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Roteiros que a cidade esqueceu
Rio tem atrações turísticas que poderiam ser mais bem vendidas no exterior, gerando mais recursos para o município
Branca Nunes e Duilo Victor
Terreiros de candomblé, sinagogas, construções em estilo art-déco, um cemitério onde eram enterrados os negros da época da escravidão, vôo livre e esqui aquático. Esses são alguns dos segredos do Rio de Janeiro que, pouco explorados pelas agências de viagem, acabam relegados pelos turistas. Congelada no tempo, a programação de quem visita a cidade continua sendo a mesma de meio século atrás: Corcovado, Pão de Açucar, Maracanã e praias.
- Nós montamos as coisas mais malucas que você pode imaginar, como café da manhã no Pão de Açúcar, ou visitas a casas de brasileiros, mas como ainda não existem as operadoras especializadas, esses roteiros são feitos para grupos fechados quando somos solicitados. Ainda não há demanda suficiente e, sem ela, a infra-estrutura necessária para levar o turista em segurança não é desenvolvida - afirma Vera Potter, presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagem. Segundo o presidente do Sindicato Estadual de Guias de Turismo do Rio (Sindegtur), Luiz Augusto Nascimento dos Santos, o grande culpado pela ausência dos roteiros alternativos é o próprio empresário de turismo. Por buscar sempre o lucro imediato, poucos se arriscam em desbravar novos campos, já que isso exigiria um investimento prévio em pesquisa, infra-estrutura e tecnologia. - O investimento inicial de quem se arrisca em novos campos só é recompensado a longo prazo. Além disso, tudo o que ele desenvolveu corre o risco de ser apropriado por outras agências. Com esse medo de investir e não ter retorno, acabamos estagnados - afirma Luiz Augusto. Um dos guias que resolveu se arriscar nos roteiros alternativos foi o vice-presidente do Sindegtur, Mauro Rubisnstein. Entre os passeios pelos pontos turísticos tradicionais, ele leva os visitantes a explorarem as culturas afro e judaica presentes na cidade. - Quando os roteiros afros são procurados nas agências de turismo internacionais, Salvador é a única cidade brasileira que aparece. O que poucos sabem é que no Rio de Janeiro existem muito mais terreiros de candomblé do que na capital baiana. Nossa cidade tem muito mais a oferecer do que o Pão de Açucar e o Corcovado - conclui Mauro. O historiador Milton Teixeira, que também é diretor do Sindegtur, lamenta a falta de infra-estrutura para que o potencial cultural das igrejas do Centro seja plenamente aproveitado. - Não adianta levar turista para um lugar sem estacionamento, com risco de assalto e onde falta iluminação. Além disso, muitas igrejas fecham e não há folhetos turísticos que façam referências a elas. Até mesmo na Catedral Metropolitana, a mais visitada, os turistas não podem andar cinco metros fora da igreja sem trombar com mendigos - reclama o historiador. Uma das conseqüências da falta de exploração dos roteiros alternativos é a sobrecarga de visitantes nos lugares tradicionais. As filas no Pão de Açucar e no Corcovado durante o verão, por exemplo, são quilométricas. Para tentar contornar a situação, a solução é trabalhar dobrado e aumentar os investimentos. No Caminho Aéreo Pão de Açúcar, a diretora Maria Ercília Leite de Castro já prevê o reforço na estrutura de que dispõe habitualmente. - Consideremos que a alta temporada começa logo após o Natal e se estende até o término do carnaval no início de março. Neste período, costumamos receber uma média de 80 mil pessoas por mês. Para agilizarmos o atendimento nos guichês e diminuir o tempo de espera dos visitantes nas filas vamos disponibilizar um guichê exclusivo para atender às agências de turismo, guias e seus grupos. Além disso, os bondinhos vão funcionar ininterruptamente, conforme a demanda, em vez de partirem a cada trinta minutos - explica Maria Ercília. n Amanhã: o que as cidades vizinhas ao Rio estão preparando para tentar atrair turistas estrangeiros
[09/DEZ/2005]
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