, o maior problema dela estava em descobrir como ocupar seu coração solitário e sedento de paixão. ''Quero amar pra valer, ter aquela paixão que faz você duvidar da própria existência se ele não ligar amanhã! Já vi em filmes e em romances, mas nunca experimentei'', suspirou ela com desencanto.

''Então o Marcos não foi nada na sua vida?'', interpelou Rutinha de chofre, quebrando a magia confessional daquele encontro prosaico entre amigas, em um fim de tarde no Arpoador.

Bem, para dar um sentido à história, preciso explicar melhor. O Marcos tinha sido um amor difícil na vida de Mariana. Genioso e cheio de personalidade, ele parecia uma pessoa no início do relacionamento, mas provou ser outra bem diferente com o passar do tempo.

Mariana viveu intensamente o que ela pensava ser um louco amor, por quase dois anos. Depois, foi ficando farta das patadas do namorado. A desatenção e a fala ríspida ao pedir qualquer coisa (até um simples copo de água, por exemplo) corroeram a relação de uma forma lenta, porém definitiva.

Vira e mexa, me pergunto qual é o mecanismo que faz as mulheres ficarem cegas aos defeitos do parceiro, mesmo quando eles são tão evidentes. Somos nós que nos enganamos, ou eles nos enganam de uma forma muito mais sutil do que pensamos?

Já parei de contar todas as vezes em que presenciei amigas choramingando porque aquele ''idiota foi um grosso''.

Sempre entendi que este tipo de relacionamento - ficar com quem nos maltrata - era restrito à adolescência.

A mulher madura deve escolher um homem que a reconheça como parceira e a valorize, comecei a dizer até ser interrompida  por Rutinha como um trator.

Ela - que adorava esses argumentos e sempre me achou mesmo uma tola no quesito amor - mandou bala: ''Você está delirando! Mulher gosta de homem que a faça vibrar. E se ele é um calhorda ou um bruto, muitas nem ligam. Querem a emoção da coisa. Depois, só não pode vir chorando com olho roxo ou hematomas, não. Não vou aturar este tipo de masoquismo de jeito nenhum'', disse ela com uma convicção quase desafiadora, olhando para Mariana.

Do outro lado da mesa, minha amiga parecia sem graça e até um pouco lívida. Rutinha havia desvendado seu amor bandido de uma tacada só. Tentando defender sua posição, ela acabou até me surpreendendo: ''Acho que não é bem assim. Muitas mulheres estão cansadas de trabalhar que nem os homens, de dar duro, pagar as contas, carregar os embrulhos do cotidiano sozinhas. Aí, quando aparece um homem forte querendo se impor, elas pensam que eles vão ser os heróis que as defenderão de tudo. Aquele príncipe com quem sempre sonharam. Só que muitas vezes, acabam com um grosso e machão''.

Não é que Mariana conseguiu uma resposta à altura de Rutinha? Touché!


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[18/JUN/2005]


   Home > Colunas > Entre amigas


Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | JB Barra | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem
Acelera | Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas