Domingo, 3 de Junho de 2001
Exame detecta a surdez em bebês

Campanha visa tornar teste obrigatório nas maternidades

De cada mil recém-nascidos, três têm problemas de surdez. Em menos de 20% dos casos, no entanto, a deficiência é detectada antes dos seis meses, comprometendo o desenvolvimento da criança. Para mudar este quadro, pediatras e otorrinos lançarão durante o 4° Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia, que acontece de 13 a 16 de junho, no Rio, uma campanha para tornar o exame de otoemissão (teste que detecta a surdez) obrigatório em todas as maternidades públicas brasileiras.

A campanha, na verdade, vem reforçar uma recomendação do Comitê Brasileiro sobre Perda de Audição na Infância, que, em 1999, determinava a triagem auditiva neonatal universal. À recomendação seguiram-se leis em quatro municípios - Rio, Campinas e Jaú (em São Paulo) e Montes Claros (MG)- obrigando a realização do exame. Entretanto, apenas no Rio a lei saiu do papel. Das oito maternidades municipais, sete realizam o teste. Dois hospitais particulares da cidade oferecem o exame, a preços que variam de R$ 50 a R$ 100.

Diagnóstico precoce - ''Se conseguimos detectar a deficiência auditiva no berçário, encaminhamos o bebê desde cedo para tratamento. Quando o problema é diagnosticado aos 2 ou 3 anos de idade, como geralmente acontece, algum grau de retardo mental e dificuldades de socialização são praticamente inevitáveis'', diz o otorrinolaringologista Jair de Castro, presidente do congresso.

Segundo a fonoaudióloga Cristina Simonek, do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), em Laranjeiras, são raríssimas as chances de a surdez ser 100%. ''Existe sempre um resíduo auditivo que deve ser estimulado. Com a ajuda de aparelhos e de sessões de fonoaudiologia, a criança conseguirá se comunicar'', afirma Cristina.

O ideal é que o teste de otoemissão seja feito na primeira semana de vida do bebê e repetido 30 dias depois, pois em 95% dos casos, a surdez de crianças é temporária. Secreções que se acumulam no canal auditivo impedem que as ondas sonoras estimulem o tímpano. ''Para que um tambor soe, é preciso que haja ar dentro dele. O tímpano trabalha da mesma forma. É necessário que o ar circule no canal auditivo para que as ondas sonoras cheguem até ele e o façam vibrar'', ensina Jair de Castro.

Nos outros 5% dos casos em que a surdez é diagnosticada, ela é irreversível. As causas são viroses durante a gestação ou defeitos genéticos no bebê.

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