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Museu Villa-Lobos reabre
Ministro Gilberto Gil participa hoje da cerimônia, que terá lançamento de CDs
Ricardo Albuquerque
[19/AGO/2005]
O principal espaço de preservação da obra do maestro Heitor Villa-Lobos e da música clássica brasileira será reaberto hoje, a partir das 16h, depois de nove meses fechado ao público para reformas. A reinauguração do casarão 200 da Rua Sorocaba, em Botafogo, será comemorada com a apresentação da Orquestra Villa-Lobinhos e o lançamento de dois CDs - um deles, O Raro Villa-Lobos, sob a regência de Silvio Barbato, traz composições inéditas do artista que antes só podiam ser apreciadas por meio de gravações radiofônicas.
O outro CD, Sonho e Realidade, apresenta 20 melodias feitas por Villa-Lobos ao longo de sua carreira, entre elas, as tradicionais O Trenzinho do Caipira e Itabaiana, interpretadas pela Orquestra Villa-Lobinhos. Para desespero dos admiradores, os títulos não estarão à venda. As poucas unidades serão distribuídas aos sócios da Associação de Amigos do Museu Villa-Lobos, à imprensa, às emissoras de rádio e TV e aos acervos das principais instituições brasileiras.
Na concha acústica do museu, o principal convidado também será homenageado. O ministro da Cultura, Gilberto Gil, terá a oportunidade de ver uma de suas canções - A paz - ser interpretada pelos 45 jovens com idade entre 12 e 20 anos que compõem a Orquestra Villa-Lobinhos. O projeto promove oficinas de instrumentos musicais (violão, cavaquinho, flauta doce e transversal, iniciação musical, percussão, canto coral) e ensina música clássica para adolescentes de baixa renda - a maioria de áreas de risco.
Os alunos recebem aulas de percepção musical, harmonia, arranjo, técnica instrumental, instrumento complementar, orientação escolar e prática de conjunto e orquestral, além de noções de informática, com as quais aprendem a manusear os programas Encore, Finale e Sibelius (softwares específicos para a escrita de partituras).
- Tudo começou com uma escolinha de música no Morro Dona Marta - recorda o violonista clássico Turíbio Santos, diretor do museu há 19 anos, mesmo tempo que a instituição ocupa o casarão da Rua Sorocaba.
Para pintar as fachadas do museu, trocar telhas e calhas quebradas, remover as fissuras nas paredes e acabar com as infiltrações foram gastos R$ 240 mil, financiados pelo Ministério da Cultura. A verba também garantiu a modernização dos sistemas de segurança e contra incêndio, que utilizam alarmes sonoros para avisar sobre os perigos.
- A segurança é crucial. Nunca tivemos nenhuma de nossas relíquias roubadas porque vedamos nossa área interna e os vigilantes cuidam apenas da parte externa - observa Turíbio.
O acervo do museu guarda segredos e relíquias da vida de Villa-Lobos, que procurava tirar sons de objetos estranhos, como o regador. O piano, o violão e o violoncelo estão em perfeito estado. Nas paredes, imagens do bloco Sôdade do Cordão exibem as mil e uma faces do artista, que organizou o grupo em 1940 para celebrar os carnavais do início do século e nunca mais desfilou.
Os originais de 14 mil documentos estão armazenados em armários de ferro em ambiente climatizado para evitar o desgaste, entre eles mais de mil partituras musicais que só podem ser manuseadas com luvas. Na biblioteca, as fotocópias do acervo e 30 mil notícias (já digitalizadas) sobre o maestro podem ser consultados a partir da próxima segunda-feira, das 10h às 16h.
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