Em greve há 50 dias, defensores públicos do Estado do Rio de Janeiro saíram em passeata, ontem à tarde, para divulgar suas reivindicações aos moradores da Zona Sul. Durante o trajeto, do Arpoador ao Leblon, o grupo com cerca de 250 pessoas tentou explicar as funções desempenhadas pelo órgão e porque exige aumento de salário.
- Queremos chamar a atenção da classe média, que é formadora de opinião, para obter o seu apoio. Muitas pessoas não sabem direito o que fazemos. E, atualmente, prestamos atendimento a muitos cidadãos desta classe social em questões como plano de saúde, dívidas de cartão de crédito e contas de telefone celular - explicou o presidente da Associação de Defensores Públicos do Estado do Rio de Janeiro, Pedro Carriello.
Os defensores públicos querem equiparação salarial com o Ministério Público. Segundo Pedro Carriello, a categoria não tem reajuste há cinco anos e, atualmente, a diferença entre os vencimentos dos profissionais das duas instituições é de 62,5%. Outra reivindicação dos defensores públicos é que seja feito o repasse integral do duodécimo do setor (parte do orçamento do estado legalmente destinada à Defensoria Pública) e abertura de concurso público.
- Com o reajuste que será dado em agosto, a diferença entre o salário dos defensores públicos e o dos promotores subirá para 174,67%. Ganharemos um terço do que receberá um promotor. E o repasse de apenas 50% do duodécimo fez com que nossa estrutura se tornasse precária. Em vários escritórios não temos acesso à internet nem aparelho de fax - conta Carriello, acrescentando que o salário inicial bruto de um defensor público é de cerca de R$ 6 mil.
O administrador de empresas Carlos Rio, morador de Ipanema, concorda com o argumento dos defensores públicos, embora nem tanto com o valor do salário.
- Se são cargos que exigem a mesma formação acadêmica e igual nível de conhecimento, acho justo que ganhem salários equivalentes. Mas se o salário nominal está alto demais, isto é outra discussão - analisou.
Perto dali, mas sem tomar conhecimento dos protestos dos funcionários públicos, a estudante de pedagogia Ana Carla Couto queria apenas aproveitar um dia de sol. Combinou com as amigas de encontrá-las no posto 10, em Ipanema, por volta de meio-dia. Geralmente chega mais cedo, mas saiu à noite para dançar e acordou tarde.
_ Depois vou ver o jogo do Fluminense no bar Garota de Ipanema. Sou flamenguista, mas vou lá só para azarar. Depois vou para casa, porque amanha é segunda - garante.