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Traficantes desafiam soldados

Bandidos montam barricada e impedem passagem de carros pouco depois que blindado do Exército deixa a Favela da Metral

Branca Nunes

Cinco minutos depois que o veículo blindado do Exército terminou a incursão pela Rua Custódio Mesquita, um dos acessos para a Favela da Metral, na Zona Oeste, traficantes voltaram a montar uma barreira com ferros, pneus e pedras, impedindo o trânsito de carros na via. A resposta à provocação demorou meia hora. Ao tomarem conhecimento da ousadia dos bandidos, os soldados entraram novamente na comunidade, derrubaram as placas de ferro a chutes, recolheram todos os objetos e revistaram moradores.

Às 15h, enquanto os soldados desmontavam o acampamento e desocupavam temporariamente a favela, moradores arriscavam palpites sobre o que aconteceria caso a tropa se retirasse:

- Assim que o Exército sair, eles montam a barreira novamente. Aqui não entra polícia, não tem segurança alguma - contou um morador que não quis se identificar.

Desde o começo da operação para tentar resgatar os dez fuzis e a pistola roubados do Quartel do Estabelecimento Central de Transporte, em São Cristóvão, há oito dias, 13 favelas da cidade já foram ocupadas. Barreiras foram montadas em quatro estradas federais, lanchas percorreram a Baía de Guanabara e helicópteros sobrevoaram a cidade. Nenhuma das armas roubadas foi recuperada e os bandidos parecem não se intimidar com a presença do Exército.

Além da afronta ocorrida ontem na Metral, tiroteios são constantes nas comunidades ocupadas e os soldados escutam insultos diariamente. Na Favela do Dendê, um morador mascarado observava ontem, de cima de uma laje, o movimento das tropas.

Na Mangueira, pelo menos oito acessos ficaram livres da presença dos soldados entre a manhã e a tarde de ontem. Os militares ficaram concentrados apenas nas imediações da Travessa Sayão Lobato, entrada da localidade conhecida como Buraco Quente. As vielas que desembocam na Rua Visconde de Niterói, principal caminho de saída e chegada à Mangueira, estavam desguarnecidas.

- Falta o fator surpresa. Não adianta ficar apenas em duas entradas. Quem garante o que acontece nas outras saídas? Estamos num grande circo armado pelo Exército - reclamou um morador.

No Complexo do Alemão, a realidade era semelhante. Na Estrada do Itararé e na Avenida Itaoca, vias que dão acesso às principais entradas das favelas Nova Brasília e Parque Alvorada, nenhum soldado estava de prontidão no começo da tarde de ontem.

Os cercos nas estradas também foram interrompidos temporariamente. O relações-públicas do Comando Militar do Leste, tenente-coronel Fernando Lemos, explicou que as tropas apenas se deslocaram para outros pontos, mas afirmou que as blitzes continuarão por tempo indeterminado.

Segundo Lemos, nenhuma apreensão foi feita ontem pelo Exército. A cidade continua com oito favelas ocupadas e com 1.500 soldados participando da operação.


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[10/MAR/2006]


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