A confissão da principal testemunha da chacina da Baixada Fluminense, presa na última segunda-feira sob acusação de envolvimento num seqüestro ocorrido no dia 10 de março desse ano, levou policiais da 58ª DP (Posse) ao local usado como ponto de desova de corpos e veículos roubados na Baixada Fluminense.
Mobilizados para tentar localizar o corpo da vendedora de jóias Mara Valéria Bittencurt Moreira, 41 anos, seqüestrada em dezembro de 2004, os policiais encontraram, no Rio Guandu, cinco carros que, acreditam eles, foram usados em crimes na região. Os cinco veículos foram encontrados a uma distância de 20 metros da margem e um sexto carro, que será retirado hoje, ainda está submerso. Ontem, a operação contou com quatro mergulhadores da Polícia Civil e 30 policiais da 58ª DP e da Divisão Anti-Seqüestro.
Mulher do ex-vereador de Mesquita José Rechuen, Mara desapareceu com seu filho, Enil Fagundes Neto, 21 anos, depois de ser abordada por quatro homens na Rodovia Presidente Dutra. A polícia também investiga a denúncia de que outros quatro corpos estariam no local. Todos seriam menores seqüestrados em outubro de 2004, na Rua Gama, local onde dez pessoas morreram durante a chacina de 31 de março.
Pelo menos dois dos policiais envolvidos na chacina têm algum tipo de ligação com esses crimes: José Augusto Moreira Felipe e Fabiano Gonçalvez Lopes, presos temporariamente por decisão da Justiça.
Na chacina da Baixada Fluminense, 29 pessoas foram assassinadas. Dos 11 policiais militares acusados de envolvimento, a maioria está ligada a outros crimes.
Esgotado o prazo de 30 dias para conclusão do inquérito da Polícia Civil, o chefe de Polícia, Álvaro Lins, decidiu pedir prorrogação do prazo e das prisões temporárias dos acusados. O objetivo é constuir uma denúncia consistente e evitar que, nos tribunais, os policiais consigam a absolvição.