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Fórum ambiental questiona dragagem


Ricardo Albuquerque

A dragagem dos portos do Rio de Janeiro e Niterói, que começou na terça-feira, corre o risco de ser suspensa, caso os promotores dos ministérios públicos federal e estadual aceitem as denúncias do Fórum de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Zona Oeste e da Baía de Sepetiba. Uma representação com pedido de embargo das obras será entregue hoje pelos ambientalistas, que questionam a licença ambiental concedida pela Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema). Os denunciantes pedem a definição do local de bota-fora de resíduos - em terra ou mar -, a implantação de um programa de controle de assoreamento da Baía de Guanabara, o monitoramento da qualidade da água e metais pesados e a realização de audiências públicas nos municípios do Rio, Niterói e São Gonçalo para discutir o impacto das obras no meio ambiente.

- A pesca e o turismo serão altamente prejudicados com as dragagens porque o empreendimento não se preocupou com a fauna e a flora aquáticas da Baía de Guanabara, além de ter esquecido que os pescadores dependem do mar para sobreviver - explica o ambientalista Sérgio Ricardo, representante do fórum.

De acordo com os ecologistas, o ponto mais poluído da Baía de Guanabara, o Canal do Cunha - entre o Complexo da Maré e a Ilha do Fundão - poderá despejar uma grande quantidade de metais pesados no mar, o que poderia causar mortandade de peixes e contaminação das áreas de manguezais. Serão removidos 1 milhão de metros cúbicos de sedimentação (areia, argila, cascalho e silte - partículas de minerais) dos portos do Rio e Niterói.

Em Niterói, o projeto vai gerar cerca de 2.200 empregos diretos e indiretos. O investimento de R$ 24 milhões prevê o aumento da profundidade para atracação de embarcações de grande porte, além de revitalizar os 14 mil metros quadrados dos armazéns, com a construção de salas de cinema, teatro e espaço para shows com capacidade para 3 mil pessoas.

O secretário estadual de Energia, Petróleo e Indústria Naval, Wagner Victer, rebateu as críticas do ambientalista e garantiu que foi feito um Estudo de Impacto Ambiental (EIA). Segundo o secretário, algumas entidades ambientalistas se utilizam de factóides para conquistar espaço na imprensa.

- As dragagens são intervenções ambientais positivas para garantir a oxigenação de áreas que estão assoreadas, como a Ponta da Areia, em Niterói, e o Canal do Cunha, no Rio - explica.

Para Wagner Victer, o impcato causado ao meio ambiente será bem menor do que imaginam os ambientalistas. As intevenções, segundo ele, são diferentes da que acontecerá em Angra dos Reis, onde o canal do estaleiro Brasfels será dragado.


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[04/AGO/2005]


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