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O amor é um trem doido

O amor quase sempre é escandaloso. E as ex do Brasil são mais escandalosas do que os repórteres investigativos. Valéria dos fiscais, Nicea dos Pitta e tantas outras. A cada Luxemburgo, sua Vanderléia. Até ACM provou seu creme. Mas de todas elas, a mais bonita é Pedro, ou melhor, Teresa.

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Deu no Boechat: a Padaria Rio Lisboa vai acabar. Pelo amor de Deus, o que é isso? O português Manuel Rocha pondera: ''Se amanhã muitas pessoas puderem vir para o Leblon, a qualidade de vida cai e quem tem dinheiro vai procurar lugar melhor. Proibir prédio alto tem um lado bom, mas comercialmente alguém sai perdendo. É duro dizer, mas o Leblon é bom porque o preço do metro quadrado é muito caro''.

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Glauber Rocha gostava de elogiar Maria Bethania, a Maricotinha, como a única que sabia cantar suave e forte no Brasil. Pois a diva está ameaçada. Por um novo amor. Ana Carolina, apesar de nos brindar só com dois CDs, desponta como Rainha. Mas por que só dois CDs até hoje? É questão BMG ou psicanalítica. Outra explicação não haverá.

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O site da Biblioteca Nacional ainda está na pré-história da internet, mas é possível baixar alguns livros de domínio público, incluindo o esgotadíssimo A Alma Encantadora das Ruas, de João do Rio, crônicas da 1ª década do século 20. Está lá um capítulo para nenhum Toni Marques botar defeito, mostrando que eram marinheiros, ex-escravos, prostitutas, condenados e ladrões os viciados na marca indelével: ''A tatuagem é a inviolabilidade do corpo e a história das paixões'', diz João do Rio, descrevendo os tipos mais loucos na capital da república nascente. O texto Os Tatuadores é uma aula dos sonhos, desejos e promessas dos excluídos da época. A Missa do Galo é o pano de fundo da noite profana dos mesmos excluídos. O narrador, agitado (seria o próprio autor?), vai de carro da Praça da República, Igreja de São Jorge, pelas Avenidas Rio Branco e Beira Mar, até o Posto 6. Na igrejinha, que não existe mais, a multidão não cabia e aproveitava a escuridão, nas pedras em torno, para fazer amor. Pasmo, o narrador volta de Copacabana para a Igreja do Desterro, Rua da Lapa, onde o carro quebra e ele descobre, num jovem campônio rezando, o único fiel ''enquanto pela cidade inteira as ceatas e as pândegas desencadeavam os ímpetos desaçaimados''. O capítulo Cordões é a surpresa do animado carnaval da Ouvidor, que perderia terreno para a Rio Branco como a mais importante artéria da capital.

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Viajemos ao presente: Quem não entra, volta e meia, num Amarelinho da vida? Afogar mágoas do amor entre os eus distraídos? Abstenha-se. Observe naquela mesa o boquirroto beberrão se achando um avião que decola para o sucesso até constatar, na manhã seguinte, que o aparelho continua taxiando. Num drink, vem o estrondo de Cabo Canaveral: blast off. O foguete vai subir: lift off. Mas vem a double dose: e beber é blast off without lift off. Não beber é muito barato. Picote na Rua Marquês de Abrantes, Petisco no Boulevard e 98 na São Clemente. Pouco importa onde fica a Adega Pérola. Qualquer um dos 25 mil bares do Rio é, ao contrário do lar, o terror das mulheres casadas, que se irritam com a sedução de suas mesas e balcões, onde se fixam os donos, a comilança, as bebidas e, oh!, os maridos. Insistem em chegar tarde em casa, não muito, mas o bastante para arruinar programas, como um filme ou um amor mais tranqüilo em véspera de mais um dia útil.

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Fenômeno: o filme O Último Beijo está estourado só no Leblon. Um grande amor, quando acaba, a gente sofre. Um novo amor, a gente é ágil e segue em frente. Se demorar, não se afogue na saudade. Paciência, novo amor vem de repente. Sai da frente, ele vem pegando a gente. Sai da frente, o amor é um trem, tranqüilamente...

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É tanto amor que por pouco ninguém ficava mal nesta segunda-feira. Fidel deu a Saramago o direito de ir e vir. De admirar antes e de detestar agora. O coronel Josias Quintal prometeu e deu sua ajudinha: não atrapalha mais. E, no Rio de Rosinha, a intervenção não é federal, mas conjugal, com muito amor contra a violência: beijinho, beijinho, pau, pau. Garotinho prometeu acabar com os polígonos de segurança. É o fim da poligania.

[28/ABR/2003]

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