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Apae corre risco de fechar as portas

Instituição filantrópica chega aos 50 anos atendendo mais de 1200 alunos e tem dívidas de mais de R$ 2,5 milhões

Carolina Benevides

Lucas Teixeira tem dois anos, é bagunceiro e gosta de jogar bola. Ele é o terceiro dos três filhos de Rubinete Meira Teixeira, moradora do Catumbi. Há pouco mais de um ano, quando começou a freqüentar a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Lucas era um bebê que não respondia a qualquer estímulo. Hoje, Rubinete já sonha com o dia em que ele, que é portador de Síndrome de Down, vai levar para casa o troféu de um campeonato de futebol.

Mas o sonho dela pode não se realizar. Lucas é um dos mais de 1.200 alunos da Apae, que chega aos 50 anos na pior situação financeira de sua história. A dívida com encargos sociais bate R$ 2,5 milhões. Por isso, mesmo a visão mais otimista não vê futuro para Lucas e seus amigos na instituição.

- Já era para termos fechado. Vivemos um colapso e se nada mudar, em julho fecharemos as portas - diz Jorge Curi, superintendente administrativo e financeiro da Apae.

A dívida com encargos, que cresce a cada mês, começou a ser feita em novembro de 2003, pela direção anterior a do professor João Luis Miceli Estrella, que assumiu em 31 de março deste ano. Por causa da dívida, contratos não puderam ser renovados.

- Tínhamos que apresentar a certidão negativa para renovar com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, com a Fundação para a Infância e Adolescência (FIA) e Furnas. Perdemos os contratos, mas não mandamos as crianças de volta para casa - conta João Luis.

Além dessas dívidas, os salários dos profissionais da instituição começaram a atrasar.

- Este mês, tivemos uma receita de R$ 240 mil, mas as despesas ultrapassam os R$ 800 mil. Não tenho como pagar os salários, porque se pagar fico sem dinheiro para os kits de laboratório - explica Jorge, lembrando que recebe por mês do Sistema Único de Saúde (SUS) R$ 223 mil, usados na compra dos kits, que servem, por exemplo, para fazer o teste do pezinho.

A guerra que a Apae trava hoje com os credores não é só da administração. Pais, funcionários e sócios se uniram para evitar o pior. O aposentado Orlando Rama, 69 anos, há mais ou menos cinco é um dos 5 mil sócios que contribuem mensalmente com a instituição.

- Moro a 200 metros da sede da Tijuca, converso com as crianças, com os funcionários e até já visitei a Apae. Sei que minha doação, mesmo não sendo muito, é válida - conta Orlando.

Ele está certo. Segundo Leonardo Tone, espécie de faz-tudo da instituição - cuida da captação de recursos, divulgação e relações institucionais - , para sair do vermelho a Apae precisa de 50 mil sócios.

- É uma questão matemática. Se cada um doar R$ 10, zeramos as contas. Mas qualquer ajuda é bem-vinda. Se uma pessoa der R$ 1, já ajuda - diz Leonardo.


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[08/MAI/2005]


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