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O passado ainda mais verde

Jardim Botânico reforma construções antigas na comemoração dos 197 anos

Ana Paula Verly

Rafael Andrade
Casados Pilões, que já abrigou um paiol, e Aqueduto da Levada, obra importante da história do parque: Jardim Botânico investe na conservação e na memória, próximo de completar 200 anos

Jardim Botânico investe na conservação e na memória, próximo de completar 200 anos

Os quase 200 anos de história do Jardim Botânico do Rio de Janeiro recuperaram ontem mais dois verbetes em sua ''enciclopédia'': a Casa dos Pilões, que registra o passado pouco conhecido de paiol que tem o grande parque carioca, e o Aqueduto da Levada, construído no século retrasado - e perdido no passado - para disciplinar o curso das águas, foram reinaugurados ontem. A atração que mais surpreende os visitantes - pelo contraste com o mato - é mesmo o aqueduto, que tinha a função de mudar o curso das águas e conduzi-las das nascentes do Grotão para irrigar o Jardim Botânico. As duas inaugurações fazem parte da programação comemorativa pelos 197 anos do parque.

- O Jardim Botânico é uma instituição de pesquisa científica, mas queremos que também se torne um espaço cultural. A expansão da área de visitação e a entrega das obras contribuíram para um casamento perfeito entre meio ambiente e cultura - disse o diretor do Jardim Botânico, Liszt Vieira, em visita às instalações que abrigarão o Centro de Cultura e Meio Ambiente Antônio Carlos Jobim, onde haverá salas de aula, exposições, anfiteatro e uma praça central.

Na ocasião, foi lançado o livro Meu Querido Jardim Botânico, com poemas manuscritos do maestro Tom Jobim - que fazia do parque ''o quintal de sua casa'', segundo sua mulher, Ana Jobim - e fotos de Zeka Araújo.

A ampliação em 8 mil metros quadrados do Jardim Botânico foi realizada com a recuperação paisagística da área de descarte que ficava no Vale das Margaridas, onde encontra-se o Aqueduto da Levada. Os três grandes arcos foram construídos em 1853. Com a restauração, as pedras e a vegetação aparente deram lugar a um acabamento caiado, revelando os frisos originais.

- Gostava de como era antes, rústico, mas o contraste do branco com a mata me agradou - elogiou a estudante Fabiana Herbster, 28 anos.

Durante a caminhada matinal, ela aproveitou para conhecer a Casa dos Pilões. Antiga oficina de moinho, onde se fabricava pólvora, foi criada pelo príncipe regente dom João VI, em 1808, e transformado mais tarde em residência, antes de ser incorporado ao Jardim Botânico, em 1859. No local, há material arqueológico - como utensílios de toalete, vestuário e decoração.


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[14/JUN/2005]


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