A Associação de Engenheiros Ferroviários (Aenfer) enviou, na manhã de ontem, conforme antecipou o colunista Ricardo Boechat, na terça-feira, duas cartas uma ao secretário municipal das Culturas, Ricardo Macieira, e outra ao coronel Carlos Alberto de Carvalho, comandante-geral do Corpo de Bombeiros. Nelas, a associação denunciou dezenas de irregularidades que estariam sendo cometidas na gare do prédio Dom Pedro II, edifício sede da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil.
Fundado em 1943, o prédio foi tombado pela Prefeitura do Rio em 22 de abril de 1996. Segundo a Associação de Engenheiros, o processo de descaracterização da gare iniciou-se em 1998, quando a administração do espaço passou a ser feita pela empresa Supervia.
Segundo o decreto Nº 14.741, ''ficam incluídos no tombamento: escadas, revestimentos, afrescos, guarda-corpos, corrimãos e os demais elementos arquitetônicos e decorativos do interior da estação''. Na carta enviada à Secretaria das Culturas, a associação aponta casos de descumprimento do decreto.
Primeiro, a construção de uma lanchonete, onde antes havia uma agência dos Correios. Além disso, no entorno da lanchonete, foram retirados os letreiros que indicavam as bilheterias e as armações que organizavam as filas, existentes desde a inauguração.
Os engenheiros denunciam a demolição de uma escada, a proliferação desordenada dos quiosques, a quebra do piso original da gare e a descaracterização da Agência da Estação. Além disso, a associação chama a atenção para a alta poluição visual, provocada pela quantidade de outdoors e letreiros de bares e lojas.
- A poluição visual é indiscutível - disse o engenheiro aposentado e diretor da Aenfer, Rubem Eduardo Ladeira.
Alguns lugares, segundo a associação, foram tomados por empresas privadas. Um supermercado, por exemplo, colocou os caixas fora da loja, ocupando o espaço público. Caixas eletrônicos estão em frente a bilheterias e a placas comemorativas das datas históricas da Central do Brasil.
- A ousadia da empresa é tanta que eles trocaram o nome da Estação, que é D. Pedro II e foi dado por decreto pelo presidente Arthur Bernardes, para Central do Brasil - disse Ladeira.
Outra preocupação dos engenheiros é com o escoamento dos passageiros. Aos bombeiros, foi solicitado um estudo para avaliar se os quiosques não atrapalhariam a saída das pessoas em caso de incêndio. A associação alerta que o corredor central esquerdo está obstruído e que, no acesso lateral da Praça Procópio Ferreira, já existe retenção nos horários de maior movimento.
Frente às acusações, a Supervia informou que ''todos os projetos desenvolvidos na Central do Brasil estão de acordo com as normas de segurança e são enviados para aprovação do Departamento Geral de Patrimônio Cultural (DGPC)''. A Secretaria Municipal das Culturas e o Corpo de Bombeiros afirmaram que, até o fim da tarde de ontem, não haviam recebido o documento, mas que se pronunciaram assim que soubessem de seu conteúdo. (B.N.)