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Explorados no desembarque
Táxis irregulares e motoristas particulares cobram até US$ 50 de turistas por viagem que, de ônibus especial, pode sair por R$ 5
Mariana Filgueiras e Branca Nunes
O visitante sai do aeroporto, pega um táxi para o hotel e decide conhecer os pontos turísticos da cidade. O percurso, normal em qualquer destino turístico, torna-se um verdadeiro calvário no Rio de Janeiro. A abordagem agressiva dos taxistas na saída do aeroporto, o valor abusivo dos preços fechados antecipadamente por cooperativas e a falta de opções de transporte público desafiam os cerca de 14 mil turistas que circulam diariamente na cidade.
O primeiro obstáculo aparece logo na saída do aeroporto, quando motoristas disputam cada turista a tapa, oferecendo preços combinados. A briga é mais acirrada na parte da manhã, na saída do terminal azul, quando o número de vôos internacionais é maior. Responsável pela fiscalização da área, a Guarda Municipal informou que disponibiliza quatro guardas para impedir a desordem - um para cada ponto, durante 24 horas. Sem conhecer a cotação da moeda nacional, o programador visual americano Jacob Stevens, 31 anos, pagou US$ 50 (cerca de R$ 130) pelo trajeto Galeão-Copacabana na última sexta-feira, quando chegou de Boston. - Só percebi que era muito caro quando contei no albergue em que estou hospedado, mas agora peço sempre para o motorista ligar o relógio - contou Jacob. Todas as opções para ir do aeroporto até Copacabana sairiam mais em conta - um táxi especial cobra pelo trecho R$ 65, pagos no guichê, dentro do aeroporto. Num veículo com o taxímetro ligado, a corrida sairia por volta de R$ 35. Se Jacob preferisse ir de ônibus, pagaria apenas R$ 5. O presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos do Município do Rio de Janeiro, Luiz Antônio Barbosa da Silva, denuncia que guias turísticos vão com os próprios carros para a porta de hotéis e do aeroporto, e conquistam os visitantes pelo domínio da língua estrangeira. - Para evitar os táxis amarelos, que chamam mais atenção, alguns turistas acabam optando pelos carros particulares. Combinar um preço antes é normal, o que fazemos até em dólar - alega Luiz Antônio. O subsecretário municipal de Turismo, Paulo Bastos, admite a desorganização na recepção dos visitantes. A prefeitura, em parceria com a Infraero, vai reformar o terminal de desembarque e criar uma área com divisórias para os quiosques de cooperativas e empresas de ônibus, além de um balcão de informação, logo depois da área de recolhimento de bagagens. - É preciso garantir um ambiente mais tranqüilo para quem desembarca na cidade, pois é a primeira impressão que ele vai ter. Estamos fazendo folhetos com informações detalhadas sobre meios de transporte - explica Bastos. Apesar da prática de cobrança abusiva em pacotes combinados, a opção recomendada pela Riotur para o turista estrangeiro é o táxi. O subsecretário acredita que as tarifas são muito baratas se forem comparadas a outras capitais. Para o turista doméstico, ele lembra que a criação da integração Metrô-Ônibus - o ônibus faz o trecho rodoviária-Largo do Machado -incrementou as opções para quem desembarca na Rodoviária Novo Rio. O designer americano Ben Jackson, 24 anos, acredita que a pior dificuldade para o turista é entender o trajeto dos ônibus. Ele veio conhecer o Rio há dois anos como turista, e decidiu morar na cidade definitivamente. - Não existe um mapa indicando por onde o ônibus passa, já dei a volta na cidade toda só porque peguei um ônibus do lado errado da rua. Para os pontos turísticos, então, é um horror. De Copacabana até o Pão de Açúcar, por exemplo, só existe o 511(Leblon-Urca) - diz. Nos hotéis da cidade, a recomendação é que os turistas prefiram o táxi como meio de transporte - praticamente todos dispõem do serviço particular. No Windsor Hotel, em Copacabana, por exemplo, os ônibus não são recomendados aos turistas à noite e nem aos domingos, por causa da segurança. * AMANHÃ EM 'RIO EM ALTA TEMPORADA': COMO FAZER UM ESTRANGEIRO SE SENTIR EM CASA
[06/DEZ/2005]
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