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Quando o atraso custa caro
Rio corre o risco de perder verbas para a recuperação da Praça Tiradentes, no Centro, devido à demora na execução das obras
Carolina Benevides e Florença Mazza
Uma das 26 cidades escolhidas para ter seu patrimônio arquitetônico recuperado com recursos do governo federal, o Rio corre o risco de perder parte de sua verba para outros municípios devido ao atraso nas obras, coordenadas pela prefeitura. Das 10 intervenções previstas no Programa Monumenta, todas na Praça Tiradentes e arredores, nenhuma foi concluída. E como o acordo entre o Ministério da Cultura e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) termina em dezembro de 2006, o coordenador nacional do Monumenta, Luiz Fernando de Almeida, teme que o Rio perca parte de R$ 12 milhões.
- Desde 2000, só foram usados 25% da verba prevista. Não dará tempo de executar os outros 75% em um ano e meio. Vai chegar a hora em que teremos que tirar o dinheiro de cidades que executam pouco para aplicar naquelas que executam mais - afirma. A coordenadora do projeto de revitalização da Praça Tiradentes, conveniado com o Programa Monumenta, Cristina Lodi, entretanto, afirma que já foram aplicados de 38% a 40% dos R$ 11,5 milhões previstos para o município. Ela diz ainda que as obras na Praça Tiradentes começaram em 2002. - Até dezembro deste ano, a previsão é de aplicação de 50% da verba - diz Cristina. Segundo Luiz Fernando, apenas três obras estão em andamento na Praça Tiradentes: a reforma do Solar Visconde do Rio Seco (50% já concluídos); a restauração das esculturas Dom Pedro I e Quatro Alegorias (40% feitos) e a restauração do Teatro Carlos Gomes, a mais adiantada, com 80% concluídos. - No Rio, o projeto pode ser mais rápido do que tem sido. O Monumenta não é uma prioridade - declara Luiz Fernando, acrescentndo que um dos principais motivos para o atraso das obras são os pontos de ônibus em frente à praça. Ainda não foram iniciadas as reformas do entorno da praça, do imóvel número 71, do conjunto de 5 a 9 na Rua Gonçalves Ledo e de dois sobrados na Regente Feijó, além da adaptação do anexo do Centro de Arte Hélio Oiticica. Já as obras de recuperação da Igreja do Santíssimo sacramento e da casa de Bidu Sayão estão paralisadas, segundo Luiz Fernando de Almeida. Esta obra chegou a ser iniciada, segundo Cristina, mas parou em 2003 e será novamente licitada. Thays Zugliani, diretora da 6ª Superintendência Nacional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico nacional (Iphan), explica que no Rio os recursos são transferidos do Ministério da Cultura para a prefeitura, que se tiver algum débito com o governo federal tem a verba bloquedada. - Quando isso acontece, a obra pára e acaba tendo que ser feita outra licitação - explica. O secretário municipal das Culturas, Ricardo Macieira, foi procurado pelo JB mas não retornou as ligações. O prefeito Cesar Maia também não respondeu ao e-mail até o fechamento desta edição.
[16/AGO/2005]
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