Apesar de ser o país com maior superfície sob clima tropical no mundo, as flores preferidas dos produtores nacionais ainda são a violeta, a rosa e os crisântemos. Seu cultivo ocupa a quase totalidade dos 4.850 hectares de terra plantada com flores no país.
É visando essa preferência que pesquisadores da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp vêm desenvolvendo uma técnica que já deu resultado com as hortaliças: a hidroponia. Testada em cultivos de cravínias, foi obtido um rendimento 30% maior em comparação com o método tradicional.
Mudas de 4cm são plantadas em uma espuma biodegradável que lhes dá o impulso para criar raízes. Dotadas de meios próprios para se alimentar, as plantas são postas em canaletas e passam a sugar da água que circula por elas tudo o que precisam.
O sistema hidropônico foi montado em uma bancada de 8 metros quadrados no laboratório da Feagri. As canaletas, feitas de PVC, foram dispostas sobre a mesa. À água corrente são misturados sais e fertilizantes hidrossolúveis, além de hormônios. O ph e a temperatura também são controlados.
''Qualquer mudança no ambiente pode provocar alterações no desenvolvimento da flor'', diz o engenheiro agrônomo Antonio Bliska, que coordena a pesquisa. Segundo Bliska, nesse ambiente, as plantas crescem numa velocidade superior a com a qual se desenvolvem quando estão no solo, pois têm mais saúde.
''O solo é a maior fonte de microorganismos que existe. Não digo que na água eles não existam, mas são em menor quantidade. O resultado é que as plantas são saudáveis e florescem sempre, aproveitando o potencial genético que elas têm'', diz Bliska.
O engenheiro reconhece que o pesticida é necessário para assegurar a proteção contra bactérias e insetos, mas ressalta que a dose aplicada durante a hidroponia é bem menor. ''Para criar uma geração inteira de flores usamos pesticida apenas uma vez'', explica.
A preservação do solo é outra vantagem apontada por Bliska para defender a hidroponia no cultivo de flores: ''O plantio tradicional desgasta o solo e seu uso freqüente o torna improdutivo.''. O retorno do investimento também é rápido, menos de um ano. ''Na hidroponia, o tempo que a cravínia leva para florescer caiu de quatro para três meses''.