Segunda-feira, 1 de Janeiro de 2001
Cápsula do tempo leva mensagens ao futuro

Satélite vai ficar 50 séculos em órbita e voltar ao planeta

Que tal começar o milênio enviando uma mensagem que vai percorrer 14,5 trilhões de quilômetros em órbita da Terra e 50 séculos depois retornar. Magia e fascínio é o que está oferecendo o grupo francês que pretende lançar um satélite para ficar 50.000 anos em volta do terceiro planeta do Sol com até 6 bilhões de mensagens a bordo.

Essa cápsula do tempo é chamada Keo - conjunto dos três fonemas mais comuns a todos os idiomas terrestres. O satélite, que pesa 100 quilos e mede 80 centímetros de diâmetro, será colocado em órbita a 1.800 quilômetros de altura por um foguete francês ou russo no decorrer deste ano. Quem quiser enviar mensagem para a posteridade, basta entrar na página (em inglês ou francês) {www.keo.org} e escrever o texto, em qualquer idioma, e enviar. É grátis.

''Um ser humano vive no máximo 120 anos. As mensagens do Keo são uma forma de se perpetuar'', disse Charles Kohlhause, ex-cientista da Nasa em Pasadena, à revista Space. ''A idéia é que, tão logo o satélite entre em órbita, todas as pessoas no mundo se tornem os remetentes'', completou Jean-Marc Phillippe, divulgador do projeto.

As mensagens para viajar a bordo do satélite serão gravadas em 100 DVDs à prova de radiação. Junto com os discos de vidro, o Keo também levará uma coleção de retratos de seres humanos; um relógio astronômico, mostrando a atual posição e a velocidade de rotação de vários pulsares, de forma que seja possível calcular quando o satélite foi lançado; um diamante artificial contendo água do mar, amostras de ar e de solo e uma gota de sangue humano.

Os organizadores da viagem ao futuro acreditam que, quando reingressar na atmosfera terrestre, o Keo será como uma estrela cadente que vai chamar a atenção. Fabricado com camadas sobrepostas de titânio, tungstênio, carbono e alumínio que o protegerão e vão amortecer o impacto da queda, o satélite tem tecnologia semelhante à das caixas-pretas dos aviões. ''Se cair na água, vai flutuar; se cair em terra, não vai se espatifar'', explicou Phillipe.

Como um equipamento para DVD jamais sobreviveria ao impacto, diagramas explicando como construir um serão gravados na superfície dos próprios discos. Na sua face externa, o satélite terá gravada a imagem da Terra e os organizadores esperam que quem o achar seja curioso o bastante para abri-lo e encontrar os CDs.

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